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OMS aposta em eHealth para atingir objetivos sustentáveis (SDGs)

By 30 de julho de 2015 TI e Inovação
Najeeb Al-Shorbaji

O Diretor do Departamento de Conhecimento, Ética e Pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), Najeeb Al-Shorbaji (Jordânia), conversou com o Saúde Business e detalhou um pouco do que ele vai apresentar durante o Medinfo 2015 – evento mundial de Informática em Saúde, que será realizado em São Paulo entre os dias 19 e 23 de agosto por meio da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

O tema de sua palestra será “Convergência das Tecnologias de Informação em Saúde para alcançar as Metas de Desenvolvimento Sustentável Pós-2015”.

Confira a entrevista e, para saber mais detalhes sobre a trajetória de Najeeb Al-Shorbaji, CLIQUE AQUI.

Saúde Business: Quais são os objetivos para o desenvolvimento de uma saúde sustentável que estão alinhados com a TI em saúde?
Najeeb Al-Shorbaji: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na sigla em inglês) incluem 17 aspectos relativos ao desenvolvimento humano. Eles estão globalmente em linha com as metas e indicadores dos Estados membros das Nações Unidas a serem apresentadas durante Assembleia Geral da ONU em setembro de 2015. Daí surgirá a base para a agenda de desenvolvimento global com metas mensuráveis entre 2015 e 2030.

O Brasil deve se sentir orgulhoso do movimento ocorrido no Rio de Janeiro em 2012 durante o “Earth Summit the world leaders”, que concluiu que um dos principais resultados da Conferência Rio + 20 foi justamente o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG), construídos com base nos Objetivos do Milênio em convergência com a agenda de desenvolvimento pós-2015.

Anterior as discussões de 2012, os objetivos para o desenvolvimento sustentável seguiam as diretrizes dos Objetivos do Milênio, acordados em 2000 com duração até 2015. Como isso expira no final deste ano, os 17 novos objetivos foram acordados depois de muitas discussões e reuniões.

1. Fim da pobreza em todas as suas formas e lugares;
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria nutricional, e promover a agricultura sustentável;
3. Garantir uma vida saudável e promover bem-estar para todas as idades;
4. Garantir a inclusão e equidade educacional, promovendo oportunidades de aprendizado para todos;
5. Alcançar a igualdade de gêneros e capacitar mulheres e meninas;
6. Garantir acesso e sustentabilidade de recursos hídricos e saneamento para todos;
7. Garantir o acesso à energia confiável, sustentável e moderna para todos;
8. Promover um crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho digno para todos;
9. Infraestrutura resiliente, promover inovação e uma industrialização inclusiva e sustentável;
10. Reduzir as desigualdades de dentro e entre os países;
11. Tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, fortes e sustentáveis;
12. Certificar-se do consumo e produção sustentáveis;
13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos (considerando os acordos feitos durante a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC);
14. Fazer uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos;
15. Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, fazer a gestão das florestas, combater à desertificação e deter e reverter a degradação da terra, assim como a perda da biodiversidade;
16. Promover uma sociedade pacífica e inclusiva, provendo o acesso à justiça a todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas
17. Reforçar os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Como mencionado, o objetivo 3 relacionado diretamente com a Saúde (Garantir uma vida saudável e promover bem-estar para todas as idades) possui 13 metas que a OMS vai conduzir com os estados membros:

3.1 Redução da mortalidade maternal
3.2 Redução da mortalidade infantil e neonatal
3.3 Acabar com as epidemias do HIV, Tuberculose, Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas, assim como combater hepatites e doenças transmitidas pela água
3.4 Reduzir a mortalidade de doenças não transmissíveis e melhorar a saúde mental
3.5 Reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias (narcóticos, álcool)
3.6 Reduzir a mortalidade devido a lesões no trânsito
3.7 O acesso universal a serviços de saúde sexual e reprodutiva
3.8 Atingir a cobertura universal de saúde
3.9 Reduzir as mortes e doenças devido à poluição e contaminação
3.a Fortalecer a implementação do controle do tabaco (FCTC)
3.b Melhorar o acesso a medicamentos essenciais
3.c Aumento do financiamento da saúde e dos profissionais de saúde nos países em desenvolvimento
3.d Melhorar a capacidade de alerta precoce, redução de riscos e gestão dos riscos nacionais e globais de saúde.

A premissa básica da apresentação é que essas metas são um conjunto integrado de objetivos em direção ao desenvolvimento sustentável.

Saúde tem tudo a ver com educação, meio ambiente, pobreza, etc. Do ponto de vista do eHealth, esses objetivos têm que ser vistos de uma maneira que as soluções de eHealth e aplicações sejam interoperáveis e complementares umas as outras. Isto significa que os dados recolhidos sobre o meio ambiente, como as alterações climáticas, a qualidade da água, saneamento e poluição do ar têm muito a ver com os dados coletados sobre a saúde das pessoas que vivem nessas condições.

Para entender a saúde humana, precisamos entender as condições econômicas, sociais, ambientais e políticas em que a pessoa vive. Gerenciamento integrado de dados é a resposta para se atingir esses objetivos sustentáveis.

Quais são as políticas da OMS relacionadas à construção de um sistema sustentável?
A OMS tem sido influente no desenvolvimento e criação de consensos em torno de Meta 3, que está relacionada com a saúde. A OMS fez uma análise completa e exaustiva das metas do milênio (Millennium Development Goals – MDG), afim de medir suas realizações e, em seguida, propor metas que assegurem a transição delas para os objetivos sustentáveis (Sustainable Development Goals – SDGs). Não devemos esquecer também que as metas, tais como doenças não transmissíveis e a cobertura de saúde universal , não faziam parte do MDG. A OMS continuará a apoiar estas metas e a trabalhar com os Estados membros para alcançá-las.

A política mais significativa foi a adoção da Cobertura Universal de Saúde (Universal Coverage Saúde – UHC) como a meta foco. Essa cobertura prevê que todas as pessoas tenham acesso a serviços de qualidade de saúde, sem arriscar sua situação financeira. Isto significa ter acesso à prevenção, proteção, tratamento e cuidados paliativos. Para isso, é preciso construir sistemas de saúde resilientes.

Do ponto de vista do eHealth, isso significa que todas as pessoas devem ser registradas como parte de um único registro civil nacional, com acesso a estatísticas vitais, para que ninguém seja deixado para trás. Isso determina a necessidade de desenvolver políticas e aplicações de eHealth que apoiem a prevenção e promoção da saúde, tais como plataformas e serviços que empoderem os pacientes a gerenciarem sua própria saúde.

Isso significa a necessidade de aplicações que viabilizam políticas de saúde não são apenas para aqueles que vivem nas cidades, mas também em áreas remotas, utilizando soluções móveis, telemedicina, tecnologias vestíveis, sensores, registos de saúde electrónicos e diagnósticos. Todos estes têm de ser interoperáveis e capazes de trabalhar os dados de outros sistemas que não sejam somente de saúde. E todos os dados imputados devem ter sua segurança e confidencialidade garantida, respeitando a privacidade do paciente.

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Como a OMS lida com os diferentes graus de desenvolvimento tecnológico na área da saúde em todo o mundo?
A OMS não lida com isso. A OMS promove o uso da tecnologia para alcançar melhores resultados de saúde. Essa tecnologia tem de ser acessível, segura e adequada às necessidades das pessoas. A OMS promove a padronização e interoperabilidade e não uma solução tecnológica específica. A OMS não quer ver os gaps tecnológicos na área da saúde aumentarem. O acesso equânime aos serviços de saúde pode ser promovido pela tecnologia, mas se o acesso é totalmente controlado pela tecnologia, então isso contribui para alargar o gap entre os que têm e os que não têm. Se tomarmos a Internet como exemplo, vemos que apenas 42% da população mundial tem acesso aos recursos da Internet. Se assumirmos que a Internet fará com que as informações de saúde estejam disponíveis a todas as pessoas e agirmos com base nisso, estamos basicamente dizendo que 58% da população mundial vão ficar de fora, porque eles não têm acesso à Internet. Isto não é aceito pela OMS.

Qual é a visão da OMS sobre a Saúde no Brasil?
Não estou numa posição para comentar sobre a saúde no Brasil, pois estou focado no uso de eHealth como meio para melhorar os serviços. Mas ficarei feliz em comentar o que sei em termos de eHealth e suas aplicações no Brasil, especialmente em telemedicina. O Brasil está desenvolvendo uma das mais avançadas redes de telemedicina no mundo por meio da Rede Universitária de Telemedicina (Rute). O projeto, conduzido pelos Ministérios da Educação e Saúde, providencia saúde e cuidados médicos para milhares de brasileiros situados em áreas remotas. O RUTE ligado à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) inclui 108 unidades de telemedicina em hospitais universitários em todos os 27 estados. A rede opera 48 grupos de especialidades e realiza de duas a três videoconferências por dia, incluindo a participação de 150 instituições.

Se quer compartilhar mais alguma coisa, sinta-se livre!
Temos a meta também em aumentar significativamente o acesso à informação, às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), e em fornecer acesso universal à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020. Este é um reconhecimento de que as TICs têm um papel importante na realização do SDG. Desenvolvimento das TIC é uma meta por si só, mas mais importante é o papel que desempenha no processo de empoderamento dos indivíduos e no acesso equânime à informação.

As últimas palavras que eu gostaria de dizer é que a inovação e as TIC empoderam os indivíduos e a sociedade em grande escala; que as mídias sociais mudaram os negócios, as relações pessoais, os movimentos políticos; e têm transformado a comunicação de risco, pois conectividades disruptivas têm riscos.

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*O Medinfo, em parceria com o Saúde Business, oferece preços vantajosos para os leitores do portal interessados em comparecer ao evento, que este ano traz o tema “A Saúde Habilitada pela e-Saúde”. Para aproveitar, basta se registrar pelo site na categoria “Não-Sócios” e escrever o seguinte código do cupom CAFB69. O cupom deve ser informado pelo congressista no final de sua inscrição, antes de efetuar o pagamento.

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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