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Ganhadores do Prêmio de Inovação Médica

By 21 de novembro de 2019 Destaques, TI e Inovação

Em sua 2ª edição, iniciativa reconhece os projetos mais inovadores para a saúde brasileira, selecionados por um júri de renomados especialistas e pelo público

Inteligência artificial no hospital, banco de dados genéticos, curativo a base de pele de tilápia para queimaduras, estratégia que poupa o coração das mulheres em quimioterapia e uma rede contra a falsificação de remédios: estes são os temas dos cinco projetos ganhadores da 2ª edição do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica. A iniciativa reconhece inovações que têm potencial para melhorar a vida e a saúde das pessoas. Selecionados entre projetos desenvolvidos por universidades, hospitais, centros de pesquisa, clínicas, Organizações Não-Governamentais (ONGs) e startups de todo o Brasil, os ganhadores estão dividos em cinco categorias: Inovação em Genética, Inovação em Medicina Diagnóstica, Inovação em Tratamento, Inovação em Medicina Social e Inovação em Prevenção.

Confira abaixo os ganhadores:

CATEGORIA INOVAÇÃO EM MEDICINA DIAGNÓSTICA

UM ROBÔ QUE SALVA VIDAS – Jacson Fressatto vivenciou uma das maiores tragédias pelas quais o ser humano pode passar: ver sua filha morrer aos 18 dias de vida. A pequena Laura veio ao mundo prematura e não resistiu a uma infecção generalizada. Após o trauma, o analista de sistemas paranaense refletiu: será que ele não podia fazer algo para evitar que outras pessoas passassem pela mesma experiência? Foi assim que nasceu uma nova Laura: essa, baseada em inteligência artificial, fica instalada nos computadores dos hospitais e acompanha os pacientes internados. Se o robô percebe variações nos sinais vitais que sugerem um agravamento, ele emite um alarme aos enfermeiros e médicos, que tomam atitudes para contornar a crise. Desse modo, quadros potencialmente fatais são detectados muito cedo, facilitando a adoção de medidas preventivas. Já implementada em 13 instituições de quatro estados, a tecnologia 100% brasileira já flagrou 9 mil casos de deterioração clínica, como uma infecção ou uma septicemia, e reduziu a taxa de mortalidade em 25%. “Em breve, queremos oferecer aos poucos o serviço de ponta ao Sistema Único de Saúde de forma gratuita, para que toda a população possa se beneficiar”, anuncia o infectologista Hugo Morales, sócio e diretor médico da empresa responsável pelo robô Laura.

CATEGORIA INOVAÇÃO EM GENÉTICA

UM BANCO DE DADOS VOLTADO ÀS ALTERAÇÕES DE CRÂNIO E FACE – Não é apenas uma questão estética: doenças que mexem com a estrutura da face, como a fissura labiopalatina, estão relacionadas a dificuldades na respiração e na mastigação. O tratamento exige cirurgias complexas e longos períodos de reabilitação. Apesar de essas anomalias serem relativamente frequentes, o Brasil não tinha um sistema que reunisse as informações dos pacientes. Essa necessidade foi suprida a partir de 2014, quando um grupo de estudiosos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou o CranFlow. O banco, que pode ser acessado na internet por pesquisadores, congrega uma variedade impressionante de dados — dos mais básicos, como sexo e peso ao nascer, até os resultados de análises genéticas. O progresso do quadro dos quase 2 mil pacientes é registrado na base online, o que permite um acompanhamento em tempo real dos avanços e das necessidades dessa condição em nosso país. “Conseguimos mapear vários aspectos que podem contribuir para melhorias no conhecimento sobre fatores de risco e no atendimento dessas pessoas”, ressalta a geneticista Vera Lúcia Gil, coautora do projeto.

CATEGORIA INOVAÇÃO EM PREVENÇÃO

CORAÇÃO RESGUARDADO DURANTE A QUIMIOTERAPIA – “A insuficiência cardíaca é uma das maiores causas de morte entre as mulheres em tratamento de câncer de mama”, contextualiza a cardiologista Mônica Avila, do Instituto do Coração, o InCor, em São Paulo. Ela se refere aos efeitos colaterais da quimioterapia, que pode ser tóxica ao coração. Mas como garantir o tratamento contra o tumor e, ao mesmo tempo, poupar o músculo cardíaco? Eis a sacada do estudo conduzido por Mônica e colegas com 192 pacientes fazendo uso de um quimioterápico do grupo das antraciclinas — drogas amplamente empregadas no câncer de mama mas capazes de provocar danos ao coração. A ideia foi avaliar se a utilização de outro medicamento, o carvedilol (um cardioprotetor), teria efeito preventivo. O resultado foi animador. A inclusão do comprimido se mostrou bem-vinda e pode mudar a prática clínica na cardio-oncologia. Sem contar o impacto social, uma vez que a estratégia tem como alvo doenças com alto grau de mortalidade no país e é acessível — tanto o quimioterápico quanto a medicação para o coração estão disponíveis no SUS.

CATEGORIA INOVAÇÃO EM TRATAMENTO

PELE DE TILÁPIA PARA TRATAR QUEIMADURAS – Originária da África e do Oriente Médio, a tilápia (Oreochromis niloticus) conquistou o mundo nas últimas décadas: atualmente, é o peixe de água doce mais cultivado no Brasil e caiu no gosto dos mais diversos paladares. E quem poderia imaginar que um dia essa espécie seria uma aliada da medicina de ponta? Após ler num jornal que 99% da pele do pescado ia para o lixo, um médico de Pernambuco teve um estalo de gênio: por que não usar esse material como curativo de queimaduras de segundo e terceiro graus? Começava, assim, uma linha de pesquisa que hoje envolve 195 cientistas espalhados não só pelo nosso país, mas também pelas Américas e pela Europa. “Após comprovarmos a segurança e a eficácia, estamos agora realizando estudos para demonstrar o ganho que a pele de tilápia traria se implementada no Sistema Único de Saúde”, conta o médico e coordenador do projeto, Edmar Maciel, do Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza. A inovação não para aí: o bioproduto não é apenas bem- -vindo ao tratamento de queimados — também já vem sendo testado em cirurgias mais complexas, como a construção vaginal na mudança de sexo.

CATEGORIA INOVAÇÃO EM MEDICINA SOCIAL

UMA REDE CONTRA A FALSIFICAÇÃO DE REMÉDIOS – SISTEMA NACIONAL DE CONTROLE DE MEDICAMENTOS AUTORES: Vidal Augusto Zapparoli Castro Melo, Marisa Riscalla Madi, Eduardo Mario Dias, Alinne Lopomo Beteto, Aecio Meneses Alves, Leonardo Eloi Mathias, Anderson Eleuterio, Eduardo Almeida e Antonio Joaquim Meneses. INSTITUIÇÕES: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InovaHC/InRad/USP), Grupo de Pesquisa em Automação e Gestão da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Gaesi/USP) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Muito além de prejuízos financeiros, medicamentos falsificados, roubados ou fora de padrão causam danos imensuráveis à saúde dos pacientes. Para assegurar a procedência dos produtos, pesquisadores de quatro instituições se uniram para desenvolver uma ferramenta capaz de rastrear todos os remédios que circulam pelo Brasil. “Construímos um padrão de comunicação inovador no mundo”, conta o engenheiro Vidal Melo, integrante do projeto. Os testes iniciais contaram com a parceria de indústrias farmacêuticas, distribuidoras, farmácias e hospitais, com foco em acompanhar todo o processo de distribuição e venda. A partir da fabricação ou importação, as etapas são acompanhadas e comunicadas à Anvisa, que enviará alertas ao menor sinal de movimentação atípica — detectando inclusive quando o medicamento está com prazo de validade vencido e precisa ser devolvido. Previsto para entrar em operação em 2022, o sistema dará ao consumidor a certeza de que está levando para casa um produto autêntico e seguro.

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