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Inovação digital na saúde: o modelo do Reino Unido e os desafios do Brasil

Na última semana aconteceu a feira Hospitalar e, dentre seus congressos, o HIMSS com o tema Digital-Health.19 – Prediction, Prevention and Precision Care. Inovação digital apareceu em diversos momentos e contamos com a presença de Christopher Exeter, Assessor de Saúde do Departamento de Comércio Internacional do NHS (National Health Service), o equivalente ao SUS do Reino Unido, palestrando sobre “A adoção de inovação digital em saúde pelo NHS”.

A experiência e expertise do NHS hoje é utilizada principalmente para auxiliar países parceiros em estratégias de prevenção e tratamento de doenças não transmissíveis. Fornecendo, assim, educação e treinamento de qualidade aos profissionais e ajudando a melhorar seus desfechos em saúde e desenvolvimento econômico. Como benefício secundário, cria oportunidades de negócios internacionais e com o próprio Reino Unido. Uma das grandes questões atuais na área é a interoperabilidade, que se trata da capacidade de diferentes sistemas, dispositivos e aplicações se comunicarem de forma coordenada intra e interorganizações.

Questões de TI e cultura organizacional são os principais desafios enfrentados, mas definitivamente a cultura é o maior obstáculo a ser superado, segundo Christopher. O problema é completamente justificável: temos grupos de pessoas altamente qualificadas que trabalham juntas há muito tempo realizando tarefas muito importantes, gestores sob grandes pressões e em teoria a tecnologia deveria melhorar como essas pessoas trabalham. Mas em um primeiro momento isso desafia suas rotinas. Qualquer país que queira investir em tecnologia, tendo como modelo o Reino Unido, deve priorizar treinamento e cultura organizacional. Comparado a isso, a implantação de sistemas é relativamente simples.

O Brasil tem um desafio adicional pelo tamanho de sua população e de sua área geográfica. Realizar triagens das doenças não transmissíveis (diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, etc) é o primeiro passo para iniciar medidas preventivas. Suas causas são relativamente homogêneas, o que facilita seu controle. Expandir o acesso à população é o principal objetivo. Sistemas de aferimentos em atividades do dia-a-dia, por exemplo, são uma forma de obter medidas mais fiéis além de não precisar que as pessoas se dirijam a um centro de saúde. O conselho de Christopher é começar pequeno, escolhendo uma cidade ou região particular com determinados problemas, e experimentar. Após um período saberemos o que funciona e o que não funciona para determinadas regiões e populações.

Ao se optar por adotar a inovação digital como parte estratégica de um governo ou organização deve-se ter em mente três principais pontos: políticas públicas que incentivem a abertura de dados e possibilitem a expansão e o acesso aos mesmos, treinamento da força de trabalho, para que se acostumem à tecnologia no dia-a-dia e, por último, treinamento e estímulo da população a utilizar estas ferramentas. A forma como a medicina é praticada hoje em dia mudou e agora nos resta nos adaptar.

Pamela Paschoa

About Pamela Paschoa

Farmacêutica pela Unicamp, atuou nos últimos 8 anos como farmacêutica clínica em instituições públicas e privadas. Foi tutora de programas de residência multidisciplinar. Hoje, com experiência na assistência direta ao paciente e em educação em saúde, atua na área de conteúdo do portal Saúde Business e na curadoria dos eventos Hospitalar, Healthcare Innovation Show e Saúde Business Fórum.

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