This site is operated by a business or businesses owned by Informa PLC and all copyright resides with them. Informa PLC's registered office is 5 Howick Place, London SW1P 1WG. Registered in England and Wales. Number 8860726.

HOSPITALAR 2019 Já emitiu sua credencial gratuita? Clique aqui

Que padrões um PEP deve ter para ser interoperável?

By 10 de março de 2016 Colunas, TI e Inovação

O tema é batido: interoperabilidade em Prontuários Eletrônicos (PEP). Mas a sua importância é tão grande que merece toda repetição. Isso porque, pela dinâmica do sistema de saúde, onde pacientes circulam por diversas instituições e os dados do todo são importantes, compartilhar informação de forma automática é pré-requisito para atingir próximos níveis na qualidade da prestação do serviço – o que, no final do dia, significa salvar vidas humanas.

Mas como garantir que sistemas de informação distintos troquem informações? Não é uma tarefa fácil e só é possível a partir do estabelecimento de padrões. É assim que a humanidade resolve problemas de compatibilidade em uma sociedade de livre comércio, onde qualquer grupo de pessoas pode colocar novos produtos no mercado. É pelo estabelecimento de padrões que nós conseguimos ligar um eletrodoméstico brasileiro lá na terra do Obama ou um mouse xing ling nos nossos computadores.

Para exemplificar o problema, imagine que eu posso criar e distribuir um software para saúde, meu vizinho pode e o vizinho dele também. Agora imagine que no meu software eu vou chamar o gênero do paciente de Sexo e vou colocar as opções M para Mulher e H para Homem. Meu vizinho vai chamar o gênero do paciente de Gênero e usar M para masculino e F para feminino. O vizinho do meu vizinho resolveu colocar por extenso, Masculino e Feminino. Deu para imaginar a confusão para juntar esses dados? A simples análise da incidência de diabetes por gênero em uma rede de hospitais usando esses diferentes sistemas seria um caos. E esse exemplo utiliza um dado de baixíssima complexidade, bem diferente da prática.

Existe um n de padrões de sistema de informação de saúde para que os dados tenham o mesmo significado em qualquer sistema. Isso não é só importante para saúde populacional, como para cada paciente individualmente, quando este é atendido em outra unidade ou instituição. De modo geral, os tipos de padrões presentes para tornar a interoperabilidade completa, são:

Vocabulários
Doenças, exames e procedimentos médicos tem nomes diferentes em diversas regiões e culturas. Para que os sistemas se entendam, é necessário que haja um vocabulário único, como um padrão de termos. Um exemplo é o CID-10 (Classificação Internacional de Doenças versão 10). Nessa tabela, por exemplo, o código B20.1 se refere a Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas. Ainda em padrões de vocabulários, existem o SINOMED, LOINC, NIC, entre outros.

Transmissão / comunicação
Não adianta usar um walk talk para falar com alguém que está com o aparelho numa frequência diferente da sua. Padrões de transmissão e comunicação em sistemas de saúde fazem com que a forma que a informação saí de uma ponta, seja a mesma suportada para entrar na outra ponta. Um exemplo é o DICOM, usado para transmissão de imagens, ele torna possível que sistemas e equipamentos de imagens possam trocar dados facilmente, sem que seja necessário criar uma integração para cada aparelho.

Conteúdo
O que você espera encontrar no seu holerite no começo do mês? Descontos descriminados, impostos recolhidos, salário bruto… Da mesma forma, padrões de conteúdo determinam quais dados devem ser comunicados sobre o paciente e local de assistência, por exemplo. No Brasil, o RIPSA (Rede Interagencial de Informações para Saúde) discute isso através do comitê de Compatibillização de Sistemas e Bases de Dados.

Autenticação
Informações de saúde são importantes para provedores e pacientes. Por isso, saber a autenticidade dos dados é crucial. Por aqui, se o Prontuário Eletrônico não é assinado digitalmente pelo médico, ele precisa ser impresso, assinado e arquivado. Para que os sistemas, durante uma transferência de dados, confirmem a autenticidade da informação que está sendo trocada, existe um padrão para certificá-la digitalmente, comprovando sua origem. O ICP-Brasil é quem torna possível isso no país.

Através de padrões de vocabulários, transmissão, conteúdo e autenticação é possível fazer com que sistemas distintos trocarem informações de maneira automática. Os padrões não só tornam a interoperabilidade uma realidade, como também permitem a diminuição de tempo de treinamento, desenvolvimento e implementação de sistemas e equipamentos em um ambiente de informações complexas e extensas como o setor de saúde.

Então, que habemus padrões na saúde!

Filipe Boldo

About Filipe Boldo

Gerente de TI da Live Healthcare Media, desenvolvedor, empreendedor e entusiasta da cultura startup.

Leave a Reply