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Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino desenvolve estudo sobre terapia celular para tratamento de casos graves de Covid-19

By 11 de setembro de 2020 Hospital, Saúde Pública

Trabalho com células mesenquimais iniciado em Salvador traz resultados preliminares animadores para o tratamento da insuficiência respiratória aguda por coronavírus

O poder das chamadas células tronco mesenquimais (MSCs) no tratamento de doenças oncológicas, medulares, degenerativas, entre outras, já é amplamente conhecido. Por apresentarem a capacidade de autorrenovação e diferenciação, se transformando em diferentes células que compõem os tecidos do corpo, as MSCs, agora, também podem representar uma esperança para o tratamento de pacientes com insuficiência respiratória aguda por Covid-19. É esta resposta que pesquisadores do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) estão buscando com o estudo “Terapia Celular para o tratamento da insuficiência respiratória aguda associada à COVID-19: ensaio clínico piloto utilizando células mesenquimais”. O trabalho, iniciado em julho, integra a plataforma de pesquisas “Ciência IDOR contra a COVID”, formada por dez frentes de pesquisas relacionadas ao coronavírus.

“Estas células possuem a capacidade de, na presença de um ambiente de lesão, liberar uma série de moléculas que possuem atividade anti-inflamatória e imunomoduladora, além de estimular a regeneração e reparo dos órgãos e tecidos. Estas ações já foram demonstradas em várias doenças inflamatórias, o que suscitou a sua potencial utilização nos quadros graves de COVID-19.”, explica Dr. Bruno Solano, pesquisador do IDOR que está à frente do estudo realizado no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador.

O objetivo do estudo desenvolvido pelo IDOR é avaliar a segurança e a potencial eficácia do tratamento com as MSCs em pacientes com insuficiência respiratória aguda, e os resultados preliminares já são animadores.

Foram avaliados diferentes esquemas terapêuticos: três pacientes receberam uma dose mais baixa de células mesenquimais, quatro deles receberam uma dose intermediária e outros três receberam uma dose alta. Até o momento, os pesquisadores não tiveram evento adverso grave relacionado à infusão de células mesenquimais, que foi bem tolerada em todos os casos, independente da dose utilizada. Dos dez pacientes, todos com quadro grave de Covid-19, necessitando de suporte ventilatório por insuficiência respiratória, cinco já receberam alta após a infusão das células mesenquimais, e os outros quatro seguem internados, apresentando evolução satisfatória, dois dos quais já saíram do tubo e respiram espontaneamente. Houve um óbito, 33 dias após a terapia celular, associado a uma complicação do quadro clínico de COVID-19 com uma infecção hospitalar secundária por bactéria resistente a múltiplos antibióticos.

“Os resultados ainda são preliminares e é preciso cautela, mas o que observamos dos primeiros pacientes que passaram pela terapia celular é animador. Todos os pacientes estavam entubados, sob suporte ventilatório e em geral observamos em poucas horas uma melhora dos marcadores inflamatórios e nos dias seguintes, uma melhora na oxigenação. Um dos casos que mais no chamou a atenção envolveu um paciente jovem, com 30 anos, que já estava há 14 dias em ventilação mecânica e já apresentava grave comprometimento pulmonar e fibrose pelo longo tempo de ventilação mecânica, mas ainda assim evoluiu bem após a terapia celular”, destaca Dr. Solano.

O estudo sobre terapia celular

Atualmente, as MSCs estão sendo utilizadas no tratamento de pacientes com COVID-19 na China, Europa e Estados Unidos, também com relatos preliminares que atestam sua segurança e eficácia. O estudo do IDOR se caracteriza como um ensaio clínico piloto aberto e randomizado, com as células mesenquimais administradas por via endovenosa, em duas aplicações com intervalo de 48 horas entre elas, em pacientes com pneumonia associada à falência respiratória aguda pela Covid-19. Ao todo, os pesquisadores esperam recrutar 20 pacientes que serão sorteados, através da randomização, para serem distribuídos entre um grupo de 15 pessoas que receberá a terapia com MSCs, além do tratamento padrão indicado pela equipe de terapia intensiva; e outro, formado por cinco pacientes que ficará no grupo controle, recebendo o tratamento padrão. Os quinze pacientes que serão tratados com as MSCs podem receber diferentes doses de infusão, sendo distribuídos em três grupos diferentes: dose baixa, dose intermediária e dose alta. Obtidas a partir do tecido do cordão umbilical de doadores, as células mesenquimais utilizadas no trabalho, são cultivadas e armazenadas no laboratório do IDOR, em Salvador, até o momento da infusão.

Participam do estudo pacientes acima de 18 anos internados com Covid-19 nas unidades de terapia intensiva dos centros participantes da pesquisa – Hospital São Rafael, em Salvador – e que apresentam insuficiência respiratória aguda e com necessidade de intubação traqueal.

Para se avaliar a eficácia da terapia, os pesquisadores levarão em conta, primeiramente, a mortalidade na UTI ou no ambiente hospitalar. Em seguida, entram na análise o tempo de internação na UTI ou hospitalar, o período em que o paciente ficou livre de ventilação mecânica dentro de um intervalo de 28 dias, a relação PaO2 (pressão arterial de oxigênio)/FiO2 (fração inspirada de oxigênio) em 24 horas, 48 horas e 7 dias, após a infusão das células; incidência de infecções secundárias e eventos adversos e a modulação de marcadores de resposta inflamatória.

“Acreditamos que este tratamento seja capaz de acelerar a recuperação dos pacientes, reduzir a mortalidade e encurtar o tempo de internação. Esperamos também entender melhor o mecanismo de ação das células mesenquimais. Todas estas respostas devem ser alcançadas rapidamente, em linha com a urgência que a pandemia exige”, conclui Dr. Solano.

Ciência IDOR Contra a COVID

O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) lança o Programa “Ciência IDOR Contra a COVID”. Liderada por pesquisadores e médicos de diferentes especialidades, a iniciativa tem dez frentes de estudos científicos. As pesquisas vão desde o entendimento do comportamento do vírus, teste de drogas que possam neutralizá-lo ou reduzir seus efeitos, estudos clínicos em pacientes oncológicos e com problemas cardiológicos, estudos com terapia celular, monitoramento inteligente de dados epidemiológicos e intervenções digitais visando a saúde mental e bem-estar.

A iniciativa está aberta a parceiros e o compromisso do Instituto D’Or é dobrar o valor investido pelos participantes neste programa. O IDOR prevê um aporte próprio no valor de R$ 20 milhões, mas a meta é duplicar este montante, alcançando um investimento de R$ 40 milhões para este conjunto de projetos.
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