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Segurança do paciente e dos medicamentos

By 25 de outubro de 2019 Você Informa

A rastreabilidade e o controle de medicamentos e produtos para saúde ganham cada vez mais importância em todo o mundo para garantir a segurança do paciente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que um em cada 10 produtos médicos que circulam em países de baixa e média renda sejam de baixa qualidade ou falsificado, representando um grande risco à saúde e desperdício de recursos em toda a cadeia de healthcare. Engajada nessa discussão, a Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil promoveu o Summit Saúde 2019 na sede da entidade, em São Paulo (SP).

Um debate produtivo contou com a participação de profissionais de indústrias farmacêuticas, hospitais, atacadistas, distribuidores, provedores de logística, fornecedores de soluções, órgãos reguladores e startups para refletirem sobre o tema e compartilhar experiências. O ponto central foi a efetividade do processo de rastreabilidade, que requer o uso de padrões e a colaboração entre toda a cadeia. Nesse sentido, a head de desenvolvimento setorial da GS1 Brasil, Ana Paula Maniero, destaca a importância do GS1 DataMatrix, padrão usado para identificação e rastreabilidade no setor da saúde mundialmente.

Geraldine Lissalde Bonnet, diretora de políticas públicas da GS1 Global, se apresentou por meio de um vídeo, quando reforçou a necessidade de aprender e discutir a segurança dos pacientes e eficiência de toda a cadeira. Também ratificou o empenho da entidade em âmbito global com a rastreabilidade de medicamentos, destacando o trabalho desenvolvido no Brasil, que apoia projetos importantes na área de healthcare

Novas soluções – Os participantes do evento conheceram o Centro de Inovação de Tecnologia (CIT) da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, onde os participantes conheceram o Espaço Saúde, que conta com três estações: farmácia hospitalar, leito hospitalar e farmácia varejo. Neste ambiente, são simulados o uso de diferentes tecnologias e padrões GS1.

Cristiano Gregis, especialista em regulação e vigilância sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostrou a importância do trabalho da Anvisa e todos os avanços da rastreabilidade de medicamentos desde 2009, que têm impedido a falsificação e a entrada irregular desses produtos no Brasil. Um dos grandes avanços foi a Lei 13.410, que instituiu o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), com o objetivo de acompanhar os medicamentos em toda a cadeia produtiva, desde a fabricação até o consumo pela população. Até abril de 2022, todas as empresas precisam atender à norma da Anvisa que prevê a rastreabilidade dos medicamentos, utilizando o código GS1 DataMatrix nas embalagens secundárias.

Os especialistas convidados para as palestras e painéis de debate apresentaram pontos de vista complementares sobre rastreabilidade e segurança do paciente. A plateia pôde fazer perguntas aos palestrantes e houve momentos para networking. A Zebra Technologies, patrocinadora do evento, aproveitou a ocasião para apresentar suas novas soluções para a área da saúde, como coletores de dados e leitores de código de barras de alta performance. O gerente geral da empresa, Vanderley Ferreira, apresentou dados de uma pesquisa realizada pela empresa em 2018, mostrando alguns gaps na área da saúde que colocam a vida de muitos pacientes em risco. Ferreira mencionou, por exemplo, que equívocos na identificação de pacientes levam a potenciais 13% de erros em cirurgias e 67% de transfusões de sangue.

Paulo Nico, consultor de investimentos da Eretz.bio, convidou três startups – Hoobox, Neoprospecta e SaveLivez – que participam com sucesso de um processo para coworking para contar sobre os trabalhos desenvolvidos. A Eretz.bio é a incubadora de startups do Hospital Albert Einstein que tem o objetivo de fomentar o ecossistema de empreendedores que acreditam na inovação para transformar a saúde. A incubadora oferece para as startups selecionadas, que passam por rigorosa avaliação técnica, espaço de coworking, laboratório de pesquisa e de inovação.

Outra atração do Summit 2019 foi a demonstração em vídeo de uma cadeira de rodas controlada por expressões faciais. A solução foi criada pela Hoobox, desenvolvedora de tecnologia de reconhecimento facial para detectar comportamentos humanos. Paulo Pinheiro, CEO da Hoobox, contou que, em 2019, a empresa lançou durante a CES – maior feira global de tecnologia. Há outras soluções em andamento na startup capazes de detectar a queda de pacientes em hospitais e riscos de úlceras de pressão em pacientes acamados.

A biocomputação – ciência que analisa, interpreta e processa dados biológicos – está sendo usada pela Neoprospecta, representada no encontro pelo CEO Luiz Felipe Valter de Oliveira. A Neoprospecta tem foco no desenvolvimento e comercialização de análises microbiológicas baseadas em sequenciamentos de DNA. O trabalho mostra como estudar as causas de infecções hospitalares, problema responsável por cerca de 70 a 100 mil mortes por ano, trazendo impactos sociais e custos para a saúde

A SaveLivez apresentou uma aplicação de data science que ajuda bancos de sangue e hospitais a diminuírem a falta de sangue e a otimizarem os estoques conforme a demanda. As decisões se baseiam em base em dados para fazer previsões confiáveis de demandas e captação. Segundo Rafael Oki, fundador e CEO da SaveLivez, 25% das pessoas, um dia, precisarão de transfusão de sangue, necessidade que só aumenta no Brasil diante do envelhecimento da população. Entretanto, a demanda por tipos de sangue é aleatória, bem como a oferta.

Fabiana Capilla, consultora de projetos, e José Neto, coordenador de automação e instrumentação da Boehringer Ingelheim, estão à frente do projeto de rastreabilidade de medicamentos da Boehringer, os executivos contaram como a empresa vem se preparando desde 2012 para implementar a serialização e atender à legislação. Eles compartilharam os aprendizados de todo este processo, que requer investimentos em tecnologia, equipe multidisciplinar e treinamento.

Os desafios para atender às novas demandas de rastreabilidade de medicamentos pelos operadores logísticos foram expostos por Kleber Fernandes, diretor de qualidade e gerenciamento técnico da AGV Healthcare & Nutrition. Com foco em produtos para saúde e nutrição humana e animal, um dos desafios da AGV é a necessidade de fracionar os produtos que recebe das indústrias farmacêuticas e que precisam de serialização para serem enviados aos hospitais e farmácias, uma operação bastante complexa.

O Hospital Sírio Libanês, um dos mais conceituados do País, vem aprimorando os procedimentos para rastreabilidade de medicamentos, desde o momento em que recebe dos fornecedores até a dispensação, sempre com foco na segurança do paciente. Aline Dourado, farmacêutica do Hospital Sírio-Libanês, mostrou algumas iniciativas nesse sentido, como a adoção do GS1 DataMatrix para substituir processos manuais de etiquetagem e gerar ganhos de tempo e qualidade. Hoje, 7% dos SKUs são rastreados a partir do GS1 DataMatrix, o que representa 66.490 unidades de medicamentos.

O Summit Saúde 2019 contou com o apoio das empresas: Bertucci Smart Uniforms, Magic Code, Itaueira, NürnbergMesse Brasil e Vegetais Saudáveis.

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About Release enviado por Marcelo/DFreire

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina, com passagem por redações da Editora Abril, O Estado de S.Paulo e várias assessorias de imprensa

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