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Gestão de Saúde Populacional será tema de Fórum em São Paulo

By 31 de maio de 2019 Saúde Pública, Você Informa

O envelhecimento da população brasileira somado à reforma da previdência, que deve exigir mais tempo de trabalho, coloca a saúde cada vez mais no centro dos debates públicos. Pensar em modelos sustentáveis de gestão da saúde populacional é o caminho para reduzir os altos custos do setor, ampliar o acesso e otimizar o atendimento. Nesse sentido, o uso da tecnologia, como a telemedicina, se mostra eficiente.

São muitos os problemas que cercam o setor, desde a falta de médicos, em algumas partes do país, até os custos dos planos de saúde, para empresas e cidadãos. Para discutir os desafios e soluções, será realizado o V Fórum Internacional ASAP – Gestão de saúde populacional: um convite à prática. O evento acontecerá, em São Paulo, no EloPag Business, que fica no World Trade Center, no bairro do Brooklin, no dia 11 de junho.

Entre os palestrantes estão o líder do grupo de pesquisa em Telemedicina e Telessaúde da USP, Chao Lung Wen; o diretor médico da Teladoc Health Brasil, que é líder mundial nos cuidados de saúde virtuais, dr. Caio Seixas Soares; Nirav Vakharia, CEO da ACO (Accountable Care Organization and Associate) de Cleveland Clinic; a Presidente da ASAP, dra. Ana Elisa Correa Siqueira; o futurista e empreendedor Tiago Mattos, CEO da Aerolito: Laboratório de Futurismo e experimentos em tecnologias exponenciais. Além de representantes dos principais planos de saúde do Brasil e renomados especialistas em saúde de outros países.

O V Fórum ASAP trará para o centro da discussão as transformações que o sistema de saúde vem atravessando no Brasil e no mundo na busca de modelos mais efetivos, com melhores resultados clínicos, maior satisfação dos usuários e custos controlados e justos, sempre apoiando o uso da tecnologia como ferramenta de gestão.

De acordo com o diretor técnico da Aliança para Saúde Populacional (ASAP), Ricardo Ramos, o fórum vem em um momento muito importante. “Nos últimos anos, nossa instituição recebeu demanda crescente de grandes empregadores do Brasil, que em última instância são os grandes financiadores do setor de saúde suplementar, pois garantem o benefício para seus colaboradores e familiares”, explica.

O conceito de Gestão de Saúde Populacional (GSP) propõe uma mudança na forma de tratar a saúde coletiva: à oferta de assistência médica soma-se também a implementação de metodologias abrangentes para a estratificação de riscos e coleta sistematizada de dados. Estudos internacionais mostram que, quando aplicada na sua integridade, a GSP pode resultar em reduções de 30% a 50% dos custos essenciais. Além de enxugar gastos, as empresas também direcionam seus programas de forma mais assertiva e com benefícios a longo prazo – extrapolando a gestão de casos crônicos e a análise de casos isolados.

Os painéis apresentados no evento têm o objetivo de fazer os coordenadores alcançarem o potencial máximo da GSP. Eles foram elaborados para gestores de saúde de empresas do setor e também para gestores corporativos, congregando players de toda a cadeia: empresas, operadoras, corretoras, indústria, laboratórios, hospitais, assistência domiciliar, serviços de promoção e prevenção, empresas de tecnologia em saúde para que possam conversar e unir informação e fazer uma troca de experiência.

“Acreditamos que essas empresas são as grandes responsáveis por transmitir essa mudança de comportamento. É preciso dar mais foco à saúde no curto prazo, contribuindo diretamente com os seus colaboradores, garantindo melhor qualidade de vida para eles e seus familiares, bem como maior produtividade e melhor qualidade assistencial”, ressalta o diretor da ASAP.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço da população sofre de pelo menos uma doença crônica, entre casos de diabetes, hipertensão, reumatismo, doença pulmonar ou dislipidemia (distúrbios do colesterol). Esses males já respondem por 70% dos gastos com saúde no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, motivados pelo estresse da vida moderna, pelo sedentarismo e por maus hábitos alimentares. Esses problemas refletem diretamente na produtividade e na qualidade de vida das pessoas.

Um dos caminhos para modelos sustentáveis de saúde populacional é a telemedicina. As vantagens são inúmeras. As consultas online permitem que o paciente se conecte com o médico via celular ou computador com câmera e microfone, em casos mais simples, em que o contato pessoal não seja indispensável.

Os exames podem ser lidos por especialistas de diferentes partes do país, em tempo real. A troca entre os profissionais da saúde para discutir certos casos é facilitada. Além disso, tem o monitoramento dos pacientes, mesmo longe. Através de aparelhos, que podem ser acoplados no paciente, dados sobre batimentos cardíacos, pressão e outros parâmetros são enviados para o computador do médico. Se ele notar alguma alteração, pode solicitar assistência ao paciente.

De acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o 8º maior mercado no mundo na área da saúde e está em 9º lugar no mundo em gastos com saúde, com 8,5% do PIB, ou US$1.109 per capta. Tem 4ª maior população médica do mundo, com 2,18 médicos para cada 1.000 habitantes. “Se não houver uma cultura de promoção de saúde e prevenção de doenças, não conseguiremos mudar a nossa atual condição de tratar a doença das pessoas em vez da saúde delas”, avalia Ramos.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Brasil tem 47.340.503 beneficiários em planos privados de assistência médica com ou sem odontologia, o que representa 22.5% da população. Um relatório divulgado pelo IBGE revela que a expectativa de vida dos brasileiros aumentou. Para homens é de 72 anos e nove meses e mulheres 79 e quatro meses. Com isso, a longevidade da carreira também aumenta, o que reforça a necessidade de um modelo de gestão de saúde eficiente.

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