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Os diferentes tipos de Hepatites

By 16 de outubro de 2014 Você Informa
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*Autora: Dra. Marta Fragoso, infectologista e epidemiologista, gerente médica do Núcleo de Segurança do Paciente dos Hospitais VITA Curitiba e VITA Batel

As Hepatites são doenças de etiologia viral que acometem o fígado causando inflamação, cirrose e até câncer hepático.

A hepatite A é causada pelo vírus A ( RNA vírus Picornaviridae), a hepatite B é causada pelo vírus B ( DNA vírus Hepadnaviridae), a hepatite C é causada pelo vírus C ( RNA vírus Flaviviridae), a hepatite Delta é causada pelo vírus Delta ( RNA vírus que exige co-infecção com o vírus B), e a hepatite E é causada pelo vírus E ( RNA vírus Caliciviridae). As hepatites mais comuns são a A, B e C.

Hepatite viral A
Apresenta distribuição mundial, transmitida pela via fecal-oral, contato inter-humano (contato sexual através da prática do sexo oral-anal ) ou por água ou alimentos contaminados, com período médio de incubação ( exposição até o início dos sintomas) de 30 dias.

Sua disseminação está associada ao nível socioeconômico, condições de saneamento básico e condições higiênico-sanitárias da população, sendo mais freqüente nas crianças na idade pré-escolar e com formas subclínicas e anictéricas . Predominantemente cursa de forma benigna sendo menor que 1% a forma fulminante.

O tratamento consiste no repouso do paciente, dieta livre de acordo com sua aceitação alimentar ( restrição de gorduras e aumento de carboidratos e doces é mito popular) com restrição de ingesta de álcool por até 1 ano.

A melhor forma de prevenção desta infecção é a melhoria da qualidade de vida da população com adequação de saneamento básico e condições de higiene e educação. Atualmente o Programa Nacional de Imunização disponibilizou a vacina contra o vírus da Hepatite A no calendário básico de Imunizações, disponível nas Unidades Básicas de Saúde para crianças de 12 meses a 2 anos incompletos.

Hepatite viral B
Maior viremia humana mundial, transmitida através das relações sexuais desprotegidas, uso de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas, agulhas e outros equipamentos, procedimentos invasivos sem esterilização adequada ou sem uso de material descartável ( cirurgias, procedimentos odontológicos, hemodiálise, tatuagens, colocação de piercings, perfurações de orelha, manicures e pedicures), transfusão de sangue e derivados, transmissão vertical ( mãe para o filho), aleitamento materno e acidentes perfurocortantes em profissionais da saúde.

O período de incubação varia de 30 a 180 dias com média de 70 dias. Pode cursar subclínica ou com sintomas inespecíficos (febre, cansaço, dores musculares ou articulares, dor de cabeça, náuseas e vômitos, falta de apetite) por até 4 semanas até a fase de icterícia ou amarelão ( que pode ser de intensidade variável com pele e mucosas amarelas, urina cor de coca-cola e fezes cor de massa de vidraceiro) associada á coceiras pelo corpo.

Após a fase de icterícia há a recuperação ou convalescença. Noventa a 95% dos pacientes adultos evoluem para a cura no entanto, quando a reação inflamatória do fígado persiste por mais de seis meses, considera-se que a infecção está evoluindo para a forma crônica. Nesta forma, após anos de evolução, pode surgir a cirrose do fígado ( causando varizes no esôfago, sangramentos digestivos, ascite e alterações hematológicas) e o hepatocarcinoma.

A prevenção está no controle efetivo das doenças sexualmente transmissíveis, na vacinação disponível na rede de saúde pública, no monitoramento sorológico nos bancos de sangue, uso de equipamentos de proteção individual e vacinação de profissionais de saúde, não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dentes, equipamentos para uso de drogas, vigilância sanitária em serviços cirúrgicos, odontológicos, tatuagens, piercings e outros.

O tratamento da fase aguda consiste no repouso, dieta livre com o que melhor aceitar, restrição de ingesta de bebidas alcoólicas e medicamentos para o controle dos sintomas.
A fase de crônica pode ser tratada com determinados medicamentos no entanto é mais complexa, prolongada e exige o acompanhamento de profissionais especializados.

Hepatite viral C
Esta hepatite viral destaca-se pelo seu elevado percentual de pacientes que desenvolvem a forma crônica e a inexistência de vacina para sua prevenção.

As formas de transmissão mais frequentes do vírus C são a transfusão de sangue, uso de drogas injetáveis, hemodiálise, acumpuntura, piercings, tatuagens, droga inalada, manicures e pedicures, barbearias, instrumentais cirúrgicos, contato sexual (menos freqüente), transmissão da mãe para o filho na gestação, acidentes perfurocortantes nos profissionais de saúde e transplantes de órgãos e tecidos. Em aproximadamente 10 a 30% dos casos não é possível determinar a forma de transmissão.
O período de incubação varia de 15 a 150 dias.

Pode cursar subclínica ou com icterícia e outros sinais e sintomas próprios das hepatites na fase aguda. Em média somente 20% dos pacientes conseguem eliminar o vírus e os outros 80% evoluem para a forma crônica com possibilidade de cirrose e hepatocarcinoma.

Não há vacina disponível contra o vírus C, portanto a prevenção evitando os fatores de risco já citados é primordial além do diagnóstico precoce para a interrupção da progressão da doença com medicamentos específicos e redução de exposição á substâncias hepatotóxicas ( álcool e outras drogas).

Hepatites Delta e E
Menos frequentes. A transmissão, sinais e sintomas, controle e tratamento da hepatite Delta é semelhante ao do vírus B que necessita da presença deste para contaminar o paciente.

A hepatite E é de transmissão fecal- oral semelhante á hepatite A também nos sintomas e sinais e, portanto as estratégias de tratamento e prevenção são as mesmas.

Não há vacinas para estas hepatites virais.

Dra. Marta Fragoso, infectologista e epidemiologista, gerente médica do Núcleo de Segurança do Paciente dos Hospitais VITA Curitiba e VITA Batel

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