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Cuidando de quem cuida: legados da pandemia

By 27 de abril de 2020 Gestão, Profissionais
Em dias de poucas certezas, paramos para pensar e refletir em tudo o que estamos vivendo. O quanto o mundo está estranho e doente. O quanto o silêncio modificou nossas rotinas, nos obrigando a criar adaptações diárias para suprir a saudade de quem está longe e trabalhar, sem neuroses, diante da perda de nossos referenciais.
Nesse cenário de abdicação e deslocamentos emocionais, heróis modernos ganham destaque: são os profissionais da saúde que lutam contra um vírus invisível,  constatando o que já sabíamos há tempos: estamos inseridos em uma sociedade frágil,  desestruturada e desigual.
A lista destes profissionais da linha de frente é  grande. Médicos, enfermeiros , técnicos,  psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, maqueiros,  motoristas das ambulâncias, equipes de higienização e desinfecção,  entre tantos outros. Cuidadores que já sentem os prejuízos causados pelo combate à pandemia.
O inesperado alterou todas as rotinas. A carga horária, em muitos casos, está bem maior que a habitual. O diálogo entre esses profissionais gira em torno de apenas um tema: O Covid 19. Lazer e confraternização com a família ou amigos ficou no passado ou na memória.  Uma memória saudosista  da liberdade confiscada pelo isolamento social.
Um verdadeiro desafio que pode levar a uma saturação mental. Estão na linha de frente e fazem o elo entre os familiares dos pacientes e os serviços de saúde. Convivem com a dor ao presenciar os desfalques no time, perdendo companheiros de trabalho para um vírus cruel.
São acometidos por uma absurda carga emocional, que mistura ingredientes diversos: o medo de se infectar, o medo de contaminar parentes, o luto pela perda dos amigos de trabalho,  a frustração e sensação de impotência quando perdem um paciente para o Coronavirus, além do esgotamento pelo excesso de atividades. Angústia, medo, insegurança e a solidão do afastamento do “eu”.
Dores que surgem em meio às dúvidas geradas pelo evento adverso. Suscetíveis ao desenvolvimento ou agravamento de uma Síndrome de Burnout que engloba a sensação de esgotamento, a perda do sentido de realização profissional e o distanciamento emocional. Fatores estressores e decisivos na urgência dos traumas psicológicos.
Nossos profissionais de saúde estão expostos ao desequilíbrio mental, uma vez que evidenciamos o aumento nos sintomas de ansiedade, perda da qualidade do sono,  depressão,  estresse, e tantos outros sintomas psicossomáticos.  Apreensivos, encaram a luta e a pressão.
Sim, estamos com a vida por um fio. Esse desafio compreende a todos.  Precisamos entender os nossos limites, olhar para o momento, dando a ele um sentido mais otimista e esperançoso. Não  podemos fazer tudo por todo mundo. Mas se começar por nós, já será um excelente passo. O profissional precisa estar consciente que, para cuidar do outro, precisa desenvolver recursos e estratégias que o fortaleçam mental e fisicamente. Garantir horas suficientes de sono, buscar descansar entre os atendimentos ou plantões.  Manter uma alimentação qualificada e saudável. Bem como reduzir o isolamento, utilizando de forma otimizada as tecnologias de comunicação para permanecer conectado aos familiares e a pessoas queridas. Essas são algumas dicas que podem contribuir para preservar a saúde mental durante a pandemia.
O mais importante é buscar, no meio do caos, refúgios mentais que tragam a sensação de prazer para a mente. Afinal, não há dúvidas que o mundo será outro após o Covid-19. Nós também seremos. Por isso, cuidar de quem cuida é um legado que devemos levar para a eternidade. Afinal, o momento passará e, certamente,  terá o sentido que dermos a ele. O profissional da saúde quer dar sempre o seu melhor, mas o seu melhor é também estar bem consigo – cuidando do seu bem estar físico e emocional para que possa exercer a profissão com excelência e sem prejuízos.
Sobre a autora

Dra Andrea Ladislau é Psicanalista. Doutora em Psicanálise. Membro da Academia Fluminense de Letras – cadeira de numero 15 de Ciências Sociais. Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise. Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Membro do Conselho de Comissão de Ética e Acompanhamento. Profissional do Instituto Miesperanza. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites.

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