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5 perguntas para entender os cuidados de transição

By 10 de maio de 2016 Voz da Marca

A atenção fragmentada à saúde é uma das principais causadoras de gastos assistenciais desnecessários e internações evitáveis. Autor do livro Redes de Atenção em Saúde, Eugênio Vilaça Mendes, ex-secretário de saúde de Minas Gerais, afirma que: “Os sistemas fragmentados têm sido um desastre sanitário e econômico em todo o mundo.”

Enquanto uma reforma profunda dos sistemas não ocorre, de forma a interligar os serviços de diagnóstico, primários, secundários, terciários e pós-alta, alternativas procuram construir pontes na assistência, como os cuidados de transição. Entenda o conceito em cinco pontos:

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1)      O que são os cuidados de transição?

De acordo com a American Academy of Family Physicians (Academia Americana dos Médicos de Família), os cuidados de transição são serviços oferecidos a pacientes com condições médicas ou psicológicos que requeiram a tomada de decisões assistenciais de moderadas a altamente complexas durante a passagem do hospital para sua casa, home care ou casa de repouso.

2)    Como funcionam?

Um plano de cuidados é desenvolvido seguindo as particularidades do paciente e inclui arranjos logísticos, orientação ao paciente e aos familiares e coordenação do atendimento entre os profissionais envolvidos nessa transição. O objetivo é evitar falhas na comunicação e na transição que possam levar a eventos adversos e reduzir os custos com utilização de recursos de saúde.

3)    A quem se destinam?

O serviço é particularmente importante para idosos com múltiplas condições crônicas e regimes terapêuticos complexos, bem como para os familiares cuidadores, que são particularmente vulneráveis a um desarranjo ou falhas no cuidado.

4)    Os cuidados de transição são realmente efetivos?

Exemplos nos Estados Unidos e no Canadá comprovam o retorno sobre o investimento. Em Denver, nos Estados Unidos, uma equipe multidisciplinar do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado testou um programa para estimular o autocuidado e uma participação mais efetiva dos familiares na transição de um ambiente para outro. e concluiu, após seis meses, que treinar pacientes e cuidadores para que sigam corretamente o tratamento e monitorem as condições de saúde levam a uma redução de custos de cerca de US$ 500 por paciente, já que o índice de reinternação cai.

No Hospital Saint Joseph, em British Columbia, no Canadá, foram constatadas reduções no tempo de permanência dos pacientes idosos nos hospitais, em caso de agudização (14 dias para os que passaram por unidades de cuidados de transição, contra 22,5 dias do grupo controle); no índice de infecções hospitalares durante a fase aguda (14% contra 33%); e nos custos (US$ 155 por dia contra US$ 273).

5) O que falta para a sua disseminação?

O modelo ainda esbarra na falta de incentivos financeiros. “Um sistema que presta pouca atenção às necessidades de cuidados continuados de idosos e seus familiares cuidadores enquanto eles se movimentam entre as várias estruturas assistenciais comumente, deixa falhas na assistência”, atesta a professora de gerentologia da Universidade da Pensilvânia, Mary Naylor, em artigo publicado American Journal of Nursing (revista científica norte-americana de enfermagem) . Segundo ela, enfermeiras, assistentes sociais, médicos e outros prestadores de serviços não são adequadamente remunerados no sistema fee for service. Em vez disso, explica, a política de remuneração favorece os hospitais por serviços destinados aos casos agudos. “O resultado é uma transição apenas entre cuidados agudos. Os pagadores públicos e privados precisam ser mais flexíveis no reembolso, pagando adequadamente os prestadores de serviço pela coordenação e transição dos cuidados, e devem desenvolver e testar incentivos que apoiem os cuidadores e melhorem a transição entre os níveis de cuidado”, afirma.

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