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A tecnologia pode ser grande aliada do sistema público de saúde

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Um dos maiores desafios do Brasil em todas as instâncias governamentais é a saúde. Também pudera, somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes com sistema público de saúde que possui a obrigação de disponibilizar atendimento público gratuito para 100% da população. Além disso, possuímos:
• O maior banco de leite público do mundo
• O maior sistema de transplante público do mundo
• 90% das vacinas são pagas pelo SUS
• 50% dos equipamentos médicos são gerenciados pelo SUS
• 80% dos tratamentos de oncologia e 90% das hemodiálises são realizados pelo SUS
Com tantas responsabilidades, ainda atuamos com uma dicotomia orçamentária: 53% do dinheiro gasto com saúde vêm do sistema privado, que atende a 25% da população do país. 47% dos investimentos são realizados pelo sistema público, que atende a 75% da população. Ou seja, o sistema público de saúde atende três vezes mais pessoas com praticamente a mesma verba.
O problema cresce. Quando pensamos no aumento e envelhecimento da população previsto para os próximos anos, emergem as questões: Como teremos hospitais suficientes? Profissionais de saúde suficientes para atender a população? E quanto a verbas?
Não há dúvida de que a tecnologia é um aliado-chave nesta difícil equação. Os Sistemas de Informação permitem monitorar e aperfeiçoar performance pelas equipes assistenciais. Aumentam a eficiência, otimizam o uso de recursos, desestressam o sistema, melhoram a qualidade da informação que chega aos profissionais, orientam e engajam pacientes e ajudam na prevenção.
Com a modernização tecnológica, é possível transformar o sistema de saúde. A estratégia e-SUS Atenção Básica traz o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) – ou seja, o registro dos atos de cuidado e o acompanhamento da saúde dos usuários do serviço – para os profissionais e para a organização da agenda da equipe. Para que funcione a contento, o PEC precisa de um amparo estrutural com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de estrutura de informatização (computadores) e conectividade mínima (internet).
Ganha o paciente. Com sistemas integrados e equipes treinadas e informadas, os pacientes da atenção básica podem ter 80% dos seus problemas resolvidos com qualidade, sem evoluir para a necessidade de ir a um hospital.
Ganha também o sistema de saúde que melhora a qualidade do atendimento pelo uso adequado dos recursos disponíveis e reduz custos, podendo atender mais pessoas de uma forma melhor.
Mas o prontuário eletrônico sem informação baseada em evidências é uma base administrativa e não ajuda as equipes a melhorarem o atendimento e a resolverem os problemas da população na UBS.
A forma mais inteligente e segura de garantir mais qualidade, mais eficiência e menor custo é por intermédio do acompanhamento de toda a jornada do paciente – um ciclo de prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados em casa. Para cada uma destas etapas, existe uma necessidade específica de informações de suporte baseado em evidências.
Ao adotar uma estratégia que coloca o paciente no centro do cuidado é possível preparar e fortalecer o sistema de saúde com um prontuário eletrônico inserido de informações de suporte clínico que vai trazer ganhos reais.
A jornada do paciente permite em cada uma de suas etapas benefícios imediatos:
1- Prevenção: informações, integradas e não integradas ao prontuário, que educam a população para promover a saúde e o bem-estar e a monitorar sinais e sintomas para se relacionar com o sistema de saúde de forma confortável e segura.
2- Avaliação e Diagnóstico: informações, integradas e não integradas ao prontuário, corretas para um diagnóstico preciso em todas as especialidades e independente do nível de experiência do profissional de saúde.
3- Tratamento e cuidados: protocolos e planos de cuidado integrados ao prontuário que padronizam o atendimento dentro das regulamentações vigentes, evitam o desperdício, aumentam a performance e promovem uma experencia de atendimento excelente.
4- Cuidados em casa: informações, integradas e não integradas ao prontuário, que educam e engajam o paciente e sua família, por intermédio de vídeos, imagens e textos, sobre todos os aspectos relacionados à continuidade do tratamento.
O prontuário eletrônico deve ser acompanhado sempre das informações para apoio a decisão clínica (CDS, sigla em inglês). São elas que guiam os profissionais de saúde e pacientes em todas as etapas da jornada do paciente. Este é o conceito mais moderno adotado mundialmente pelos países que estão se tornando referência em sistemas de saúde eficientes.
O Brasil já tem disponível todas as informações para as etapas da Jornada do Paciente, basta apenas a conscientização e a ação para implanta-la por completo nos sistemas de saúde. Quanto mais rápido for implementado, mais rápido poderemos todos contar com os resultados.

       
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