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Quem estaria disposto a dividir o risco?

By 1 de setembro de 2016 Gestão, TI e Inovação

Setembro!
Estamos em véspera de Hospital Innovation Show, o maior evento que fazemos no ano e, dentre todas as urgências que viram rotina, as reuniões com agentes externos se tornam mais frequentes.

Hoje de manhã, o César Abicalaffe, membro da organização do Simpósio de Pagamento por Performance, um dos tracks de conteúdo do HIS, esteve aqui para discutirmos detalhes dos painéis e a discussão acabou evoluindo para algo que ainda é pouco falado pelos players brasileiros: risk sharing (ou divisão de risco).

A discussão da divisão de risco começa com um tópico anterior: o de pagamento por valor. E o pagamento por valor começa antes, como, por exemplo, na avaliação de performance. E, assim, a cadeia de soluções sempre encontra problemas demais no caminho e continuamos com um modelo de cuidado de saúde digno do século XIX, onde não somos pagos ou avaliados pelo resultado final no tratamento do paciente, mas em quantos procedimentos procedimentos realizamos, ou seja, pela quantidade de fatias de cuidado que entregamos.

Pensando no pagamento por valor, modelo completamente diferente do que é a prática habitual do mercado brasileiro hoje, o risco é, em sua maior parte, da fonte pagadora e do hospital. Os hospitais prescrevem exames, muitas vezes excessivos, realizam uma cirurgia e enviam a conta para a operadora. A indústria, por sua conta, não tem responsabilidade extra na qualidade dos materiais e equipamentos fornecidos. As operadoras, no final, equipam suas máquinas com times e times responsáveis por glosas. E, assim, todo o sistema se onera.

O termo contrato por divisão de risco vem para colocar a variável do valor em uma transação realizada entre prestador e indústria. Com este tipo de contrato, os resultados clínicos e econômicos são medidos e acordados na assinatura do contrato – e o pagamento depende de atingir tais resultados.

Desta forma, se um provedor, por exemplo, está hesitante na compra de uma nova tecnologia oferecida pela indústria, um contrato deste tipo minimiza os riscos financeiros para o provedor e o fornecedor passa a trabalhar junto com o prestador para que o resultado seja alcançado.

Em um modelo onde os resultados do cuidado são de responsabilidade de todos os envolvidos, o material tem que ser sempre de maior qualidade (próteses mais resistentes, por exemplo), o cuidado tem que ser mais assertivo (busca pela diminuição de reospitalização, por exemplo) e os passos para um resultado efetivo precisam ser mais protocolados (menos e melhores exames para cada caso, por exemplo).

Isso me lembra o Márcio Zanetti, Economista Sênior da The Economist, e algumas conversas que tivemos sobre as desconfianças dos players do setor. Determinado player não confia no trabalho do hospital, que não confia no que recebe da operadora, que não confia no que a indústria cobra, que não confia na mão do médico que faz uso de determinado material… que faz o sistema cobrar o dobro do que deveria em cada uma dessas etapas.

Isso tudo me parece uma versão às avessas da Quadrilha do Drummond:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Estaríamos dispostos a dividir os riscos pela saúde dos pacientes?

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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