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Hierarquia de resultados clínicos: caminho para um sistema centrado no paciente

By 24 de março de 2016 Voz da Marca

Quando se fala em um sistema de saúde focado no paciente, em oposição ao hospitalocêntrico em vigor hoje, os estudos e teorias se debruçam sobre o aumento da qualidade assistencial e a segurança do paciente. São abordados temas como capacitação, acreditação, estrutura física e recursos tecnológicos. Mas como traduzir esse novo modelo em números e monetizá-lo?

Um dos caminhos para alcançar esse objetivo é hierarquizar os resultados clínicos, em vez de priorizar processos e áreas assistenciais.

“Valor em saúde é a divisão dos resultados clínicos pelo custo para obtê-los. Então, centralizando o que é valor, focado na figura do paciente, podemos hierarquizar os resultados em três níveis. O primeiro se refere ao estado de saúde, à sobrevivência e o grau de recuperação da saúde. Por exemplo: o primeiro resultado esperado de uma cirurgia cardíaca é que o paciente saia vivo”, explica o CEO da Geriatrics, Gabiel Palne. “O segundo trata do processo de recuperação e o tempo para retomar as atividades: o paciente saiu com alguma incapacidade ou houve algum evento adverso? O resultado dele é observado também em outros casos? Vai precisar de reabilitação? Por fim, o terceiro analisa as consequências de longo prazo da assistência, se houve recorrência ou novas doenças induzidas pelo tratamento”, enumera.

Embora essa avaliação seja primordial para garantir a qualidade de vida do paciente e criar uma base de dados que possibilite aprimoramento dos diagnósticos e procedimentos, ela ainda não é realidade nos serviços brasileiros. “Mesmo entre os melhores hospitais do País, é pouco provável que esses indicadores estejam em nível AAA. Em geral, as instituições têm apenas indicadores de processos”, avalia.

Sem dados sobre os resultados clínicos, os pacientes acabam escolhendo os prestadores de serviços por proximidade, hotelaria, tecnologia ou outros critérios não diretamente relacionados à qualidade da assistência. Do lado dos prestadores, essa falta de informação os impede de calcular o custo real dos serviços e dedicar-se ao que, de fato, gera receita.

Para mudar essa situação, Palne defende a metodologia TDABC (Time Driven ABC Costing – custo baseado em atividades direcionado pelo tempo), desenvolvida pelos pesquisadores Michael Porter e Robert Kaplan, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos: “É hora de revermos as estruturas do sistema de saúde. Hoje, nenhum player está feliz. E o modelo TDABC deve começar no prestador, que deixa de olhar o custo por setor e passa a saber as despesas de seus casos mais frequentes, para desenhar melhor o negócio.”

Para Palne, esse novo modelo pode levar a um sistema que realmente funcione, entregando valor para quem necessita dos serviços, com um custo considerado aceitável. “Estamos nessa etapa de avaliação aqui na Geriatrics, recompondo processos para a estrutura e os serviços serem enxutos, mantendo os níveis de qualidade. Queremos provar que reduzir o dispêndio de recursos pode ser, sim, sinônimo de aumentar valor”, conclui.

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