O setor de planos de saúde no Brasil tem passado por mudanças significativas no que diz respeito aos reajustes aplicados pelas operadoras. Em 2024, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou um teto de reajuste de apenas 6,91% para planos individuais, um dos menores índices registrados desde 2010. Esse percentual contrasta fortemente com os reajustes aplicados aos contratos coletivos empresariais, que atingiram uma média de 18,5% nos 12 meses até agosto de 2024.
Essa diferença expressiva entre os reajustes de planos individuais e coletivos empresariais levanta questões sobre a sustentabilidade financeira do setor e a tendência futura desses índices. Um dos fatores que pode influenciar a convergência desses reajustes é o aumento do número de contratos menores, especialmente aqueles com 1 a 5 vidas. Esses contratos são analisados e reajustados com base no Pool de Riscos normatizado pela ANS, o que tende a suavizar os percentuais aplicados.
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O impacto do crescimento dos contratos de pequeno porte
Nos últimos anos, tem havido um crescimento significativo na adesão a planos coletivos empresariais de pequeno porte, ou seja, aqueles que cobrem grupos reduzidos de beneficiários. A ANS regulamenta que esses contratos sejam reajustados com base no Pool de Riscos, um mecanismo que agrupa os riscos de diversos contratos menores para evitar distorções excessivas nos reajustes.
Com essa dinâmica, os reajustes dos planos coletivos empresariais tendem a se aproximar da média dos reajustes aplicados a contratos de pequeno porte. Isso pode resultar em uma redução gradativa da disparidade entre os reajustes de planos individuais e coletivos empresariais, tornando o mercado mais equilibrado.
Possíveis reflexos no mercado de Saúde Suplementar
A tendência de diminuição dos reajustes pode trazer impactos positivos e desafiadores para o setor. Entre os pontos positivos, a previsibilidade e moderação dos aumentos podem beneficiar empresas e consumidores, reduzindo a inadimplência e aumentando a fidelização dos beneficiários. No entanto, operadoras podem enfrentar desafios para equilibrar receitas e despesas, especialmente diante do aumento da sinistralidade e da crescente demanda por serviços de saúde.
O comportamento dos reajustes no setor de planos de saúde está em um momento de transição. Com a expansão dos contratos de pequeno porte e a regulação do Pool de Riscos, espera-se que os reajustes dos planos coletivos empresariais se tornem mais alinhados com os patamares dos planos individuais. Esse movimento pode trazer mais previsibilidade ao setor, ainda que desafios financeiros permaneçam para as operadoras. Resta acompanhar como essas tendências evoluirão e quais estratégias serão adotadas para garantir a sustentabilidade da saúde suplementar no Brasil.
* Michel Goya é diretor da ABSS e CEO da OPME Log.