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A arte da patologia e dos patologistas

By 31 de agosto de 2020 Profissionais

A Patologia é a ciência que estuda as doenças e suas repercussões no indivíduo, com alterações macroscópicas (vistas a olho nu) e microscópicas nos diferentes tecidos e órgãos. Essa atividade é desempenhada pelo médico patologista, que estuda Medicina por seis anos e, após sua graduação, especializa-se nessa área médica por mais algum tempo (em geral três anos adicionais). Nesse treinamento específico, desenvolve a capacidade de analisar os diferentes tecidos humanos na busca por alterações que identifiquem a doença que acomete o paciente, que pode variar desde situações benignas, como alterações degenerativas, inflamatórias ou infecciosas, até condições neoplásicas (“tumores”), essas últimas de impacto potencialmente marcante na vida do doente.

Engana-se quem acha que essa é uma atividade solitária, independente e marcada pelo distanciamento do paciente e dos demais colegas médicos. Mais do que nunca, com os grandes avanços que a Medicina vem experimentando nas últimas décadas, a interação do patologista com os demais integrantes das equipes médicas tem sido constante e de suma importância na decisão das melhores práticas terapêuticas, especialmente na área da Oncologia Clínica. Além disso, o trabalho do patologista e a assistência ao doente não seriam possíveis sem o apoio de uma equipe de colaboradores administrativos e pessoal técnico, os quais permitem transformar o ato do diagnóstico em um verdadeiro exercício de arte.

Sua mais importante ferramenta de trabalho, o microscópio, onipresente em laboratórios de diagnóstico e pesquisa, continua tendo seu valor na atividade profissional do patologista que, mais recentemente, pode também analisar seus casos através de precisas imagens digitais obtidas a partir do escaneamento das tradicionais lâminas de vidro. Essa tecnologia, chamada de Patologia Digital, permite que o patologista acesse as imagens dos casos em estudo virtualmente, de qualquer localização (Telepatologia) e sem a necessidade do microscópio. Ao mesmo tempo, facilita a documentação fotográfica em laudos anatomopatológicos e o compartilhamento do caso com especialistas e outros colegas, o que é muito positivo para assegurar maior acurácia diagnóstica. Técnicas diagnósticas mais robustas, como a imuno-histoquímica, imunofluorescência e patologia molecular, têm revolucionado a assistência médica e orientado tratamentos específicos, que embasam a chamada era da Medicina de Precisão.

Apesar de tantas conquistas e avanços tecnológicos, a essência da atividade do patologista não mudou, que é trazer o diagnóstico preciso e orientar os demais colegas médicos, hoje organizados em grandes equipes multidisciplinares, na definição do mais adequado tratamento a ser oferecido aos pacientes. Enfim, um exercício combinado de conhecimento, técnica e arte aplicados à saúde humana.

Sobre o autor

Lisandro F. Lopes é patologista do Instituto Hermes Pardini

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