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As reais aplicações da Inteligência artificial na saúde

By 7 de fevereiro de 2019 TI e Inovação

A inteligência artificial na saúde já demonstra seus efeitos e permite projetar no futuro ganhos ainda mais significativos para a economia, os pacientes, os médicos e os empreendimentos do setor. Portanto, tem relevância significativa e abrangente.

Segundo dizem alguns cientistas, o primeiro ser humano que viverá 150 anos já nasceu. No entanto, essa possibilidade não é cogitada exclusivamente em razão da capacidade de curar enfermidades, mas muito mais na de prever, evitar e corrigir.

Precisamos dizer que a Inteligência Artificial (IA) terá papel determinante nessa evolução? Mas então que tal refletir sobre como ela fará isso?

Quais os recursos de Inteligência Artificial que já são aplicados na saúde?

A maioria dos pacientes provavelmente se sentiria desconfortável com a sugestão de uma cirurgia feita por robôs — ainda que possa nos parecer fascinante a ideia de um diagnóstico e de tratamentos como os da série Legends of Tomorrow.

Enquanto a Transformação Digital não nos presenteia com uma nave comandada pela IA, capaz de viajar no tempo para buscar tecnologias que possam resolver qualquer enfermidade, como na ficção, vejamos o que a tecnologia atual pode proporcionar:

Nas cirurgias

Já que mencionamos as cirurgias assistidas por IA, vamos começar por elas. Na prática, o que a tecnologia faz nesse caso é proporcionar aos cirurgiões maior precisão e a redução dos períodos de internações.

As chamadas “cirurgias minimamente invasivas” permitem um procedimento menos traumático e de recuperação mais fácil e rápida, uma vez que é suficiente uma pequena incisão. Ou seja, no lugar de precisar se recuperar de um corte extenso e profundo, a recuperação fica mais restrita à intervenção no órgão que precisava ser curado.

Nesses casos, por meio da IA os robôs podem usar dados de cirurgias anteriores para informar ao médico novas técnicas cirúrgicas. Um estudo com 379 pacientes verificou 5 vezes menos complicações em razão do uso de robôs com IA incorporada por parte dos cirurgiões.

A aplicação é vasta e inclui cirurgias oculares e cardíacas, por exemplo. Além do evidente benefício ao paciente, médicos e clínicas diminuem custos, além de melhorar a margem de êxitos nesses procedimentos.

Na enfermagem

Os enfermeiros virtuais podem monitorar pacientes e responder rapidamente sem intervalos de descanso. Com o uso combinado com IoT, a Inteligência Artificial ainda é capaz de monitorar pacientes e diminuir a carga de trabalho das equipes de enfermagem, que precisam medir a pressão, verificar o fluxo de soro, a oxigenação e outros dados de pacientes internados, por exemplo.

Ao mesmo tempo, esses recursos diminuem a necessidade de reinternações e mesmo de retornos desnecessários aos médicos. Obviamente, existem limitações nesse tipo de uso. Mas em casos de baixo risco e nos quais são necessárias orientações mais corriqueiras, os benefícios são inegáveis.

Os assistentes podem colocar o paciente em contato virtual com o médico se for necessário, fazer análises prévias e garantir que as medicações estão sendo ingeridas na hora certa.

No diagnóstico

Esse é um campo que ainda pode evoluir muito, mas que já apresenta resultados dignos de nota. Para se ter uma ideia, uma empresa dinamarquesa de software de IA testou com sucesso um algoritmo capaz de analisar o tom de voz, os ruídos de fundo e detectar paradas cardíacas com 93% de assertividade — contra 73% de acerto dos diagnósticos feitos por humanos.

Outro exemplo: estudos indicam que de 50% a 63% das mulheres americanas que fazem mamografias regulares receberão ao menos um diagnóstico falso de câncer ao longo de 10 anos. Essa margem de erro obriga testes adicionais e procedimentos desnecessários. Além disso, em cerca de 30% dos casos ocorre discordância de diagnóstico em mamografias entre radiologistas.

Sistemas de IA com reconhecimento de padrões visuais podem armazenar e comparar dezenas de milhares de imagens usando as mesmas técnicas dos seres humanos, com uma precisão estimada 5% a 10% superior à média dos médicos.

Nos processos administrativos

A IA dá suporte a tarefas administrativas ao extrair grandes volumes de dados. Ela ajuda os médicos a oferecer um atendimento mais personalizado através de informações detalhadas. Já existem sistemas que utilizam a solução de IA da IBM, o Watson, para analisar milhares de artigos de medicina e informar os médicos sobre planos de tratamento.

As empresas de planos de saúde também já usam da tecnologia na autorização de exames. No lugar de uma grande e cara equipe de médicos analisando cada documento, de cada processo, grande parte do trabalho pode ser feito pela IA e os médicos interferem com a palavra final.

O que o futuro reserva para o uso da inteligência artificial na saúde?

A primeira ministra britânica, Theresa May, anunciou que o uso da IA ajudaria o sistema de saúde do Reino Unido a prever o câncer no seu estágio inicial. A previsão é de que milhares de mortes possam ser evitadas já em 2033. Para conseguir esse resultado, os algoritmos examinarão registros médicos, hábitos dos pacientes e suas informações genéticas.

Com o tempo e a evolução de sistemas de aprendizagem profunda, os pacientes poderão usar várias ferramentas de inteligência artificial para cuidar de si mesmos. A grande implicação dessa mudança está na adoção de uma medicina de caráter mais preventivo, ou seja, no lugar de tratar de doenças, passaremos a cuidar mais da saúde.

Nesse caso, não estamos nos referindo apenas a tecnologias extremamente avançadas. Aplicativos e pulseiras fitness já monitoram as atividades físicas e geram dados em volume sobre o desempenho e as reações orgânicas de cada usuário. No entanto, imagine o que a evolução da IA pode proporcionar em termos de previsões e comparações com esse tipo de dados.

Em resumo, podemos dizer que a inteligência artificial na saúde vai revolucionar a forma como cuidamos de nós mesmos — mais cedo do que a maioria dos médicos espera e mais tarde do que alguns empresários do setor gostariam. O modo de tratamento como nos acostumamos tende a dar lugar a um tipo de medicina prognóstica que prolongará a vida com qualidade, em razão de evitar danos mais do que tratá-los.

Tiago Magnus
Fundador do Transformação Digital
Tiago Magnus atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, entre outras, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil. Hoje, é Diretor de Transformação Digital na ADVB e Fundador do TransformacaoDigital.com.
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