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Operadoras podem reajustar em até 10% os planos de saúde individuais

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Entra ano, sai ano, quem tem plano de saúde sabe que, em algum momento, vai precisar encarar os aumentos nas mensalidades, que machucam um pouco mais o bolso das famílias. Em 2018 não foi diferente: o Governo autorizou, no final de junho, aumento de até 10% nos planos de saúde individuais, mesmo frente a uma inflação de 2,95% em 2017. É a 15ª vez que o ajuste ocorre acima da inflação do ano anterior. Em 2015, 2016 e 2017, os reajustes chegaram a 13%.

Uma liminar conseguida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) restringiu, por alguns poucos dias, o aumento a 5,72%. Mas a Agência Nacional de Saúde (ANS) recorreu e conseguiu suspender a liminar, liberando o aumento de até 10%.

PREÇOS ALTOS, RECLAMAÇÕES IDEM

Supostamente os aumentos de mensalidades deveriam promover melhora dos serviços. Mas a prática mostra que isto não acontece: os níveis de reclamação dos usuários e médicos seguem mais altos do que nunca.

É o que aponta uma pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina e divulgada em julho pelo Instituto Datafolha. Segundo o levantamento, 96% dos associados aos planos de saúde relataram ter enfrentado algum problema na utilização dos serviços no estado de São Paulo.

Em comparação ao levantamento anterior, de 2012, todos os serviços oferecidos pelos planos de saúde (consultas, exames, pronto atendimento, internações e cirurgias) tiveram aumento no número de reclamações.

PRESSÃO SOBRE OS MÉDICOS E DIFICULDADES NOS AGENDAMENTOS

Entre as críticas feitas pelos usuários está a demora para conseguir agendar consultas – o que faz com que alguns dos pacientes, mesmo tendo plano de saúde, vejam-se obrigados a recorrer ao SUS ou pagarem consultas particulares do próprio bolso.

A pesquisa apontou também que, na visão deles, as operadoras de saúde colocam dificuldades para autorizar procedimentos de custo maior (66%), pagam valores muito baixos aos médicos (58%), não cumprem todas as regras do contrato (52%) e pressionam os médicos (52%).

Entre os doutores, os índices de reclamação são igualmente altos: 90% deles relatam sofrer interferência das operadoras de saúde em seus trabalhos.

INTERNET APROXIMA DOUTORES E PACIENTES

Somando-se a insatisfação geral com os serviços, o aumento das mensalidades e o quadro de crise econômica, que fez cair a renda das famílias e aumentar os níveis de desemprego, tem-se o cenário que levou o número de associados aos planos de saúde a despencar: mais de 2,5 de pessoas deixaram os convênios, só nos últimos 2 anos.

Com o objetivo de reduzir estas insatisfações e facilitar o acesso à saúde particular – especialmente para quem teve que abrir mão do convênio ou simplesmente não está disposto a enfrentar os conhecidos problemas do SUS – algumas empresas têm usado a internet para aproximar profissionais da saúde e pacientes, sem a interferência dos planos de saúde.

É o caso da startup Nossos Doutores, de São Paulo. O serviço, lançado há 7 meses, permite que pacientes encontrem não apenas médicos, mas também psicólogos, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas e fonoaudiólogos, agendando suas consultas online até para o mesmo dia, a preços acessíveis.

Solange Maia, diretora comercial e coidealizadora da empresa, explica que a internet permite que a escolha do paciente por um profissional seja mais criteriosa do que costuma ser com os convênios. “Por se tratar de uma consulta particular, o paciente quer mais do que simplesmente escolher um profissional que esteja próximo a ele. Na verdade, ele busca também informações mais detalhadas sobre seu perfil profissional, quer saber como é o consultório, procura conteúdos e assiste a vídeos nos quais ele tenha participado”, comenta a empresária.

O paciente tem interesse em voltar a se relacionar de forma mais próxima com o doutor que escolheu. Segundo Solange, “profissionais de saúde estudam para cuidar de gente, não para serem burocratas ou especialistas em desfazer empecilhos para exercerem sua profissão. Ninguém gosta de ser tratado como um número. A consulta particular, sem interferências externas, permite maior autonomia do profissional da saúde e favorece a recuperação deste vínculo doutor-paciente, que é tão valorizado por ambos”.

AGILIDADE NA MARCAÇÃO DE CONSULTAS

Helder Conde, diretor de operações do portal, explica que um dos objetivos do serviço é ser ágil e simples, tanto para pacientes quanto para doutores. Segundo ele, “em vez de ligar para muitos consultórios para conseguir marcar uma consulta dentro de um prazo razoável, os pacientes que acessam o site conseguem ver de imediato a disponibilidade de cada doutor e já fazem seu agendamento online”.

O serviço ao paciente é inteiramente gratuito. Ele paga apenas o valor da consulta, após sua realização, diretamente ao profissional que escolheu. O site não cobra taxas do paciente e nem faz intermediação de valores. Os atendimentos são feitos nos consultórios particulares dos próprios doutores, em centenas de endereços diferentes, em 24 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Distrito Federal.

Helder destaca que o problema da saúde no Brasil é extremamente complexo e seria pretensioso imaginar que uma única iniciativa pudesse resolver todos os problemas de uma vez. Segundo ele, a facilitação especificamente do acesso a consultas particulares tem representado um ganho importante para os pacientes que, mesmo buscando preços mais acessíveis, fazem questão de um bom atendimento.

Do ponto de vista dos profissionais da saúde, ele destaca que “este modelo tem permitido que eles recebam honorários significativamente melhores do que os pagos pelos convênios, com menos burocracia e com foco efetivo naquilo que efetivamente se prepararam para fazer: cuidar de pessoas, não de papéis”.

       
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