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Hospitalistas como facilitadores de educação e treinamento

A mesma disponibilidade que tende a beneficiar trabalho em equipe e pacientes parece beneficiar educação e treinamento no hospital. Diversos fatores geraram demanda de otimização da supervisão de estudantes da saúde e profissionais em treinamento nas organizações hospitalares, entre eles a judicialização. Nos EUA, a disponibilidade de hospitalistas, inicialmente parcial, mas com tendência progressiva de cobertura 24/7, supriu uma série de necessidades do setor, atingindo até mesmo discussões acerca de consequências negativas não intencionais, como redução de autonomia dos em treinamento e seus impactos.

O balanço entre supervisão e autonomia é questão bastante complexa. Segundo Robert Wachter, em sua obra Compreendendo a Segurança do Paciente, “a medicina possui um problema inerente à sua prática relacionado a seus profissionais em treinamento ou estudantes de graduação. Apesar de todas as áreas deverem propiciar a seus aprendizes a oportunidade de “praticar” sua arte antes de obter o credenciamento que os permitirá trabalhar sem nenhuma supervisão, os erros cometidos por estagiários das áreas de direito, contabilidade ou arquitetura geralmente têm menos consequências do que os erros associados aos cuidados em saúde. Ainda assim, a solução não é óbvia. Alguém pode imaginar um ambiente de treinamento no qual os pacientes são protegidos dos aprendizes (afinal, quem não gostaria que o cirurgião-chefe, em vez do residente, realizasse sua colecistectomia?). Apesar de esse contexto parecer inicialmente mais seguro, mais adiante resultaria em médicos pouco treinados, sem a experiência supervisionada do mundo real, necessária para transformá-los de novatos a profissionais experientes”.

Evidências sugerem que hospitalistas podem servir de facilitadores da educação médica, aumentando a satisfação dos envolvidos e a qualidade global. O impacto positivo aparece em diversas publicações.

Em survey respondida por diretores responsáveis por estudantes de medicina e residentes, aproximadamente 70% apontou hospitalistas como mais acessíveis aos alunos do que médicos atuando no modelo tradicional (1).

Em outros estudos, a percepção direta de estudantes de medicina também foi favorável a hospitalistas (2,3,4), bem como a de médicos residentes (5,6). Houve ainda o mesmo achado quando residentes e estudantes foram avaliados conjuntamente (7) e em revisão sistemática (8).

Na referência que consideramos mais interessante4, uma comparação realizada por estudantes de Medicina de terceiro ano em estágio de Pediatria no Penn State Hershey Children’s Hospital entre hospitalistas e não hospitalistas gerou, para os primeiros, escores mais altos em efetividade como professores, pediatras, porta-vozes dos estudantes e efetividade global. Obtiveram escores mais altos também quando avaliada a qualidade dos rounds.

Em relação às consequências negativas não intencionais, estudo predominantemente positivo de Landrigan et al (9) concluiu também que, a partir da incorporação de hospitalistas, residentes sêniores perceberam perda de autonomia. Essa era uma preocupação inicial que não foi achado confirmado na maioria dos estudos. Outras potenciais consequências negativas não intencionais de programas de MH em educação médica são conflitos entre eficiência e educação (redução de tempos de permanência, por exemplo, poderia significar menos exposição de estudantes e residentes a histórias naturais de doenças).

Nos EUA, evidências anedóticas têm, mais recentemente, sugerido que o ganho de disponibilidade do médico às enfermarias previamente festejado tem sido prejudicado por desvios exagerados dos médicos da função assistencial, mesmo que permanecendo na instituição. Como as evidências em favor do papel positivo de hospitalistas na educação médica são predominantemente da década passada, talvez devem ser revisitadas. No Brasil, merecem ser exploradas de forma primária. Já dados empíricos de hospitalistas incrementando educação da equipe são bastante escassos, restando plausibilidade apenas.

1. Freed GL, Dunham KM, et al. Hospitalists’ involvement in pediatrics training: perspectives from pediatric residency program and clerkship directors. Acad Med. 2009 Nov;84(11):1617-21.

2. Hunter AJ, Desai SS, et al. Medical student evaluation of the quality of hospitalist and nonhospitalist teaching faculty on inpatient medicine rotations. Acad Med. 2004 Jan;79(1):78-82.

3. Hauer KE, Wachter RM, et al. Effects of hospitalist attending physicians on trainee satisfaction with teaching and with internal medicine rotations. Arch Intern Med. 2004 Sep 27;164(17):1866-71.

4. Geskey JM1, Kees-Folts D. Third-year medical students’ evaluation of hospitalist and nonhospitalist faculty during the inpatient portion of their pediatrics clerkships. J Hosp Med. 2007 Jan;2(1):17-22.

5. Wilson, SD. Employing hospitalists to improve residents’ inpatient learning. Acad Med. 2001 May;76(5):556.

6. Kulaga ME, Charney P, et al. The positive impact of initiation of hospitalist clinician educators. J Gen Intern Med. 2004 Apr;19(4):293-301.

7. Kripalani 1, Pope AC, et al. Hospitalists as teachers. J Gen Intern Med. 2004 Jan;19(1):8-15.

8. Natarajan P, Ranji SR, et al. Effect of hospitalist attending physicians on trainee educational experiences: a systematic review. J Hosp Med. 2009 Oct;4(8):490-8.

9. Landrigan CP, Muret-Wagstaff S, et al. Effect of a pediatric hospitalist system on housestaff education and experience. Arch Pediatr Adolesc Med. 2002 Sep;156(9):877-83.

Guilherme Brauner Barcellos

About Guilherme Brauner Barcellos

Guilherme Brauner Barcellos - Pioneiro no Brasil e na América Latina em Medicina Hospitalar. Foi o primeiro brasileiro a ser Fellow in Hospital Medicine e o primeiro profissional que não trabalha nos EUA Senior Fellow da Society of Hospital Medicine.