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Sistema de Gestão Hospitalar e PEP vão mudar o atendimento e o papel do paciente

By 18 de julho de 2016 Voz da Marca

Pacientes empoderados, uberização da saúde e interligação das informações entre os diversos prestadores de serviços e fontes pagadoras estão entre as principais tendências impulsionadas pela TI em Saúde. Em entrevista, o CEO do Grupo Benner, Severino Benner, fala sobre o uso do sistema de gestão hospitalar (ERP) para gerir essa mudança de cenário.

1) O percentual de adoção de ERP nas instituições de saúde brasileiras ainda é baixo. Qual são, em sua opinião, os principais obstáculos para a disseminação dos sistemas de gestão?

Severino Benner: As instituições de saúde já utilizam alguns tipos de software ou alguns módulos de ERP, mas de forma desintegrada. Apenas 150 a 200 hospitais têm o atendimento clínico informatizado, com Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e prescrição eletrônica, que é o negócio deles. A adoção de um sistema especializado em saúde, com gestão clínica, é um desafio. Hoje, há controle administrativo, mas o core business ainda é muito básico na informatização. A TI precisa conseguir implantar o ERP de forma integrada e envolver o médico: romper a barreira cultural de que ele não enxerga valor na automação e mostrar que ela pode oferecer uma segurança maior ao paciente, com alertas de alergia e outros registros com informações que já constam no prontuário; eliminar a redundância de exames; possibilitar que o profissional acesse as informações rapidamente… Além da segurança do paciente, há uma questão importante de custos envolvida.

2) Quais instituições precisam de um ERP e por quê?

Benner: O uso do ERP acaba se tornando obrigatório, tendo em vista a contabilidade digital e o padrão de troca de informações determinado pela Receita Federal. As micro e pequenas empresas e instituições de saúde, como consultórios médicos, podem usar sistemas mais simplificados, mas hospitais e laboratórios estão sujeitos a essas normas tributárias. No fim, todas as instituições de saúde precisam de um ERP, porque não dá para prestar serviços e eliminar processos sem informatizar, interligar e controlar tudo, do atendimento ao recebimento.

3) Por que algumas instituições de saúde não obtêm bons resultados com o ERP?

Benner: Um grande erro que as empresas cometem é colocar um sistema novo informatizando práticas antigas. Existe a necessidade de repensar o processo de atendimento, faturamento, prescrição, assim por diante, ou seja, redesenhar os processos para absorver um sistema que seja sem papel.

4) O que muda com o prontuário eletrônico do paciente?

Benner: Tornar a saúde realmente digital significa interligar o paciente, desde o laboratório ou ambulatório, passando pelo hospital e mantendo o registro médico no celular dele, sem envolver papel. Com isso, o paciente teria uma nova atribuição, como corresponsável pela gestão de sua saúde. Hoje, achamos que é só consumir os recursos, como exames e consultas, e o plano de saúde se vira com os custos.

No futuro, assim como gerenciamos a manutenção do carro, teremos de ser proativos na gestão da saúde. A saúde está cada vez mais cara, nossa população terá 65 milhões de idosos em 2025 e, se não houver gerenciamento e prevenção, não teremos recursos para manter o sistema.

5) E como atingir esse objetivo de tornar o paciente dono de sua informação e personagem ativo na definição do tratamento?

Benner: É preciso interligar a cadeia de forma colaborativa. Hoje a colaboração não está funcionando. É tudo muito segmentado, cada um defende o seu lado.

O paciente precisa ser dono de seu prontuário. Os grandes hospitais estão investindo no PEP, mas seu eu viajar e passar mal, um outro hospital que me atenda e não seja o de minha referência não vai conseguir acessar minhas informações. É muito dinheiro investido num negócio que só interessa ao hospital, não ao cliente. É como criar um negócio não focado no cliente e isso precisa mudar. Precisamos dar poder ao paciente, torná-lo dono da informação, assim como acontece com os dados do Imposto de Renda. É uma quebra de paradigma. Aí ele pode levar a informação para quem lhe atende melhor, não para quem tem seu histórico de saúde. O hospital vai precisar chegar nesse nível de informatização. Hoje, mesmo dentro das grandes redes, os sistemas ainda não são interligados, imagine entre as pequenas instituições.

6) Você fala da “uberização” da saúde. Explique esse conceito.

Benner: Se você quer transporte, em dois minutos o Uber está na sua porta, é só chamar pelo aplicativo. Agora, se passar mal, vai para a fila e ainda corre o risco de não encontrar seu médico. Se tudo funcionasse de forma integrada, o paciente poderia ter uma orientação prévia e ser direcionado ao especialista. Isso é que eu chamo de uberização da saúde: mudar a forma de se fazer o atendimento, para que o paciente escolha como vai ser atendido e com quem vai compartilhar suas informações. No SUS, por exemplo, as pessoas pegam fila, mesmo na chuva, só para conseguirem uma senha e depois serem atendidas. Por que o agendamento não é online, como para solicitar o passaporte? Estamos tão atrasados e com um mau nível de informação, que ainda não eliminamos a fila na chuva.

7) Quais são as áreas mais críticas do hospital e como a TI pode ajudar a resolver seus problemas?

Benner: Uma área é suprimentos, especialmente a gestão de medicamentos, que envolve controle de estoque, vencimento e também como vão ser ministrados, garantindo o medicamento certo, a dose certa, para o paciente certo, na via certa e no horário certo.

Outra é o atendimento clínico eletrônico, principalmente para enfermaria e prescrição, para evitar eventos adversos e ajudar o médico a tomar a decisão de onde estiver e para não precisar contar com a memória para definir uma conduta.

Por fim, o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), para que o cliente possa ter acesso à sua informação e mudar o paradigma da saúde.

8) Quais são as principais tendências para ERP em Saúde?

Benner: Eu apontaria a interligação da cadeia, com médicos, laboratórios, seguradoras e hospitais compartilhando as informações de utilização dos recursos pelo paciente, como acontece hoje com os cartões de crédito; o monitoramento remoto do paciente, com dispositivos e smartphones para que eles continuem o tratamento em casa e liberem os leitos de alta complexidade.

Com essas duas tendências, podemos ter outras mudanças, como a expansão dos hospitais de retaguarda, que têm um custo menor e focam na recuperação do paciente, o que liberaria os leitos de UTI para os casos mais críticos; e o avanço da acreditação. Aqui, a acreditação não é obrigatória, mas em outros países é pré-requisito para abrir um hospital. Isso aceleraria a informatização e também a interligação do atendimento, então, uma coisa melhoraria a outra.

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