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SUS cobra ressarcimento das Operadoras, e elas não estão preparadas !

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Com a queda do recurso no STF reiterando a obrigação das operadoras em ressarcir o SUS pelo atendimento que um beneficiário tem ao utilizar um serviço público de saúde, agora é que vai cair a ficha das operadoras: elas não sabem o que devem pagar.

Estamos cantando a bola há anos: os sistemas de financiamento (SUS e Saúde Suplementar) estão cada vez mais integrados – não dá para atuar em um sem saber como o outro funciona !

Meus alunos de cursos e oficinas não me deixam mentir sozinho:

  • Quando tratamos de custos, os exercícios simulam o custo de um mesmo procedimento em um hospital que atende SUS e Saúde Suplementar, e o custo é muito diferente
  • Quando tratamos de faturamento, tratamos de todas as tabelas de preços da saúde suplementar (CBHPM, Brasindice, Simpro), mas também tratamos de SIGTAP (SUS).

Neste cenário de ressarcir o SUS, aposto meu último dólar furado como as operadoras não tem condições técnicas de auditar aquilo que o SUS cobra delas. Veja que interessante: no ambiente da saúde suplementar em que as regras são mais complexas as operadoras nadam de braçada, mas em relação às contas do SUS não entendem nada !!!

O mais engraçado nesta história é que os hospitais públicos, geralmente, faturam muito mal porque as equipes de faturamento não são adequadamente treinadas – tanto que um dos cursos e oficinas trata somente de faturamento SUS devido à demanda – então, o valor das contas apresentadas pelo SUS às Operadoras é revestido de forte emoção: podem ser contas com valor irrisório, causando grande perda para o SUS, como podem ser contas abusadamente altas, e a Operadora não audita.

O que sempre discutimos em sala é que existem 3 coisas que o profissional de saúde necessita dominar para não ficar fora do mercado:

  • Passou a época em que você escolhia trabalhar na área de negócios do SUS ou da Saúde Suplementar – os sistemas estão interligados e é necessário entender como funcionam para saber se posicionar e definir suas ações estratégicas e de gestão. Se isolar em um lado do Rio Jordão sem saber o que acontece na outra margem é morte profissional com hora marcada;
  • Enquanto pessoas discutem se é justo isso ou aquilo, a vida continua. Enquanto alguém discute se é justo o SUS cobrar as operadoras, ele continua cobrando: o mundo real exige que se tenha capacitação para lidar com isso, e não esperar que alguma lei derrube isso, reclamando no varejo e perdendo dinheiro no atacado;
  • As operadoras, que sempre trabalharam muito bem o direcionamento na rede para reduzir custos, têm que aprender a utilizar esta, agora real, definição do mercado e ao invés de brigar para mudar o cenário, assumir que ele existe e trabalhar para transformar esta situação em uma oportunidade de mercado, seja auditando de forma adequada as contas, seja buscando uma forma de inserir a rede pública na sua rede credenciada (quando falamos isso nas aulas e oficinas de gestão comercial o assunto rende … e rende!!!).

Uma das coisas que aprendi muito cedo: onde tem gente chorando, tem gente vendendo lenço. A cada movimentação do governo, seja feliz ou infeliz, sempre surgem problemas, riscos e oportunidades – ou ficamos reclamando dos problemas, ou vamos aproveitar a oportunidade. Esta é a verdadeira métrica da estratégia … da gestão. No Brasil, infelizmente, foi criada uma cultura de só reclamar, só reclamar do governo – com isso, na gestão, não precisamos fazer força alguma para arrebanhar um exército de gente para criticar o que está errado. O gestor enquadrado no esquadrão que aponta sistematicamente o que está errado tem carreira curta: desponta rapidamente, e desaparece mais rapidamente ainda. O gestor que avalia o cenário e propõe alternativa para transformar o limão em limonada é o que tem carreira longa, e está cada vez mais difícil de encontrar !

Não vale a pena ficar discutindo eternamente se o SUS tem razão ou não de passar o chapéu e pedir seus trocados pelo atendimento que tem a maioria acha que tem obrigação de dar a população – isso é discussão política – interessa aos políticos, que resolvem as questões com logica política.

No nosso mundo da gestão o que vale é aproveitar a oportunidade … então:

  • Você, hospital público, está passando ao SUS o valor exato do valor que ele está querendo ressarcir ? … tem certeza ?
  • Você, operadora, está pagando valor justo pelo que o SUS está querendo ser ressarcido ? … tem certeza ? … já avaliou se existe alguma maneira de transformar alguns equipamentos públicos em alternativa de rede credenciada ? … tem certeza que avaliou adequadamente ?
       
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