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Consumerização de TI na saúde

Por 10 de janeiro de 2019 TI e Inovação

Durante uma passagem pelo Vale do Silício, visitamos a Samsung Design Innovation Center e fomos recebidos por David Rhew, Chief Medical Officer, e seu time. A conversa foi pautada na provocação de como a empresa está se envolvendo na saúde, tanto em termos clínicos quanto na melhora de entrega de experiências, além da sua clara responsabilidade de, baseada no seu histórico de inovação, impulsionar o setor e aumentar a qualidade na entrega de serviço.

Desde 1994, com o Samsung Medical Center, na Coréia do Sul, a empresa tem desenvolvido e testado inúmeras tecnologias para a saúde. O centro é uma das instalações mais avançadas do mundo. Pacientes marcam consultas digitalmente, e recebem um token assim que chegam ao local com o seu nome e tempo de espera, além da tela que informa a lista de espera dividida por médico. Este, equipado com tablets, realiza todo o atendimento de forma eletrônica: pedidos, consultas, e utilização de telemedicina quando remoto.

A tecnologia na saúde é algo que a empresa trabalha há muito tempo, dentro e fora dos hospitais. Dr. Rhew conta que eles dividiram o escopo em três pilares com níveis de esforços diferentes: situações hospitalares, saúde conectada e cuidado doméstico. “Nossa meta, em todas as tecnologias propostas, é transformar a experiência do usuário e melhorar os resultados de saúde”, disse ele.

Clínicas e hospitais em todo o mundo estão tentando repensar como poderia ser a experiência do usuário, e um dos principais desafios encontrados é o da comunicação. Pacientes internados muitas vezes não sabem o que está acontecendo, o momento de realizar exames, quais exames estão sendo programados, o momento de receber alta, quem é o seu médico ou equipe de cuidado, o usuário fica no escuro. Isso dificulta o envolvimento no tratamento, já que a situação coloca o paciente em posição passiva. Temos uma oportunidade de coordenar todos os esforços, paciente e instituição, educar os usuários e utilizar ferramentas digitais para promover a interação. Hoje o paciente torna-se um membro ativo da equipe de excelência do provedor.

No fluxo de trabalho, a equipe técnica possui diversos dispositivos para sua comunicação interna: mensagens, emails, ligações, e até fax e pagers. Há outros tantos para auxílio de suas funções assistenciais: equipamentos para varredura de código de barras, visualização de exames, scanners, para citar. Não é uma situação que pode evoluir de forma saudável por muito tempo. Rhew diz que a empresa está trabalhando em dispositivos universais em smartphones, eficientes e seguros, que integre as atividades divididas em silos. “Hoje estamos tentando consolidar e testar o melhor formato. É algo que exige extrema coordenação com os fornecedores dessas soluções”

Uma solução muito interessante é o DEX (Desktop Experience). Em geral, as pessoas carregam com si celulares, tablets e notebooks. A lista aumenta de acordo com a profissão. Cada tela tem atrativos que levam os usuários a escolher certas visualizações/interações em seus dispositivos. O custo benefício tratado aqui é a mobilidade, usabilidade e conforto de leitura. O celular é um forte candidato a preferência, mas confiar exclusivamente nele para até trabalhar em grandes planilhas ou PowerPoint é complicado. Imagine então confiar na pequena tela para dados sensíveis de escolha na dosagem quimioterápica? O último desejo da equipe de saúde é cometer erros, mas há grande anseio por conveniência.

O DEX permite que o usuário transforme qualquer tela/TV em um notebook com o auxílio do dispositivo e o porte de um smartphone da marca. Todo o conteúdo é visualizado no molde Windows, com ampla funcionalidade de aplicativos, dando a experiência de um verdadeiro desktop com a mobilidade necessária para equipes.

Na ideia de trazer novas utilidades para tecnologias existentes, a Samsung aposta no uso da realidade virtual como uma das alternativas para a solução da crise de opióides, especialmente nos Estados Unidos. O equipamento já, há algum tempo, vem sendo utilizado em tratamentos clínicos como estresse pós traumáticos, lesões na medula, e manejo da dor. O aumento da prescrição de narcóticos no país pelos médicos e superdosagem pelos pacientes, está gerando um ciclo no qual usuários estão viciados, performam mal nas esferas pessoal, social e profissional, e recorrem a mais opióides como solução. A realidade virtual está sendo potencialmente tratada como uma estratégia não narcótica de primeira linha para adereçar o problema, já que comprovadamente ocorrem alterações neuroquímicas no cérebro com o uso do dispositivo.

Para aplicações direto ao consumidor, Rhew citou o Samsung Health, aplicativo gratuito desenvolvido pela empresa para rastrear vários aspectos da vida cotidiana, contribuindo para o bem-estar, como atividade física, dieta e sono. Esses dados podem servir para incentivo pessoal ou para intercâmbio com o médico. “Estudos mostram que terapias digitais, por exemplo, quando um paciente recebe um kit de tratamento virtual, podem reduzir as taxas de readmissões hospitalares, além de custos. É um mecanismo muito mais agilizado, pois a equipe médica consegue prever crises através dos dados e evitar que estes se tornem casos agudos.”, disse o CMO, e continua, “Nos Estados Unidos, todos os hospitais precisam garantir que as taxas de reinternação em 30 dias estejam abaixo um certo nível, se não o fizerem são penalizadas com redução no reembolso dos pagadores. Agora, eles estão se preocupando com 90 dias, e com ferramentas digitais que os auxiliem na mudança de modelos de pagamento e apoiem métricas de qualidade”

Um exemplo interessante é o teste randomizado que a empresa realizou em parceria com a WellDoc. O estudo comparou o nível basal dos participantes controle com a performance de um grupo supervisionado por um digital coach. “Eles constataram uma redução de 1,9% na hemoglobina glicada em relação ao grupo de controle, e ainda, medicamentos como Metformina ou Glipizida tem uma redução de somente 1% da proteína. O Coaching digital tem quase o dobro de eficácia de um medicamento tradicional, é uma ferramenta muito poderosa!” explicou Rhew

Ainda sobre saúde conectada, o executivo comentou sobre wearables: “O desafio é que ainda não havíamos encontrado o fit da funcionalidade com o benefício”. Ele cita o programa da UnitedHealth Group, maior pagador de saúde dos EUA, baseado na contagem de passos. No FIT (Frequência, Intensidade, Tenacidade), o usuário deve chegar a um certo montante de passos durante um período com uma intensidade pré determinada, sendo tenaz a isso. O programa liga os resultados a benefícios como franquias mais baixas, ou taxas de reembolsos mais baixas.

No monitoramento remoto, Rhew lembra que homecare, senior care, rastreamento e monitoramento a distância estão em ascensão, especialmente com o envelhecimento populacional e as situações decorrentes da idade, como demência, quedas e falta de independência.

Outro ponto em experiência de usuário que a empresa está trabalhando é a inclusão social em casos como incontinência urinária ou diabetes tipo 1 em crianças. “Você pode colocar o medidor de insulina no meu celular? Assim ninguém vai me perguntar o que é. É um pedido muito comum que recebo”, revela Rhew. Dispositivos que foram desenvolvidos para resolver um problema, acabaram, sem intenção, se tornando empecilhos de inclusão social, atrapalhando até mesmo tratamentos por subutilização.

A Samsung então, desenvolveu um aplicativo para celulares pessoais. “Não é algo que aconteceu do dia para a noite”, ele conta, “a última coisa que você quer, é ter alguém que possa hackear e controlar o seu nível de insulina ou o seu intestino. Existe um nível de segurança muito alto.” A empresa examinou hardware e software, além de proteger a aplicação com Knox, isso é o que a diferencia frente ao FDA para a sua aprovação. Isso é particularmente relevante no espaço do governo e financeiro, e agora, no setor de saúde

Para finalizar, ele explica que toda essa expertise é uma grande oportunidade para serem mais pró-ativos. “O processo de revisão de aplicativos para saúde leva em torno de 6 meses, às vezes mais. Sabemos que as aplicações que desenvolvemos são importantes.” A pré-certificação pode substituir a necessidade de submissão pré-mercado, e em alguns casos, diminuir o conteúdo das submissões ou até agilizar as revisões para aplicações mercadológicas de softwares. A Samsung faz parte do piloto criado tanto para empresas que já se enquadravam às resoluções. “Vamos colocar isso em uma trilha acelerada. Esse processo de pré-certificação que estamos passando se tornou uma otimização muito importante para trazermos novas ferramentas digitais no mercado”

Fernanda Fortuna

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