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“A medicina precisa ir além da visão da máquina”, diz o ativista quântico

Amit-Goswami

Esbanjando tranquilidade e simplicidade a cada passo e a cada gesto, o físico indiano Amit Goswami chegou ao Saúde Business Forum um dia antes de sua apresentação. Mesmo depois de algumas horas de voo (ele reside no Oregon – EUA), nada parece abalar sua serenidade e gentileza. Há em Amit, já nos primeiros momentos ele pediu para chamá-lo assim, algo visivelmente coerente com seu discurso: a atenção no trato com o próximo, e a consciência de enxergar o outro como parte do todo, ou seja, parte de nós.

E foi essa a tônica de sua apresentação, que convidou o público a refletir sobre como as ações estão diretamente ligadas entre si e como este envolvimento pode ser a chave para o relacionamento entre médico e paciente. Amit utiliza a física quântica para explicar sua teoria, na qual a consciência “é a base de todo ser” e não a matéria. Aliás, é a visão materialista, que considera apenas as interações materiais, que é apontada por ele como um problema em várias vertentes, entre elas a medicina.

O físico cita o biólogo francês, já falecido, Jacque Monod . “O corpo é uma máquina! A mente é uma máquina! A alma é uma máquina!”. Mesmo sendo esta uma ideia do século passado, a medicina praticada hoje é a mesma de 1950, na qual o foco é tratar o corpo como uma máquina. Porém, ele não é. Da mesma forma que o médico não é apenas um profissional, antes de tudo, é um ser humano, assim como o paciente. Por isso, segundo o físico, é preciso ir além da visão da máquina, seja a máquina de diagnóstico ou mesmo pelo humano visto como tal, para a relação entre o paciente e o médico acontecer.

“Os médicos não sabem o que o paciente tem a dizer, por isso temos que treiná-los para sentirem a dimensão de sua saúde física. Assim, eles saberão como o corpo físico interage com o não físico”, explica.

Segundo o indiano, 70% das pessoas são tratadas pela medicina farmacêutica, em que o tratamento não atua na causa dessas enfermidades. Esses mesmos 70% dependem da atitude do paciente em prol da cura. “Se [o paciente] acreditar, sentir no coração que pode ser curado, isso tem um poder muito grande no corpo. Quando o coração e o cérebro se juntam, a possibilidade de cura está escolhida. Neste ponto, o paciente escolhe ser curado e a possibilidade aumenta”, acredita o físico.

Obviamente, ele alerta que não se deve abrir mão dos tratamen-tos convencionais e que o ideal é conciliar a medicina tradicional com a chamada “intenção de cura”. Amit finaliza sua apresentação dizendo que “ a cooperação entre médico e paciente está em uma única consciência” e que essa parceria tem um poder muito forte.

“Quando essa cooperação acontece, e os sujeitos têm amor pelo outro e amor próprio, a escolha [pela cura] está feita”.

Em sua apresentação, você falou sobre a forte conexão entre o paciente e o médico. Os médicos concordam com você?
Há um forte materialismo, no qual toda a avaliação dos problemas dos pacientes é feito por máquinas. Esse é o processo mecânico, mas o processo do humano não é mecânico. Como ter uma experiência interna efetiva em nosso corpo físico? A mente tem efeito, a energia tem efeito, um grande efeito sobre o corpo físico e isso produz doenças. É preciso reconhecer que a tradicional medicina está muito longe ter a causa, exceto as causas muito materiais como bactérias e vírus, mas não para as doenças crônicas, por exemplo.

Você mencionou que 70% dos pacientes têm tratamentos com medicamentos, mas 70% da cura depende das ações dos pacientes. O que isso significa?
Depende tanto das ações dos pacientes quanto do que eles acreditam. Se os pacientes têm uma boa atitude para cura e se confiam nos médicos. Existem testes em que se usam pílulas de açúcar para o tratamento de depressão e o que acontece? Acontece que a mentalidade conduziu para a cura e os pacientes realmente escolheram a cura ao invés da doença. Os pacientes escolhem automaticamente. Os pacientes mudarem o mindset é o mais importante.

Na sua opinião, qual a solução para os sistemas de saúde?
Solução é estar dentro do corpo humano. A medicina materialista só trata o corpo humano como se ele fosse uma máquina. Mas o corpo humano tem uma parte que máquina nenhuma tem, a parte interna. E essa parte interna tem forte efeito no corpo físico, no corpo mental e no corpo supramental [segundo ele, onde reside o corpo, a mente e o amor], pois ela está consistentemente em ‘nós mesmos’ e no corpo humano. Algumas dimensões são ignoradas na abordagem material. Quando se inclui o indivíduo na medicina da energia, na medicina tradicional chinesa ou na ayurveda indiana, se descobre a medicina criativa, a medicina espiritual e se trabalha no supramental e consistentemente na área espiritual dos seres humanos.

O ativista quântico
Nem todos concordam com as teorias de Amit. Seu discurso não foi unânime durante o encontro em Punta Cana e também recebe críticas do meio científico. Porém, sua trajetória e produção acadêmica tem recebido destaque ao longo dos últimos anos. Indicado ao Prêmio Nobel, o indiano é PhD em Física Quântica pela Universidade de Calcutá (Índia), pesquisador e professor de Física da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. Também é autor de livros como “O Ativismo Quântico”, “Criatividade para o século 21”, entre outras.

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Maria Carolina Buriti

Sobre Maria Carolina Buriti

Há quase cinco anos atuando como jornalista no setor de saúde, minha principal missão é levar informações que ajudem a desenvolver o setor, explorando novas histórias e diferentes pontos de vista, entendendo o quão complexo é a interação dessa cadeia. Atuo como editora chefe da Live Healthcare Media, braço de mídia de saúde da IT Mídia. Responsável pelo conteúdo da Revista Saúde Business e pelo site Saúde Business. Anteriormente fui repórter da revista FH e Saúde Business, Financial Report e portal Financial Web também na IT Mídia. Passei pelas editorias de economia e negócios e finanças. Também atuei como assessora de imprensa na área de ti e telecom.

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