Wonderful Essay: Microbes gave us life, Stat, 21.dec.2017

Eu comecei a me interessar pelo tema de Microbiota (vou usar nesta matéria o termo Microbioma que vem do inglês Microbiome [1]) no final de 2015 a partir de duas fontes: [a] a primeira foi uma matéria de investimentos em saúde do fundo Google Ventures (GV) através do brilhante CEO do GV na época que era Bill Maris [1.1] onde dizia que Microbioma é uma das áreas estratégicas de investimento do fundo. Onde o Google investe em saúde sempre é uma boa pista que existe “grana” e muitas vezes “muita grana”. Bill Maris saiu do GV e voltou recentemente ao mercado em um VC menor [2]; [b] a segunda foi um vídeo da famosa Exponential Medicine de 2015 de Paul Roben da UCSD (uma forte instituição nas pesquisas sobre Microbioma) onde ele dizia que Microbioma Humano era a “nova fronteira da Medicina” e que o equilíbrio do Microbioma Intestinal era responsável pela saúde de um indivíduo pois estes micróbios intestinais interagiam com vários sistemas regulatórios do corpo humano tais como sistema digestivo, sistema nervoso central e sistema imunológico influenciando uma série doenças como autismo, depressão, diabetes, obesidade, câncer, doenças cardiovasculares, doenças gastrointestinais, esclerose múltipla, síndrome de fadiga crônica, alergia a lactose, e outras mais. Mais um fato me chamou muita atenção neste vídeo: Paul Roben diz que as crianças que nascem de cesárea tem 500% mais de chance de ter doenças alérgicas pois no nascimento não são “untadas” pelas bactérias existentes na vagina quando nascem de parto normal [3]. Esse banho de bactérias no bebê cria resistência a uma série de doenças na sua evolução de vida. Ele diz “o cuidado do Microbioma deve começar desde o nascimento de uma pessoa”.

Segundo o Wikipedia, Microbioma “é uma comunidade ecológica de microorganismos comensais, simbióticos e patogênicos encontrada em em todos os organismos multicelulares estudados até o momento de plantas para animais. Um Microbioma inclui bactérias, arqueias, protistas, fungos e vírus. A microbiota revelou-se crucial para a imunologia”.

O Microbioma Humano de uma pessoa é único e não tem similar. Por essa razão ele também é conhecido como “Segundo Genoma” [3.1].

A história dos micróbios na humanidade começou com o holandês Antonie van Leeuwenhoek nos anos 1600 que descobriu microrganismos usando microscópios “artesanais” que ele chamou de “animalculos” através de coleta de material da sua boca. Sem saber, ele foi o pioneiro da descoberta do Microbioma Oral [4]. Esta descoberta ficou adormecida muito tempo até os anos 1800 com os estudos do francês Louis Pasteur (1822-1895) [5] e do alemão Robert Koch (1843-1910) [6] que foram muito importantes na pesquisa sobre a teoria dos germes e também “caribaram” a ideia que os “micróbios são pessoas ruins” (“microbes are bad guys”). Pasteur ficou muito famoso com sua descoberta de “quando o vinho vira vinagre” e inventou o processo chamado de Pasteurização [7] que mata os micróbios em alimentos e bebidas. Robert Koch também foi muito importante e sua pesquisa levou a criação dos Postulados de Koch [8], uma séria de quatro princípios gerais ligando microrganismos a doenças específicas, postulados estes que permanecem ainda hoje em dia como o “padrão ouro” da microbiologia. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1905 por sua pesquisa em tuberculose. Eis que nessa época a “guerra contra os micróbios” foi lançada então. A percepção naquele tempo era de que os micróbios eram universalmente ruins. E logo chegou britânico Joseph Lister (1827-1912) [9] que concluiu que concluiu que a causa principal por que as pessoas morriam após a cirurgia não era pela perda de sangue ou complicações na própria cirurgia, era por infeção! Ele então promoveu a ideia da “cirurgia estéril” onde os instrumentos cirúrgicos e as feridas eram limpos com fenol. Esse procedimento reduziu dramaticamente as infecções pós-cirúrgicas e tornou a cirurgia mais segura para os pacientes. Seu sobrenome foi utilizado para nomear o famoso desinfetante bucal chamado Listerine que foi criado em 1879 e existe até hoje. O próximo pesquisador na guerra contra os micróbios com o escocês Sir Alexander Flemming (1881 – 1955) [10] conhecido como o “descobridor” (ou “inventor”) da Penicilina – o primeiro antibiótico mundial usado para combater doenças. Essa história representa a guerra travada contra os micróbios pelos cientistas desde os idos de 1600!

Esse “carimbo do mal“ dos micróbios como “pessoas ruins” provocado por Pasteur e Koch nos anos de 1800 associou um “estigma do mal” a eles que se estende até hoje e, se propaga ao tema do Microbioma Humano, mas o fato é que existem em qualquer corpo humano os “micróbios do bem e os micróbios do mal”. Ainda assim, muita gente hoje em dia não acha o tema confortável mas, nós veremos nos próximos anos, com “nossos próprios olhos de mortais” o quanto de bom os micróbios vão trazer para a nossa saúde e, por que não dizer, para a Humanidade! … “Eu tenho fé, Tomé!