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Cuidados Paliativos: uma necessidade urgente

By 9 de outubro de 2015 Você Informa

João tem câncer terminal. Ana, grave doença pulmonar, dependente de oxigênio. Antônio, demência avançada, totalmente dependente e incapaz de se comunicar. Juliana nasceu com cardiopatia e tem insuficiência cardíaca limitante que impede mínimos esforços, como conversar e comer, sem repetidas pausas para recuperar o fôlego. Como lidar com doenças crônicas e progressivas sem cura? O sistema de saúde está pronto para a demanda crescente dessas doenças?

Nesses casos, o doente corre o risco de ser abandonado e ouvir do médico que ‘não há mais nada a fazer’, ou então o risco de ser submetido a tratamentos mirabolantes na luta contra a morte. Seriam dois extremos, a negligência e a obstinação terapêutica. A saída é outra: Cuidado Paliativo. É preciso mudar a perspectiva atual de atenção à doença, para atenção ao doente. “Paliativo” vem do latim pallium e significa manto, numa alusão à proteção e acolhimento.

Os Cuidados Paliativos buscam a essência do cuidado, independente de cura. Cuidar do doente e suas particularidades, além do histórico da doença; incorporar a atenção à família, aspectos sociais e culturais; preservar a identidade e tratar de sintomas como dor, falta de ar e vômitos; ouvir e atender anseios espirituais, angústias e busca de sentido; cuidar de questões emocionais diante da possibilidade real da morte; oferecer dignidade na vida e na morte; encarar a finitude como natural e sagrada; respeitar o direito de decidir sobre seu corpo e sua vida. É fundamental uma equipe multiprofissional com sólida formação técnica e humana que atenda às necessidades de paciente e família, numa relação de confiança e respeito, que possibilita o cuidado em toda amplitude e complexidade.

No Brasil é longo o caminho para se ter cuidados paliativos em esfera nacional. No documento que avaliou a qualidade da morte e o cuidado em fim de vida em 80 países, recém publicado pelo The Economist, o Brasil ficou em 42. Muitos morrem com sofrimento não aliviado no país. Há preconceito e ignorância sobre a morfina, até entre profissionais da saúde. O único critério para escolha da morfina é a intensidade da dor, seja no fim da vida ou no pós-operatório de uma cirurgia plástica. A ausência de Cuidados Paliativos em escolas resulta em profissionais sem formação adequada na graduação, tampouco, na pós. Somente em 2013, criou-se a residência médica na área, no Brasil.

Muitos pensam que o cuidado é para pacientes com câncer ou ‘terminais’, mas ele é aplicável a todas as doenças com caráter progressivo e incurável que ameaçam a vida. Paciente em cuidado paliativo também recebe tratamento específico para a doença. São cuidados simultâneos e oferecidos concomitantemente, em cada fase da doença.

No Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, 10/10, ações educativas e eventos são feitos para sensibilizar sobre a necessidade do desenvolvimento desta área, reconhecida pelo CFM em 2011. Um luxo que deveria ser absolutamente imprescindível: o direito a Cuidados Paliativos de qualidade.

Coordenadora da Clínica Médica da Rede Mater Dei de Saúde – Cristiana Guimarães Paes Savoi

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