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A arquitetura do edifício que cura

Por 27 de janeiro de 2009 Sem categoria

Você entra num edifício através de um amplo lobby onde uma luz natural vinda de um lindo céu azul o atinge transpassando folhas de palmeiras. Ao seu lado apresentam-se todas as facilidades que você deseja: um profissional de relações públicas faz a acolhida, a loja de conveniências, a cafeteria, uma confortável área de estar ao lado de um jardim circundando um espelho d´água.

Deve estar chegando num aprazível hotel ou mesmo percorrendo as lojas de um ?shopping center? e sente bem neste lugar!

Imagine se estivesse num lugar semelhante a este, prestes a fazer uma cirurgia, uma ressonância magnética ou uma quimioterapia.

Você acha que este contexto lhe proporcionaria maior satisfação pelo atendimento oferecido e contribuiria para melhor recuperação da sua saúde?

– Claro que sim!

Este espaço, que neutraliza a tensão do paciente e a habitual frieza do ambiente de saúde, faz parte de um conceito mais amplo de atenção à saúde: o do Ambiente Terapêutico, ou ?Healing Environment?, onde a estrutura física de uma instituição de Saúde participa e contribui no processo de cura. Este conceito, ainda pouco disseminado no Brasil, trata da tendência mundial que propõe uma importante mudança de foco: não criar uma arquitetura hospitalar e sim uma arquitetura para a saúde.

Esta abordagem propõe a otimização do entorno do cuidado ao paciente, explorando cinco conceitos principais: suporte psicológico, suporte social, senso de controle, distração positiva e distração negativa.

O suporte psicológico envolve o elemento humano e o espaço físico. A proposta é criar ambientes que atenuem medos, dor, perda de controle, incapacidade e até a morte. O espaço para o suporte psicológico se constitui de um ambiente no qual seja possível elevar o moral do paciente e promover sua motivação. O elemento humano nesse suporte é fundamental; toda a equipe profissional deve estar treinada para saber lidar com isso.

O suporte social explora a interação entre paciente, família e amigos, oferecendo espaço adequado para participarem da recuperação. Um hospital deve ter áreas de lazer, como uma praça ou um jardim, onde os acompanhantes possam descansar e relaxar.

O senso de controle oferece condições psicológicas para a sensação de independência do paciente para que não se sinta inútil ou impotente, levando a uma possível depressão. Ele pode controlar o ambiente onde ele se encontra através de um controle remoto para ligar a TV, controlar as persianas, a temperatura e a quantidade de luz no quarto.

A distração positiva envolve a composição do espaço com formas, cores e texturas utilizando inclusive plantas, água, quadros, esculturas e outros objetos de maneira integrada. A criação de ambientes dinâmicos, interativos com o meio-ambiente, estimula os pacientes.

No sentido oposto, é preciso eliminar as distrações negativas, tais como poluição visual, informações indesejáveis, ruídos, aglomeração de pessoas, mobiliário inadequado e desconfortos ergonômicos, térmicos e acústicos, que causam mal estar e amplificam o ?stress? que o paciente já vivencia, inerente às condições de comprometimento da saúde.

Uma série de pesquisas científicas já realizadas comprova que a aplicação destes conceitos traz uma série de benefícios para os pacientes e os demais usuários de qualquer edifício de saúde: recuperações mais rápidas, menores custos com medicamentos (inclusive antidepressivos e analgésicos), redução da solicitação de apoio de enfermagem, elevação do moral dos profissionais da saúde e conseqüentemente mais produtividade e diminuição dos custos de internações.

Como chegar a estes resultados então?

– Alinhavando e manuseando estes conceitos desde o primeiro momento, no nascedouro do projeto, da modelagem do empreendimento como negócio até o último dos detalhes arquitetônicos!

Augusto Guelli é arquiteto da Bross Arquitetura

aguelli@bross.com.br

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