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Da Suécia à Alemanha, seis estratégias inspiradoras para a Saúde Pública

By 28 de março de 2017 Saúde Pública

Saúde Pública é assunto dos mais complexos. Envolve gestão de pessoas e recursos com cooperação em diversos níveis, não raro em contextos de contingência financeira ou de crises assistenciais. Como exemplo, podemos pensar no atual surto de febre amarela no Brasil, que atinge mais de 250 municípios, segundo o Ministério da Saúde.

Apesar do desafio, é tarefa grata e necessária: sem ela, a expectativa de vida do brasileiro não avançaria de 45,5 anos para 75,5 anos entre 1940 e 2015, por exemplo.

Com assunto tão importante, é essencial pensarmos fora da caixa. Separei alguns cases inspiradores de outros países que, de forma eficiente e criativa, conseguiram resultados surpreendentes de redes de Saúde Pública: quatro em países europeus, um na Ásia e outro na África.

A pirâmide espanhola

Tenho acompanhado há duas décadas a Saúde da Espanha, baseada no modelo pirâmide: quem precisa de atendimento deve, primeiramente, entrar no sistema a partir de uma estrutura hierarquizada, passando por um clínico. O modelo brasileiro tem esse preceito, também, mas ele não é respeitado. Diria que 80% das pessoas que procuram emergência aqui no País teriam seu problema resolvido no nível de atendimento primário.

A estrutura espanhola, que é seguida à risca, evita que haja um mau uso da estrutura e comprometimento dos atendimentos realmente necessários. Isso permite um equilíbrio maior dos investimentos e uma otimização da equipe, além de, claro, garantir uma melhor experiência do usuário.

Reino Unido e o papel da participação do paciente

O National Health Service (sistema público de Saúde do Reino Unido – NHS) é lembrado como exemplo de gestão em diversos contextos. Nick Goodman, consultor do órgão, abordou em um artigo para o jornal britânico The Guardian, o quão fundamental é a participação do paciente na melhoria da entrega do serviço no sistema.

O NHS tem como princípio motivar a população a cuidar da própria saúde por meio de campanhas contínuas, na criação de grupos de apoios temáticos (por exemplo, para aqueles com diabetes), na inclusão de comunidades em processos de decisão, além de promover centenas de entrevistas individuais com os beneficiários para entender melhor suas expectativas e necessidades.

Em resumo, aproximando-se das pessoas e ouvindo suas queixas, o sistema público de Saúde britânico mostrou que fica mais fácil (e eficiente) cuidar delas.

Suécia e o sistema de garantias

Um dos países mais ricos da Europa, a Suécia enfrenta um grande desafio com sua população cada vez mais idosa – um em cada cinco suecos tem 65 anos ou mais. O quadro exige planejamento inteligente para garantir o atendimento e satisfação dos pacientes.

Motivado por queixas de demora nos seus serviços, o país implementou, em 2005, uma política de garantia de atendimento. Todo paciente pode entrar em contato com um profissional de saúde no dia em que busca ajuda e não pode esperar mais do que sete dias para ser atendido por um médico. Após o exame inicial, o tempo de espera para se consultar com um especialista não pode ultrapassar 90 dias, e, para uma intervenção ou tratamento específico, há novo limite de três meses. O importante: se o tempo for excedido, o sistema oferece atendimento em locais alternativos e se incumbe dos custos de transporte.

Alemanha e a busca pela eficiência

País com o mais antigo sistema público de Saúde do mundo, a Alemanha se destacou no mais recente Índice de Saúde do Consumidor na Europa (Euro Health Consumer Index – EHCI), de 2015, elaborado pelo think-tank sueco Health Consumer Powerhouse5.

Embora o país tenha “amargado” um sétimo lugar entre 36 países no ranking geral, o estudo destaca que o tempo que o cidadão alemão gasta para ter acesso a cuidados primários de Saúde é muito menor do que os dos demais países mais bem avaliados. Não são meses, semanas ou dias, mas minutos para ter o atendimento. É a constatação de uma busca irrefreável por eficiência.

Foi a Holanda que ficou em primeiro lugar no relatório, comemorando ótimo atendimento, mas a um custo alto para o orçamento nacional.

Cingapura e o ministro do “bem-estar”

Apesar de estar distante do ocidente, Cingapura merece atenção e tem muito a ensinar, como conta uma análise comentada pela Escola de Saúde Pública de Harvard.

O país criou a cultura da “harmonia social” e a administração pública buscou maneiras de garantir Saúde de qualidade para todos, inclusive para estrangeiros. Mas como isso foi possível? O governo passou a interferir nos preços e nas políticas do setor suplementar e criou um órgão, a Diretoria da Promoção da Saúde, subordinada ao ministério da Saúde, para promover o bem-estar, enfatizando a importância dos exercícios e da boa alimentação, por meio de informes e eventos. O governo do país passou também a oferecer subsídios em tratamentos para os mais pobres, embora os moradores do país ainda sejam estimulados a manter um plano de previdência dedicado à saúde. Como resultado, o território conseguiu manter ótimos índices no setor, com um investimento de menos de 5% do PIB, de acordo com o World Bank Group.

O artigo lembra que o intervencionismo estatal praticado no setor privado do país não é a realidade em diversas nações – mas, ainda sim, oferece lições valiosas.

Ruanda e a reconstrução de um sistema de Saúde Pública

O ano de 1994 traumatizou Ruanda, após um genocídio que atingiu quase um milhão de habitantes do país africano. Parece improvável, mas hoje o território é visto como sucesso na reconstrução do seu sistema: a falta de médicos foi sanada, em parte, com a formação de profissionais entre membros das comunidades para atendimentos básicos. Há assistência para doentes acometidos de malária a Aids, e, desde 2000, a taxa de mortalidade de crianças até 5 anos caiu 70%.

Artigo do New York Times informa que, em 2013, quase 98% da população de Ruanda tinha cobertura de saúde, oferecida com prêmios anuais subsidiados parcialmente. Cuidados preventivos específicos, como redes de mosquito e algumas imunizações são gratuitos. No mesmo ano, o país já tinha um sistema computadorizado de registros médicos.

É preciso lembrar a importância da cooperação internacional no auxílio dessas melhorias nas redes de Saúde Pública – mas o mérito por tamanha reconstrução permanece inspirador.

Trocar experiências é essencial para construir um sistema de Saúde mais adequado às necessidades da população. Apesar de ser inegável que cada país tem sua particularidade e, portanto, uma demanda específica, é preciso considerar que entender a forma como cada localidade cria estratégias para resolver os gargalos é o primeiro passo para consertar as coisas em nossa própria casa. Há muito o que melhorar no Brasil. A questão que fica: como as experiências da Suécia, Alemanha, Ruanda, Cingapura, Reino Unido e Espanha podem somar em nossas discussões internas? O debate está aberto.

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