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O surto Coronatech

By 16 de março de 2020 Colunas, Destaques, TI e Inovação

Pegue uma população receptiva à inovações tecnológicas. Misture com uma reação em cadeia global provocada pelo medo de uma pandemia noticiada dia e noite pelos meios de comunicação. Por fim adicione os problemas crônicos de um sistema de saúde incapaz de ser acessado pela maioria da população mundial.

Pronto! Está criada a condição perfeita para o surgimento de propostas de valor reais para pacientes espalhados por todo o mundo. Um market fit inédito e extraordinariamente escalável – algo raro de se ver no setor de saúde.

É fato.

Desde que os primeiros casos de contágio foram relatados em Wuhan uma série de necessidades da população local passaram a ser observadas por startups e corporates focadas no desenvolvimento de soluções escaláveis e inovadoras.

Dessa forma o mercado chinês transformou-se numa espécie de playbook ideal para oportunidades de negócio que agora começam a surgir também no ocidente.

Uma das primeiras empresas a dropar esse pipeline gigantesco foi a canadense Cyclica, que utiliza inteligência artificial aumentada para acelerar o processo de descoberta de novos medicamentos.

Em pouco tempo  a empresa entrou em contato com os principais institutos de pesquisa chineses e também  finalizou um inédito  acordo de cooperação com a Academia Chinesa de Ciências Médicas. Assim está se unindo a pesquisadores locais de uma maneira colaborativa e responsável para fornecer uma tentativa de solução eficaz para a cura da doença.

Já a chinesa Alibaba, aproveitando a facilidade de acesso ao grande volume de casos da população infectada, desenvolveu um algoritmo capaz de diagnosticar Covid-19 em 20 segundos a partir da tomografia do tórax, com uma assertividade de 96%.

Seu rival chinês Ping An também  desenvolveu o mesmo exame baseado em inteligência artificial, e já está presente em mais de 1.500 instituições médicas segundo informou a empresa.

No mesmo embalo a Hanwang Technologies, também chinesa, desenvolveu uma tecnologia inédita para realizar identificação facial de pessoas utilizando máscara cirúrgica, com uma precisão de 95%. De quebra o sistema se integra a sensores de temperatura para descobrir se a pessoa também está com febre.

Do outro lado do mundo, a americana Parallel Profile vem utilizando Inteligência  Artificial  para desenvolver um extenso trabalho de curadoria na literatura médica e prontuários eletrônicos, bem como nos dados genéticos das pessoas afetadas, a fim de identificar medicamentos que podem ser imediatamente reaproveitados para tornar os pacientes mais capazes de combater uma potencial Infecção por COVID-19.

A também americana Breath Research, por sua vez, está focada no monitoramento remoto  de pacientes já diagnosticados ou de alto risco realizando  detecção  precoce e intervenção antes que a doença se torne aguda. E para isso utiliza uma combinação de análise de som pulmonar, inteligência  artificial,  espirometria clínica e telemedicina.

Da mesma  forma  a Aidar Health desenvolveu um dispositivo chamado Mouth Lab que funciona como uma espécie de bafômetro capaz de capturar e transmitir uma série  de sinais vitais ajudando no monitoramento de pacientes em ambiente  doméstico e também hospitalar.

Bem como fez a Tahmo, que desenvolveu um termômetro  conectado capaz de informar imediatamente  qualquer  alteração  na temperatura do paciente atingido, sem exigir a presença  física  de médicos ou cuidadores.

A fim de evitar o contato  desnecessário  com pessoas  potencialmente  infectadas  a Navimize desenvolveu um sistema capaz de predizer o atraso médico para as próximas  consultas e enviar uma mensagem ao paciente, ajudando a chegar na hora certa e eliminar o seu tempo de permanência  na sala de espera junto a outros  pacientes.

E nesta semana, a Conversa lançou uma campanha em larga escala para conscientizar seu novo serviço, o Coronavirus Health Chats. É um serviço gratuito para uso do público em geral, a fim de obter informações sobre coronavírus e COVID-19, verificar sintomas, encontrar recursos adicionais e registrar alertas.

Como se pode perceber as portas estão abertas para a criatividade e muitas novidades ainda devem surgir nas próximas semanas.

Se existem lições até aqui para serem tiradas pelas empresas de saúde, certamente uma delas é a de que devem ser suficientemente ágeis e inovadoras para se adaptar a mudanças na jornada de seus pacientes.

E que ainda assim não podem esquecer que, mais importante que a “experiência do usuário”, é a “vida do ser humano” e que para lidar com isso não existe melhor tecnologia que a humanização. Especialmente num momento de tanto isolamento como esse.

Istvan Camargo

About Istvan Camargo

Atualmente conectado ao universo da Medicina Diagnóstica, tendo ingressado no Grupo Sabin em 2018, Istvan Camargo vem inovando na Saúde há mais de 10 anos. Já desenvolveu serviços e estratégias de impacto para Operadoras de Saúde, Farma e Clínicas Populares. Foi pioneiro na criação de redes sociais de saúde, tendo criado cases de sucesso para grandes centros de pesquisa científica e grupos de apoio a pacientes crônicos. Realizou +30 palestras sobre temas ligados à Saúde Digital em conferências como Social Media Week, Campus Party e Health 2.0 LATAM.