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Entenda o modelo de adoção do prontuário eletrônico da HIMSS

By 22 de setembro de 2014 TI e Inovação

A Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) é uma associação internacional com o objetivo principal de estimular o uso da Tecnologia da Informação (TI) pelo setor da Saúde. Foi fundada na década de 1960 em Chicago e hoje possui atividades em todo o mundo, inclusive recentemente no Brasil. Dentre as atividades da HIMSS, destacam-se o congresso anual realizado nos Estados Unidos (HIMSS Conference), o programa de desenvolvimento e certificação profissional para TI na Saúde (CPHIMS) e o Electronic Medical Record Adoption Model (EMRAM), este parte das atividades do HIMSS Analytics. Mais detalhes em www.himss.org, www.himssanalytics.com e www.himss.eu.

O EMRAM pode ser traduzido como Modelo de Adoção do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP). A sua primeira versão foi desenvolvida em 2005 e desde então tem servido como referência para os hospitais em todo o mundo. Funciona como uma acreditação hospitalar, já que define requisitos mínimos que um hospital deve atender, sendo esses relacionados à adoção de tecnologias do prontuário eletrônico.

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Atualmente, há três versões do EMRAM: uma versão americana e uma versão europeia, ambas para Hospitais, e uma terceira versão para ambulatórios e consultórios. Nas linhas a seguir, os requisitos de cada estágio da versão europeia para hospitais serão apresentados de forma resumida.

Estágios do EMRAM
O modelo preconiza a adoção progressiva de algumas tecnologias que suportam o processo assistencial, definindo 8 estágios evolutivos, do 0 ao 7, e com requisitos específicos que os hospitais devem atender para conquistar a classificação de cada estágio.

Basicamente, um hospital estágio 0 não possui nenhum tipo de sistema ou tecnologia que dê apoio à assistência ao paciente, enquanto uma instituição estágio 7 é um hospital digital, com intenso e amplo uso de tecnologias que dão suporte à assistência clínica e ao cuidado do paciente. Abaixo um resumo sobre quais tecnologias são exigidas em estágio na versão europeia do EMRAM para hospitais:

Estágio 0 – Os três sistemas clínico-departamentais (LIS – laboratório, RIS – radiologia e PHIS – farmácia) não instalados e sem nenhuma disponibilização on-line de informações.

Estágio 1 – Sistemas para Laboratório, Radiologia e Farmácia instalados ou resultados de exames disponibilizados on-line a partir de prestadores de serviços externos.

Estágio 2 – Repositório de dados clínicos (CDR) instalado e centralizado. Pode ter um Vocabulário Médico Controlado (CMV), um sistema de apoio a decisão clínica para checagem básica de interações e capacidade de intercâmbio de informação clínica-assistencial.

Estágio 3 – Documentação de enfermagem no PEP. Sistema de apoio à decisão clínica (CDSS) para verificação de erros durante a prescrição e solicitação de exames. PACS disponível fora da Radiologia.

Estágio 4  – Sistema de prescrição e solicitação de exames e procedimentos (CPOE) instalado em pelo menos uma área assistencial. Sistema de apoio à decisão clínica baseado em protocolos clínicos.

Estágio 5 – PACS completo com eliminação de filme de todas as imagens médicas (filmless).

Estágio 6 – Circuito fechado da administração de medicamentos. Interação da documentação médica com sistemas de apoio à decisão clínica (modelos estruturados e alertas de variância e conformidade).

Estágio 7 – PEP completo em pleno uso por todos os setores do hospital. Integração para compartilhar informações clínicas. Data Warehousing alimentando relatórios com resultados clínico-assistenciais, qualidade e Business Intelligence (BI). Dados clínicos disponíveis entre todos os setores: emergência, internação, UTI, ambulatório e centro cirúrgico.

A diferença básica entre o modelo europeu e o americano é uma inversão entre os requisitos dos estágios 5 e 6. No modelo americano, o PACS é exigido no estágio 6, enquanto no modelo europeu é exigido no estágio 5. Já o circuito fechado da administração de medicamentos é requisito do estágio 5 no modelo americano, e do estágio 6 no modelo europeu. No Brasil, o modelo adotado foi o europeu.

Uma descrição completa e comentada em português do EMRAM pode ser visualizada neste documento.

Processo de avaliação e validação dos estágios
Para a definição inicial de qual estágio se encontra o Hospital, deve se responder a um questionário disponibilizado pela HIMSS, que coleta informação sobre a utilização ou não das tecnologias preconizadas em cada estágio. Com a resposta a este questionário, através de um algoritmo em sua base de dados, a HIMSS indica qual é o estágio que o hospital está, de acordo com o nível de adoção atual.

Se o hospital for pré-classificado como estágio 6 ou 7, há então um processo específico de validação para confirmar que o hospital realmente está utilizando todas as tecnologias exigidas nos estágios. A primeira etapa da validação é a resposta a um questionário subjetivo com cerca de 60 questões, que exploram a adoção do prontuário eletrônico, seu nível de utilização, suas tecnologias e demais aspectos que esclarecem aos auditores da HIMSS qual é o perfil do hospital. Esse questionário é então analisado pela equipe do HIMSS Analytics que retorna com comentários e dúvidas adicionais.

A etapa seguinte é o validation call no qual, através de uma web conferência, o hospital deve realizar uma apresentação para os auditores da HIMSS, de forma que estes tenham ainda maior convicção que o hospital está realmente no estágio 6 ou 7. Se assim confirmado, é então agendado o validation on site. Nesta etapa, o hospital é visitado por auditores da HIMSS que percorrem todo o hospital, entrevistando médicos, enfermeiros e gestores para evidenciar na prática que o hospital está realmente utilizando todos os recursos esperados para o estágio 6 ou 7.

Após todo esse processo e estando o hospital em conformidade com o EMRAM, a HIMSS então certifica o hospital como sendo estágio 6 ou 7, apresentando um relatório estruturado com todas as conformidades e não conformidades encontradas na visita. Finalmente, há uma cerimônia de premiação do hospital durante algum evento oficial da HIMSS.

O EMRAM no Mundo
Até Setembro de 2014, a HIMSS já havia avaliado quase 8.000 hospitais em todo o mundo. Somente na Europa, mais de 1.300 instituições já sabem qual seu estágio, com 2 hospitais estágio 7 e 46 instituições validadas como estágio 6. Nos Estados Unidos, cerca de 3% dos hospitais já atingiram o estágio 7; e o que se percebe é que os hospitais americanos estão intensa e avidamente buscando a certificação da HIMSS, fenômeno similar ao que ocorre hoje no Brasil com relação às acreditações hospitalares (ONA, JCI, etc.).

Entretanto, aqui no Brasil, o processo é muito recente e, até Setembro de 2014, apenas 9 instituições foram classificadas segundo o EMRAM, com dois hospitais reconhecidos oficialmente como estágio 6; são eles o Hospital Sírio Libanês em São Paulo e o Hospital da Unimed Recife, recentemente premiados durante evento da HIMSS em São Paulo. Não há, até então, nenhum hospital estágio 7 no Brasil.

Motivadores para o EMRAM
Por que utilizar o EMRAM? Como o EMRAM é um modelo de adoção de prontuário eletrônico do paciente, a pergunta correta é: por que adotar o Prontuário Eletrônico e suas tecnologias? A boa notícia é que, através do benchmarking entre os hospitais que foram avaliados pela HIMSS e a correlação entre indicadores hospitalares com os estágios do EMRAM, pode-se afirmar que os hospitais estágio 7 possuem comprovadamente uma qualidade assistencial diferenciada, uma maior segurança para o paciente, uma melhor eficiência operacional e, finalmente, uma rentabilidade muito superior aos hospitais que ainda estão nos estágios mais inferiores. Maiores informações sobre isso podem ser encontrados nos sites da HIMSS e HIMSS Analytics. Além disso, o projeto STEPS da HIMSS possui uma coletânea on-line de mais de 1.000 artigos sobre o impacto positivo da adoção da TI na Saúde.

Claudio Giulliano Alves da Costa, MD, MSc, CPHIMSS, é consultor da Folks e-Saúde
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