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Episódio conoravírus expõe as limitações da informática na área da saúde

By 24 de março de 2020 TI e Inovação

TI ainda muito desalinhada em relação às necessidades das instituições de saúde no Brasil

Infelizmente esta foto sintetiza a realidade da TI aplicada nas instituições de saúde no Brasil: papel, carimbo, cópias, papel, papel, papel…

Tem muita propaganda de avanços dos sistemas na área, mas algo que está perto do “estado da arte” em relação aos outros segmentos de mercado só se verifica em 2 cenários:

·         O das poucas empresas gigantes da área da saúde. A área da saúde é formada, na média, por uma maioria absoluta de pequenas empresas com estruturas organizacionais precárias;

·         Na área assistencial, especificamente na área de diagnósticos.

As 3 principais razões que levam a este cenário são bem conhecidas:

·         A implantação dos sistemas é muito mal planejada no Brasil – mal feita, não completamente realizada, os recursos dos sistemas não são aproveitados na maioria absoluta das empresas, utiliza-se praticamente nada do potencial dos sistemas informatizados existentes;

·         O mercado de TI está “coalhado” de startups que desenvolvem sistemas e aplicativos para coisas desnecessárias, para resolver problemas que na verdade não existem na prática;

·         A quase totalidade dos investidores não conhece a cadeia de valores do segmento, eles investem dinheiro em projetos que não se sustentam financeiramente. É comum ver uma iniciativa de desenvolvimento surgir em um tipo de instituição para algo que serve exclusivamente para ela, e não existem situações semelhantes em outras para que o projeto tenha algum significado.

Já perdi a conta das pessoas que me procuraram para fazer parte de um projeto de desenvolvimento de algo que não fazia o menor sentido – muito desagradável:

·         Dizendo que o projeto não daria certo, perdi o amigo, ninguém gosta de ouvir isso;

·         Pensar em dizer que era algo bom para “aproveitar a oportunidade” nunca fez parte do meu “cardápio”, por isso, diga-se de passagem, não enriqueci!

Quando uma pessoa tem uma ideia que acha que é “o último copo de água no deserto”, não se prontifica a escutar qualquer outra coisa. As vezes o que ele está pensando até pode sofrer algum ajuste para que se sustente, mas geralmente os ajustes são maiores que o projeto original, e então…

É muito complicado tentar explicar para investidores que aquilo que o segmento da saúde necessita em relação aos negócios e controles é diferente do que pensa quem não é do segmento. Uma vez passei meses tentando convencer um do sistema hoteleiro o quanto  hospital é diferente de hotel, não consegui, e ele investiu um bom dinheiro em uma coisa que não vingou – o único lado bom deste episódio é que, neste caso, não perdi o amigo.

Esta foto (real, colhida em um projeto de consultoria, evidentemente sem identificar o cliente) ilustra o que realmente acontece na maioria absoluta nas instituições de saúde no Brasil:

·         Existe um sistema de atendimento, que mal se integra (quando se integra) com os sistemas de diagnósticos;

·         Existe um sistema de prontuário eletrônico utilizado só para imprimir “prescrições bonitinhas”, que continuam sendo carimbadas e assinadas para suportar todos os processos que dependem delas, mas mal se integra com os sistemas de atendimento e diagnósticos;

·         E outro sistema (ou outros sistemas) para suportar as necessidades das áreas de retaguarda administrativa, que geralmente necessita de controles paralelos porque não está totalmente integrado com os demais, ou porque as funcionalidades dos demais não estão adequadamente implantadas.

Existem todas as tecnologias, estão acessíveis financeiramente, mas não são adequadamente utilizadas, como ilustra a figura,  sistema vai produzindo milhões de etiquetas com códigos de barras, mas ainda existem tubos de coleta identificando pacientes “com esparadrapo”!

O estado da arte da TI na saúde é muito diferente do que poderia ser, e do que a indústria de TI afirma ser.

Nos últimos anos muito se falou sobre a “uberização da saúde”: as pessoas passarem a consumir produtos de saúde como consomem transporte, alimentação.

·         Tudo que existe são aplicativos que na prática servem para consultar algumas informações – as pessoas instalam em seus dispositivos e logo esquecem que existem;

·         Saúde se diferencia dos demais segmentos de mercado principalmente porque tem milhares de produtos: enquanto uma montadora de veículos tem algo em torno de 100 produtos diferentes, um mero hospital tem 15 – 20 mil. Não é por falta de tipo de produto que não se possa pensar em “uberização”, mas como as pessoas não conhecem sempre pensam na ferramenta de interação, e nunca nos produtos que podem ser ofertados, ou pior, misturam produtos que não têm nada a ver sem definição do público alvo: não sabem se estão desenvolvendo para o paciente, para o beneficiário, para o médico, para o fornecedor, tem algumas dezenas de atores no segmento e sem foco acaba não interessando para nenhum deles.

Telemedicina já virou motivo de piada há muito tempo:

·         Primeiro porque o que se tem é meramente captura de dados para atendimentos e divulgação de resultados de exames ou dados estatísticos;

·         E também porque enquanto todos os segmentos de mercado fugiram das certificações digitais caras e de eficácia totalmente duvidável para expandir a utilização dos sistemas, na área da saúde ainda reinam os cartórios digitais por conta das resoluções dos conselhos. O médico até interage um pouco com o paciente pelo WhatsApp pessoal, mas não pode dizer que faz isso para não perder o registro;

·         Na área bancária não necessitamos de certificação digital, para entregar nossa declaração do imposto de renda não necessitamos de certificação digital, mas na saúde…

·         O mundo é um grande “big brother” mas conselhos, associações e “especialistas em TI da saúde” ainda pensam que “catracas digitais” garantem sigilo de alguma coisa. É comum você estar em um serviço de saúde e escutar: “sabe quem está internado aqui ?” mesmo que você nem conheça dão conta de tudo que acontece com o paciente, e aquilo “viraliza” nas redes sociais imediatamente – nenhuma “catraca digital” elimina o problema da segurança, mal minimiza, ética não se controla com leis e bloqueios;

·         E assim a saúde permanece sendo um dos mais atrasados no uso da TI pela área assistencial – quem pensa o contrário pode pensar o que a telemedicina poderia estar ajudando neste momento de surto do COVID-19, e as “minguadas” coisas que estão sendo ditas que estão sendo feitas (que no nosso íntimo sabemos que o discurso é um muito diferente da prática).

Sobre Internet das coisas:

·         Estamos em 2020 e não se faz nem mesmo M.A.P.A., ECG e CG pelo celular;

·         Claro que isso não é problema exclusivo da saúde no Brasile é claro que se os sistemas de financiamento não definirem uma forma adequada de pagar por este tipo de serviço, nada vai mudar;

·         Mas o fato é que a saúde está muito atrasada nisso, coisas absurdas como alguém ficar fazendo ronda e anotando indicadores de equipamentos em planilhas ainda é a coisa mais comum de se ver em hospitais, por exemplo, inacreditável.

Computação Cognitiva e/ou Learning Machine:

·         Não é realidade nem mesmo na área assistencial;

·         A foto que ilustra uma cirurgia com utilização de robô dado como exemplo em diversas situações. NÃO é exemplo: não existe aí nenhuma decisão sendo tomada pela máquina – e nem a máquina fornecendo algum parâmetro que vai influir na conduta do médico;

·         A máquina simplesmente faz o que o médico quer, com mais precisão de movimento, é claro!