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Importação de medicamentos biológicos é 10 vezes maior que a exportação

By 23 de junho de 2016 Você Informa

A importação de medicamentos biológicos pelo Brasil supera em 10 vezes as vendas ao exterior. Enquanto o faturamento com exportações não passa de US$ 252 milhões, as compras já alcançaram US$ 2,5 bilhões em 2015. Essa diferença expressiva mostra que o país está perdendo, mais uma vez, a corrida pela competitividade internacional no setor farmacêutico. Isso pode agravar o déficit da balança comercial, que se aproxima de US% 5 bilhões.

“Sem inovação, estaremos condenados à dependência tecnológica e econômica”, afirma Antônio Britto, presidente-executivo da INTERFARMA (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). Mesmo com muitas indústrias investindo em pesquisas para a criação de biossimilares, o máximo que isso pode proporcionar é uma redução temporária da situação comercial desfavorável, pois o lançamento de novos medicamentos pode tornar os biossimilares em uso obsoletos.

“Não podemos dizer que o Brasil melhorou. Não estamos competindo com o nosso passado e sim com outros países. Precisamos dizer que o Brasil se tornou inovador, responsável pela criação de tecnologias no setor farmacêutico que sejam atraentes mundo afora”, argumenta Britto.

Para isso, o primeiro passo é criar um ambiente favorável à pesquisa clínica. “Hoje, o Brasil leva 12 meses para ter um pedido de pesquisa clínica aprovado; isso é o dobro da média mundial”, compara o presidente-executivo da INTERFARMA. O principal entrave está na dupla aprovação do sistema CEP/Conep.

Os estudos aprovados pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) precisam ser novamente validados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Ano passado, mais de 40 dos principais médicos e pesquisadores do país escreveram uma carta aberta à então Presidente da República, Dilma Rousseff, pedindo atenção ao assunto.

Outro obstáculo é a falta de diálogo entre universidade e iniciativa privada. “Nos países mais inovadores, as empresas estão próximas das universidades e ambas trabalham juntas em busca de soluções originais, enquanto no Brasil há uma grande resistência dos profissionais acadêmicos em colaborar com a iniciativa privada”, compara Britto.

Por fim, o terceiro obstáculo está na resistência de muitas indústrias farmacêuticas em assumir os riscos da inovação. “É muito mais cômodo fazer um financiamento no BNDES para copiar aquilo que já deu certo. O problema é que isso não favorece a balança comercial do setor. Não é possível ser competitivo mundialmente sem inovar”, diz Britto.

Os medicamentos biológicos representam uma tecnologia nova, alinhada com as tendências atuais da medicina, e que cresce mais rapidamente que qualquer outro segmento da indústria farmacêutica. A demora em criar um ambiente favorável à inovação pode desperdiçar o potencial dos cientistas altamente qualificados que o país possui, além da estrutura de muitas ilhas de excelência.

Sobre a Interfarma
A Interfarma possui 56 laboratórios associados, responsáveis pela venda de 82% dos medicamentos de referência do mercado e por 33% dos genéricos. As empresas associadas respondem por 43% da produção dos medicamentos isentos de prescrição (MIPs) do mercado brasileiro e por 52% dos medicamentos tarjados – 50% do total do mercado de varejo. As farmacêuticas associadas à Interfarma investem por ano cerca de R$ 38 milhões para realizarem 2.200 ações de responsabilidade socioambiental. O relatório Responsabilidade Social-2015 mostra também que 20% dos funcionários se dedicam a atividades voluntárias, percentual acima da média nacional de 11%.

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