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O impacto da inteligência artificial para os profissionais de saúde

By 8 de fevereiro de 2019 Destaques, TI e Inovação

Antes de tudo, vale mencionar que não existe uma única tecnologia de inteligência artificial. Ela é objeto de estudo de áreas de conhecimento como a ciência cognitiva — um campo multidisciplinar que reúne o conhecimento de filósofos, antropólogos, sociólogos, neurocientistas e cientistas da computação, com o objetivo de reproduzir artificialmente a inteligência humana e estudá-la.

Porém, em sua versão mais elementar, ao menos segundo o entendimento de alguns dos profissionais da área, a IA é entendida como um software que usa de inputs predefinidos para gerar outputs correspondentes. Ou seja, um algoritmo que, com base em regras programadas, combina informações e as aplica a situações conhecidas para concluir seus efeitos — igualmente sabidos antecipadamente.

Aprendizado por máquina

Contudo, a IA com capacidade de aprendizado já é uma realidade. De forma similar à que ocorre com nós humanos, ela desenvolve conclusões com base na combinação de padrões. Conforme um padrão se repete, o sistema é capaz de identificar a probabilidade de que volte a ocorrer e, quando ela é alta, conclui que ocorrerá.

Além disso, existe a IA de aprendizado profundo. Nesse caso, o sistema usa de várias camadas de dados que são processados e combinados em segundos. Por analogia, essas camadas são chamadas de redes neurais artificiais.

Do mesmo modo que nosso cérebro forma sinapses como um registro de aprendizado, essa rede artificial permite que a IA acumule conhecimento em várias camadas de informação.

Segurança de uso

Outro ponto interessante é que, como o aprendizado por máquina permite avaliar probabilidades como só uma máquina pode fazer, esses sistemas de IA são capazes de identificar quando estão diante de uma situação na qual não possuem informações suficientes para uma conclusão segura. Nesse caso, elas informam essa condição para que seja avaliada por uma pessoa.

Sua grande vantagem em relação à inteligência humana está na capacidade de processar uma enorme quantidade de dados com extrema rapidez. Por exemplo, ela pode combinar dados sobre diagnósticos e identificar padrões referentes a uma patologia.

Digamos que, hipoteticamente, exista a ocorrência de uma população de insetos acima do normal em uma região com muitos casos de uma doença, até então desconhecida. Com base nessa informação, um médico poderia avaliar se esse padrão é a causa real da doença.

No decorrer deste texto, você observará outros exemplos que apontam para a IA como um recurso complementar ao trabalho do médico e não propriamente um substituto.

Diminuição de postos de trabalho

Existem duas visões sobre a diminuição dos postos de trabalho em razão do uso da IA. Uma delas afirma que ela realmente substituirá profissionais em todas as áreas. A outra, mais aceita por especialistas, entende que esse será um efeito momentâneo. Ou seja, a tecnologia teria o efeito de aumentar a demanda ao diminuir custos e melhorar a produtividade.

Algo comparável com o que aconteceu com a indústria automobilística. Ao mesmo tempo em que, com a industrialização, são necessárias menos pessoas para produzir um carro, eles podem ser produzidos em maior escala e são acessíveis a um número maior de pessoas. Ao final, a quantidade de profissionais empregados é muito maior no processo atual do que seria se ele fosse artesanal.

Para ter uma boa ideia de aplicação da IA no setor de saúde, ainda é importante considerar que ela poderá ser combinada com outras tecnologias, como a internet das coisas (IoT).

Ela pode ser usada para combinar dados de sensores de IoT usados para monitorar pacientes a distância considerando a temperatura corporal, a frequência cardíaca e a pressão sanguínea, por exemplo. Nessa aplicação, é possível acompanhar uma quantidade exponencial de casos e rapidamente reportar um problema para o médico.

O uso da inteligência artificial para os profissionais de saúde

Na atualidade, já temos softwares capazes de avaliar padrões em exames de imagens, como a radiografia, tomografia e ressonância, com qualidade igual ou superior aos de um médico especialista e experiente.

Essa eficiência também é notada no campo da regulação que, como se trata do reconhecimento de padrões e direcionamento dos recursos, pode ser executada com agilidade e acerto pela IA.

Com base na identificação dos padrões previamente registrados pelo sistema, é possível para a IA efetuar uma triagem prévia para facilitar o trabalho do médico regulador que terá a última palavra.

Os casos em que o padrão não é reconhecido são encaminhados para o médico regulador. Isso pode ocorrer por falta de dados, inconsistências e outros fatores que não permitam estabelecer um padrão ao ponto de gerar “insegurança” no sistema. Já em casos novos, exóticos ou raros, o médico realiza a regulação e a máquina aprende de acordo com a resposta.

Como esse reconhecimento é muito rápido, a regulação fica mais ágil — se um médico regulador demora 2 horas para avaliar 100 guias, a máquina faz o mesmo em alguns segundos. A vantagem é evidente, especialmente nos casos de urgência nos quais a rapidez pode fazer toda a diferença.

Quebra da resistência ao uso da IA

Ainda assim, a grande maioria dos médicos enxerga a tecnologia como uma inimiga que poderá tomar o seu lugar. Mas ela é capaz de elevar a qualificação dos profissionais e a qualidade dos serviços prestados, além de otimizar tempo e custo.

Naturalmente, toda novidade gera esse desconforto inicial. Mas, no futuro, os resultados mostrarão a segurança da IA e os envolvidos perceberão a sua importância. Para que isso ocorra, os profissionais da medicina precisarão se preparar do mesmo modo que fazem em relação a qualquer outra tecnologia, como novas técnicas cirúrgicas.

Um dos desafios é ter a comprovação científica e estudos aprofundados sobe o funcionamento dessa tecnologia. Além da área da radiologia e da regulação, novas evidências científicas devem surgir nas outras especialidades médicas, como a oftalmologia e a cardiologia.

Lembre-se de que a medicina apresentou diversas inovações em pequenos intervalos de tempo, como o uso da radiografia, os antibióticos, as ressonâncias e a introdução da laparoscopia. Todas essas inovações geraram uma curva de aprendizado alta e não será diferente com a IA.

Benefícios do uso da IA

Mas os benefícios certamente compensam o esforço que precisará ser empregado. Com as informações registradas de consultas e histórico médico, o profissional pode direcionar as melhores estratégias de intervenção. Por exemplo, se há o conhecimento que em alguma cidade há mais malária, deve haver o direcionamento dos recursos para o seu tratamento.

Já em uma cidade onde não há malária, mas existem problemas respiratórios, pode haver o direcionamento de políticas ou estratégias para melhorar essa situação. As informações são bem capturadas por programas que trabalham com esses dados de forma eficiente e combinando variáveis diversas em tempo recorde.

Além desses direcionamentos, o sigilo médico é outro fator relevante e que deve ser garantido. O ato médico deve ser respeitado em todas as regulações ou procedimentos realizados por aplicativos ou máquinas. A manipulação dessas informações deve ser feita sempre sob a responsabilidade de um profissional.

Para concluir, vale ressaltar que, além do impacto da inteligência artificial para os profissionais de saúde, as operadoras têm nessa tecnologia um importante recurso de otimização de procedimentos administrativos. Auditorias e autorizações, por exemplo, podem se beneficiar de seu uso.

Sobre o Autor:
Ney Paranaguá, Doutor em Ciência da Computação

 

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