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Indústria 5.0: A reconciliação entre o homem e a máquina

By 12 de fevereiro de 2020 TI e Inovação, Você Informa

Realidade virtual, Big Data, sensoriamento remoto, equipamentos autônomos, wearables, interfaces entre cérebro e computador, nanotecnologia e exoesqueletos, são apenas alguns exemplos da revolução tecnológica que estamos vivendo com a indústria 4.0. No entanto, estas verdadeiras dádivas tecnológicas trouxeram, além de vários benefícios, desafios para o contexto social, humano e de sustentabilidade que a indústria 5.0 busca solucionar.

A extrema automação, na qual “tudo deve estar conectado com tudo” trouxe diversos reveses que foram pouco considerados, em um primeiro momento, pelos verdadeiros entusiastas da tecnologia. Isso porque, do ponto de vista tecnológico, os sistemas altamente integrados são vulneráveis a riscos sistêmicos, dependência de TI e eletricidade. Já do ponto de social e político, a conectividade extrema, aliada a Inteligência Artificial (IA) pode criar estruturas autoritárias de poder, muitas vezes controversas, para ganhar a opinião pública.

Além disso, o mundo vem progressivamente enfrentando desafios de escala global como esgotamento de recursos naturais, a superpordução, aquecimento global, a crescente disparidade econômica e o terrorismo. Fatores estes, que levam a refletir a respeito de questões legais causadas pelo descompasso entre desenvolvimento tecnológico, evolução social e as mudanças refletidas na sociedade.

Essas mudanças também englobam o envelhecimento social da população, em contraste com a supervalorização das habilidades tecnológicas, fazendo com que colaboradores com conhecimentos Sêniors sejam desvalorizados frente a nova geração Júniors, já que estes nasceram dentro do contexto tecnológico atual. Ou seja, além das desigualdades sociais causadas pelo analfabetismo e analfabetismo funcional, vividos em grande escala em nosso país, a sociedade terá ainda que recolocar àqueles tidos como “analfabetos tecnológicos”, ou com poucas habilidades neste sentido.

Neste contexto, a Indústria 5.0 chega com objetivos claros: a resolução de desafios humanos e a reconciliação do homem com a máquina. Isso porque essa nova revolução não se concentra apenas na “força de trabalho na faixa etária certa”, mas define as possibilidades abertas para o Juniors, para trabalhadores Seniores, assim como os grupos que, por algum motivo, não estão sendo considerados úteis neste modelo de mercado. Desta manira, é possível que homem e máquina trabalhem em direção a um mundo sustentável, que espera alcançar o desenvolvimento econômico aliado a soluções para questões sociais.

Curiosamente, aqui não está sendo descrito um cenário de um mundo idealizado, já que a quinta revolução teve inicio (e está em andamento) no mesmo país que deu inicio a quarta revolução: o Japão. Este conceito Sociedade 5.0 já existe no Japão desde 2016, mas foi na CeBIT 2017 (maior exposição para serviços de telecomunicações digitais e TI em Hanôver, na Alemanha) que ele foi oficialmente divulgado para o mundo pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. O governo japonês está levando tão a sério a corrida em direção à Sociedade 5.0, que já divulgou vários comerciais e vídeos que revelam as vantagens do novo conceito social com slogans como: “Society 5.0: for the betterman of human lives” (Sociedade 5.0: para a melhoria das vidas humanas).

Caso você esteja se questionando, o toque humano é a principal diferença entre a Indústria 5.0 e a 4.0. Atualmente, os robôs já são a base da manufatura, e as tecnologias da Indústria 4.0 oferecem flexibilidade nos processos industriais. A Indústria 5.0 funde a criatividade e a habilidade humana com a velocidade, a produtividade e a consistência dos robôs. Deste modo, os sistemas inteligentes, ao invés de inimigos, passam a contribuir para combater o envelhecimento, diminuir as desigualdades sociais, melhorar a segurança pública e também resolver os problemas ocasionados por desastres naturais.

Ainda assim, a indústria 5.0 utiliza a IoT, mas difere dos sistemas de automação predecessores por ter simetria tridimensional (3D) no design do ecossistema de inovação, que possibilita uma estratégia de saída segura integrada em caso de queda de redes de conhecimento digital entrelaçadas, dá ênfase igual na aceleração e desaceleração da inovação, além de utilizar como base, a pesquisa das ciências sociais e humanas da próxima geração para governança global de tecnologias emergentes.

Apesar de sua complexidade, este tipo de industria é baseado em ferramentas simples, mas eficientes, que são a Metodologia 6R (reconhecer, reconsiderar, realizar, reduzir, reutilizar e reciclar) e os princípios L.E.D (Design de Eficiência Logística) que são transparência, partilha de lucros e eficiência. Estes princípios fazem com que a sociedade 5.0 seja definida como: “Uma sociedade centrada no homem, que equilibra o avanço econômico com a resolução de problemas sociais por um sistema que integra ciberespaço e espaço físico como smart homes, tecnologias vestíveis, mobilidade autônoma, assistentes digitais, energia inteligente etc.

De acordo com Yoko Ishikura, consultora do Fórum Econômico Mundial, membro executivo do conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Japonês e grande defensora da ideia, a Sociedade 5.0 tem objetivos claros: a tecnologia centrada na humanidade para nos ajudar a aproveitar a vida da melhor maneira possível. Para isso, ela defende três valores-chave: sustentabilidade, abertura e inclusão.

Logo, tendo em vista alcançar a Sociedade 5.0, é fundamental tirar o máximo de proveito da tecnologia e do aprendizado de máquinas com a finalidade obter novos conhecimentos, sem que esta busca por inovação implique na perda dos valores humanos fundamentais. Fazendo com que seja possível a existência de conexões entre “pessoas e coisas” e entre os mundos “real e cibernético”. Desenvolvendo assim, um modelo de trabalho inovador para máquinas e humanos, rumo a uma sociedade mais saudável, inclusiva e igualitária.

Referências:
FROST; SULLIVAN’S. Innovations in Human Enablement and Enhancement Technologies. Global 360° Research Team D6DC-TV, March 2016.
Fukuyama, M. Society 5.0: Aiming for a New Human-Centered Society. Japan SPOTLIGHT. SpecialArticle 2. Jul/ Aug, 2018.
Özdemir, V., Hekim, N. Birth of Industry 5.0: Making Sense of Big Data with Artificial Intelligence, “The Internet of Things” and Next-Generation Technology Policy. OMICS: A Journal of Integrative Biology.22:1, 65-76, 2018.
Rada, M. INDUSTRY 5.0 definition. Medium.com. Disponível no site.
Rossi, B. What will Industry 5.0 mean for manufacturing? Raconteur. Mar7, 2018. Disponível no site.

 

* Este texto sofreu correções em 28/02/2020 a pedido da autora. 

About Release enviado por Fernanda Vargas Amaral

Mestrado e DoutoradoDoutorado em “Investigación en Actividad Física y Deporte”. Universidade de Málaga, Málaga/ Espanha . Título reconhecido pelo curso no Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em tecnologias para saúde. Trabalhou no Centro de Inovação para saúde do Sesi e atualmente trabalha como consultora independente na Kantar, empresa líder global em pesquisa do mundo, pesquisa de mercado e avaliação de valor da marca para produtos farmacêuticos, biotecnológicos e assistência médica ao consumidor.