A medicina está passando por uma revolução. O conceito tradicional de hospitalização está sendo desafiado por inovações tecnológicas que levam o cuidado intensivo para além das paredes dos hospitais. No Einstein Frontiers 2025, a Mayo Clinic apresentou um dos casos mais emblemáticos dessa transformação digital na saúde.  

Sob o comando de Maneesh Goyal, COO da Mayo Clinic Platform, a instituição revelou como conseguiu transferir 1/4 dos seus pacientes hospitalizados para casa, garantindo atendimento de alto nível, eficiência e redução de custos. Esse modelo, impulsionado pela tecnologia e pela integração de dados, está pavimentando o caminho para o futuro da assistência médica – mais conectada, acessível e personalizada. 

Paciente no centro sempre 

“O que torna a Mayo Clinic única é que todos falam a mesma língua: foco no paciente. As necessidades dele vêm primeiro”, destacou Goyal. Essa filosofia norteou a criação de um modelo inovador, no qual 25% dos pacientes hospitalizados foram transferidos para casa, recebendo o mesmo nível de atendimento que teriam em um hospital. 

A estratégia começou antes da pandemia da Covid-19, mas foi fundamental durante a crise sanitária. Com 92 soluções desenvolvidas e 53 prestadores de cuidados de saúde integrados, a Mayo Clinic conseguiu um modelo eficiente e seguro. “Levamos 36 mil pessoas para casa e tivemos apenas um óbito. Cada um disse que recebeu cuidados melhores em casa – e conseguimos isso com um custo menor”, contou. 

A abordagem da Mayo Clinic reforça a transição da medicina reativa para um modelo mais preventivo e personalizado, demonstrando que o hospital do futuro pode estar, literalmente, dentro de casa. 

Goyal contou que o segredo do sucesso está na orquestração tecnológica. É como se houvesse um hospital virtual com 60 leitos, monitorando pacientes em tempo real, garantindo suporte contínuo. “Temos um centro de comando com telas exibindo todos os pacientes monitorados. Equipes coordenam o envio de insumos, além de fornecer um kit com celular e iPad para acompanhamento”. 

Apesar dos desafios, o modelo se consolidou como uma alternativa viável ao hospital tradicional. “Tivemos momentos em que precisamos interromper o sistema e reajustar o workflow, mas seguimos ajustando e aprimorando”, detalhou. 

Rede global que une provedores para transformar a saúde 

Além da revolução no atendimento domiciliar, a Mayo Clinic também está liderando a criação de uma rede global de compartilhamento de dados de saúde, a plataforma _Connect. O tema foi debatido em um painel moderado por Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, com a participação de executivos de instituições de diferentes partes do mundo. 

A iniciativa busca integrar conhecimento, experiência e inovação para transformar a jornada do paciente e acelerar descobertas médicas. 

Eric Harnisch, vice-presidente de Mercado de Provedores da Mayo Clinic Platform, explicou que a plataforma, com cinco anos de existência, opera sob um modelo diferenciado, mantendo os dados em seus países de origem. 

explicou que a plataforma, com cincos anos de existência, opera sob um modelo diferenciado, mantendo os dados em seus países de origem. Harnish afirmou que o objetivo é criar uma rede de conhecimento que respeite a soberania dos dados. 

Robert Wartenfeld, diretor de Dados e Análise do Sheba Medical Center, compartilhou sua visão sobre a importância de participar da rede. “Apesar de nossa magnitude, a instituição ainda não dispõe de dados suficientes para atender todas as demandas. Não se trata apenas de uma rede de dados, mas de experiências, conhecimentos, objetivos e desafios compartilhados”, destacou. 

Já Byron Yount, diretor de Dados e IA do Mercy Hospital (EUA), enfatizou a importância da integração digital. “Nosso objetivo é articular essa visão com nossa história. Passamos anos construindo capacidades digitais e agora buscamos integrar nossos 50 hospitais e clínicas”, explicou. 

O impacto da plataforma na inovação e acessibilidade da saúde também foi debatido. Wartenfeld ressaltou que a diversidade de dados disponíveis gerará valor para diversas áreas, como logística hospitalar, experiência do paciente e recursos humanos. “Os processos variam entre países, mas os resultados podem ser enriquecidos com essa colaboração”, acrescentou. 

Integração entre Einstein e Mayo Clinic pode transformar a saúde  

O Hospital Albert Einstein detém uma estrutura que abrange tanto o setor privado quanto o público. Composto por 29 unidades hospitalares privadas, a instituição atende cerca de 230 mil consultas, diariamente. Enquanto gestora de 35 unidades na rede pública, colabora com 260 mil consultas por dia. 

Esse ecossistema, que inclui a Eretz.bio – hub formado por 50 healthtechs – fomenta atendimento de excelência, integração de dados e tecnologias em um modelo colaborativo, que busca transformar o cuidado. 

Mas como essa rede pode beneficiar a saúde brasileira se há tanto para avançar em termos de conectividade? Para Klajner, graças a parcerias com o poder público, é possível incluir dados valiosos, como informações sobre alterações climáticas e populações vulneráveis, na rede.  

“Esses dados contribuem para a plataforma, ajudando a melhorar a saúde e o acesso à saúde, beneficiando até 40 milhões de pessoas”, explica o presidente, que também enfatizou a importância da colaboração entre setores.  

“Acredito muito na parceria público-privada, que tem se mostrado cada vez mais viável e eficaz”, concluiu. 

Desafios para saúde digital 

A questão regulatória foi outro ponto central da discussão. Brad Wouters, vice-presidente executivo de Ciência e Pesquisa da Rede Universitária de Saúde (Canadá) – University Health Network, enfatizou que “os ambientes regulatórios são diferentes, e precisamos resolver isso coletivamente. O foco deve ser soluções seguras para os pacientes.” 

No Brasil, Amaro Jr. destacou que a regulação ainda está em evolução. “A lacuna entre conhecimento tecnológico e legislação precisa ser reduzida. Esse debate deve envolver universidades e outros espaços para garantirmos um avanço alinhado com as necessidades da sociedade”, explicou. 

O debate reafirmou a importância da colaboração global para impulsionar a inovação na saúde digital, ressaltando que redes, como a _Connect, podem revolucionar a forma como os dados são utilizados para melhorar o atendimento e desenvolver novas soluções médicas. 

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