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Medicina Personalizada: a nova abordagem baseada nos 4P’s

By 22 de setembro de 2020 Mercado, Você Informa

Preditiva, preventiva, personalizada e participativa. O mais novo conceito de abordagem em saúde traz para o centro do cuidado as necessidades individuais de cada paciente. Desde o mapeamento do genoma humano, esta nova revolução alavancada pelas inovações tecnológicas, como Inteligência Artificial e Big Data, já pavimenta os primeiros passos de um longo caminho em que a informação e a educação serão fundamentais.

Imagine-se chegando a um consultório médico não para tratar uma doença, mas para preveni-la, a partir da utilização de informações moleculares capazes de identificar o surgimento de patologias no futuro em função da sua bagagem genética. E que, a este conhecimento, seja acrescido o tipo de medicação ideal que permitirá resultados 100% certeiros, evitando-se, assim, sucessivos e ineficazes tratamentos. Acredite. Não se trata de filme de ficção. Pelo contrário, essa realidade está cada vez mais próxima e já é concreta, por exemplo, no tratamento do câncer.

Desde que o genoma humano foi mapeado, processo que se deu entre os anos de 1990 e 2003, uma nova revolução na saúde entrou em curso alavancada pela utilização de ferramentas tecnológicas, como Inteligência Artificial e Big Data, que permitem a definição de biomarcadores (indicativo de doenças) e contribuem para a consolidação da chamada Medicina Personalizada. Uma abordagem emergente baseada em quatro pilares, ou o no chamado 4P´s: preditiva, preventiva, personalizada e participativa.

CEO da Healthmap, especializada em soluções digitais para a gestão do cuidado em saúde, o médico Paulo do Bem explica que a lógica da Medicina Personalizada é a combinação de uma série de fatores que levam em conta informações genéticas, mas também os diferentes tipos de pessoas, suas condições de saúde e comportamentos. “Para cada pessoa, um plano de cuidados”. É isso que está por trás desta personalização. A Medicina Personalizada começou com a farmacogenética. Inclusive, já existe uma centena de medicações mapeadas de acordo com os genes. Se o paciente tem ou não alguns deles, o efeito da medicação será menor ou maior, valendo o mesmo para os efeitos colaterais”, explica.

Para exemplificar o que a farmacogenética faz na prática, Paulo cita um medicamento muito comum que é a estatina, utilizada amplamente para controle de colesterol. “Há pessoas que tomam estatina e sentem dor muscular, podendo ter até comprometimento renal. Um teste genético que as informa dessa particularidade custa hoje R$ 2 mil. Ainda não é totalmente acessível, mas dependendo da gravidade da doença, a compreensão deste custo muda. Anos atrás, este mesmo teste custava R$ 30 mil. É muito provável que daqui a 5 anos, o preço seja R$ 1 mil e, daqui a dez anos, R$ 300 reais. Ou seja, em pouco tempo, todo mundo terá seu teste de farmacogenética. Assim, quando o médico prescrever uma droga, o paciente poderá informá-lo se ela funciona ou não para ele”.

O tratamento certo para a pessoa certa no tempo certo

A farmacogenética é um dos braços hi tech da Medicina Personalizada, mas o conceito de personalização vai muito além das tecnologias, embora ela seja a base para a individualização do cuidado.

“As pessoas têm necessidades diferentes, embora possam ser parecidas em vários aspectos. Suponhamos o caso de dois diabéticos com a doença descontrolada. Um nega a enfermidade e o outro não. Embora ambos sofram com o mesmo problema, o plano de cuidado será bem diferente, porque é muito mais complicado o profissional de saúde interagir com quem está em fase de negação”, observa Paulo do Bem.

“A lógica da personalização é essa. É por isso que falamos em tratamento certo para a pessoa certa no tempo certo. Há, de fato, um plano padrão, mas a customização respeita a individualidade de cada paciente e o seu momento”, completa. No entanto, para oferecer essa individualização é fundamental ter dados confiáveis e gerenciáveis, como permitido pela Healthmap, plataforma de gestão do cuidado que otimiza a prestação de serviços de assistência por meio de aplicativos e da web.

Por que é importante empoderar os pacientes?

Entre os 4 P’s que são premissas da Medicina Personalizada há um diretamente atribuído ao paciente. O P de “participativa” considera a contribuição do assistido como prerrogativa para o sucesso do tratamento, a partir do incentivo para que participe da tomada de decisões tanto relacionadas à prevenção quanto ao processo terapêutico. Por isso, dar condições e incentivar que as pessoas tenham mais autonomia e estejam mais atentas à própria saúde é indispensável para que a sociedade mergulhe nesta nova abordagem: “cuidar para evitar adoecer”.

“Quanto menos educação e menos saúde uma pessoa tem, mais ela vai exigir do sistema de saúde como um todo, elevando custos e sobrecarregando a demanda e, consequentemente, a capacidade de atendimento. Em Portugal, inclusive, há um projeto do Governo para aumentar a literacia. Um jeito de empoderar os pacientes a partir do conhecimento, para que tenham mais independência e se engajem às recomendações dos profissionais de saúde com mais facilidade”, acrescenta Paulo do Bem.

“Temos uma sociedade de alta dependência e com modelo de atenção caro e fragmentado. Se uma pessoa estiver antenada e ligada às suas condições de saúde, ela mesma se cuida assertivamente e ainda é capaz de identificar uma doença pelos sinais que percebe em seu organismo”, finaliza o CEO da Healthmap.

About Release enviado por Lucimar Brasil - jornalista - MTb 5097

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com Formação em Impacto Social pelo Instituto Amani e ONG Gera Social. OBS: A foto enviada é do médico Paulo do Bem - entrevistado para a matéria.