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Como o Google vai engajar 10 mil “pacientes”?

By 26 de abril de 2017 Colunas, TI e Inovação

Na última semana o mundo digital se alvoroçou com a notícia de uma nova iniciativa do Google.

É que o gigante do Vale do Silício revelou que durante os próximos anos irá engajar dez mil americanos num estudo inédito sobre saúde.

Não é um desafio pequeno. Muitos estudos clínicos menores que esse costumam dar com os burros na água – quer seja por falta de candidatos para participar do projeto ou devido à alta taxa de abandono que costuma acontecer no meio do caminho.

Para dar cabo dessa missão o Google (na verdade a Verily, braço de saúde do grupo e que antigamente se chamava Google Life Sciences) anunciou que irá contar com ajuda das equipes médicas das Universidades de Standfort e Duke. E também com um bocado de tecnologia. Toda a empreitada irá custar cerca de 100 milhões de dólares.

Mas afinal: para que o Google irá realizar um esforço tão grande num projeto cujo resultado não vai aumentar nosso engajamento em nenhum de seus tradicionais aplicativos – como o Waze, Youtube ou Gmail?

É que nesse caso ele pretende entender melhor nosso comportamento, não dentro, mas fora da internet, e com isso impulsionar – quem sabe – algumas descobertas nos campos da medicina e ciências da vida.

Para isso ele pretende colecionar dados de toda essa multidão de pessoas, durante 24 horas por dia, 365 dias por ano, por nada menos que 4 anos. É dado que não acaba mais. Mas enfim, essa é a especialidade do Google, certo?
Para nós esse projeto irá servir adicionalmente como um rico benchmark de ações que podem e deverão ser repetidas por outras indústrias daqui adiante.

Em primeiro lugar, os participantes receberão de graça um relógio de pulso que irá monitorar dados como frequência cardíaca e atividade física diária e um sensor que irá acompanhar especificamente seus dados relativos ao sono. Junto com isso receberão um pequeno hub que irá transmitir as informações para o data center do Google.

Os participantes também deverão preencher a cada 3 meses um formulário online de cerca de 30 minutos que irá fazer perguntas sobre temas como alimentação, exercícios e bem-estar e também serão convidados a responder pequenas enquetes diárias sobre assuntos específicos, como seu estado de humor (se alguém quiser reportar informações adicionais, como medicamentos que está utilizando, também poderá fazê-lo).

Fora isso, a cada 4 meses será necessária uma visita (entre 1 e 2 horas cada) a um centro de pesquisa para uma consulta e uma vez por ano será necessário que sejam realizadas baterias de testes que devem durar entre 1 e 2 dias inteiros.

Trata-se de um modelo híbrido, como se vê. As intervenções presenciais não deixarão de existir, mas a utilização de recursos digitais será onipresente durante todo o projeto.

A fim de manter o engajamento dos participantes ativo durante todo esse processo, o Google irá oferecer a eles algumas vantagens como:
– Resultados de exames e dados;
– Atualização constante sobre o andamento do estudo e sobre quais insights estão sendo gerados a partir dos dados compartilhados;
– Acesso a uma comunidade online formada pelos participantes do projeto, bem como a eventos voltados para esse público;
– Compensação financeira pelo tempo dedicado nas visitas presenciais e benefícios adicionais pelo nível de engajamento.

Não se trata de uma fórmula totalmente nova.

O uso de recursos como comunidades online gamificadas, mobile apps e vestíveis já são amplamente utilizadas em outros cases de engajamento. Mas o interessante é que nesse caso, devido ao tamanho e ambição do projeto, poderemos ter uma amostra bastante representativa das taxas de sucesso que cada tecnologia obtém junto a cada um dos sub-grupos estudados.

Não deixa de ser curioso, mas em cases como esse o setor de saúde talvez aprenda a engajar pacientes com empresas que não são nativas do ramo, como é o caso do Google.

Vamos acompanhar de perto.

Istvan Camargo é especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país, tendo realizado projetos para ABQV, Virada da Saúde SP, EPM e USP. Atualmente realiza projetos de engajamento para diversas empresas do segmento de saúde, atuando em variadas patologias e classes terapêuticas.

Istvan Camargo

About Istvan Camargo

Atualmente conectado ao universo da Medicina Diagnóstica, tendo ingressado no Grupo Sabin em 2018, Istvan Camargo vem inovando na Saúde há mais de 10 anos. Já desenvolveu serviços e estratégias de impacto para Operadoras de Saúde, Farma e Clínicas Populares. Foi pioneiro na criação de redes sociais de saúde, tendo criado cases de sucesso para grandes centros de pesquisa científica e grupos de apoio a pacientes crônicos. Realizou +30 palestras sobre temas ligados à Saúde Digital em conferências como Social Media Week, Campus Party e Health 2.0 LATAM.

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