🚀 HIS18 Já conferiu os primeiros palestrantes do HIS? Já são mais de 15! CLIQUE AQUI

O RH da saúde não pode ser visto como custo

Publicidade

Começamos a entrevistar representantes do setor público em um esforço para entender a realidade da saúde pública para os brasileiros. Esta semana conversei com Alexandre Viola, secretário de saúde de Vinhedo.

Há um interesse industrial muito grande em Vinhedo por sua localização estratégica entre a Avenida Bandeirantes e a Anhanguera, mas ainda é considerada uma cidade dormitório para a sua vizinha Campinas. Nos últimos 20 anos, a cidade viu dobrar o seu crescimento demográfico, e junto com isso, houve um desenvolvimento populacional muito grande, equiparando seu IDH a países de primeiro mundo.

A cidade conta com um Hospital Santa Casa, detentora de 99 leitos, uma UPA no centro da cidade e o pronto atendimento da Capela. A UTI, urgência e emergência são concentradas no hospital, mas há a possibilidade de entrada pelas outras duas outras portas de atendimento.

Segundo Viola, apesar de mais de 40% da população de Vinhedo possuir plano de saúde, grande parte frequenta o SUS por sua qualidade. Em julho do ano passado foi implantado um consórcio entre Vinhedo, Valinhos e Itatiba. A ideia é que a rede de saúde dos municípios seja conectada, ou seja, moradores das três cidades possam usufruir da saúde pública de qualquer cidade pertencente ao consórcio. A iniciativa partiu da observação de problemas semelhantes, sinergias de recursos e proximidade geográfica dos municípios.

“Através de observações do dia a dia notou-se que essas cidades tinham capacidade resolutiva na área de saúde muito boa, mas faltava uma articulação. Então o consórcio veio como um catalisador de processo, de articular os três municípios, [já que] os três trabalham com gestão plena, para a busca dessas soluções que são comuns.”, disse Alexandre, que é médico ginecologista e possui doutorado pela Unicamp. Ele tem 20 anos de experiência entre o setor público e privado e já foi vereador e diretor da Santa Casa de Vinhedo.

O maior ganho observado foi a ampliação dos recursos de atendimento, economia para manter a qualidade esperada pela população e redução da sobrecarga nos sistemas de saúde pública individuais.

Uma consequência secundária foi a diminuição do custos de medicamentos na compra conjunta, mas o principal foi dar vazão à casos de média e alta complexidade, ou seja, serviços especializados, sem a necessidade de centralização. Moradores podem utilizar o centro de excelência da especialidade X em Itatiba, Y em Valinhos e outro, a Z em Vinhedo. Agora os recursos são canalizados e otimizados. As cidades juntas possuem 300 mil habitantes, e os centros de especialidades intercambiados ainda estão sendo mapeados.

Quando questionado sobre as boas práticas de saúde pública, ele citou a importância do RH da saúde não ser visto como custo, mas como estratégia, já que cerca de 55% do custo é dedicado à folha de pagamento de funcionários. “Cada agente da secretaria de saúde é um promotor, ele faz parte do tratamento do paciente. Às vezes achamos que o medicamento [por si só] trata o paciente, mas é toda a estrutura envolvida em fornecer o medicamento.”, comentou Alexandre, e completou, “todos os funcionários da secretaria são e fazem parte da promoção de saúde”.

Hoje Vinhedo gasta 28% de seu orçamento em saúde pública, quando o estipulado pela constituição é que o gestor gaste 15%. Além disso, são utilizados mais de 85% de recursos do próprio tesouro da cidade no gerenciamento do SUS.

Com uma política de atenção voltada à atenção básica, segundo o secretário, hoje eles atuam em duas frentes: a otimização de recursos e a digitalização da rede. Toda a cidade é cabeada por fibra ótica e foi implementado um sistema de agendamento de consultas, exames e estoque de medicamentos. A etapa atual é a implantação do prontuário eletrônico em toda as unidades da cidade. A expectativa é que, até o final de 2019, Vinhedo tenha toda a sua saúde pública informatizada.

Outro investimento é em direção ao fortalecimento da atenção básica e à capacitação de gestores administrativos de unidades básicas para que os profissionais de saúde se dediquem exclusivamente à assistência aos pacientes.

Ao finalizar a entrevista, ele ainda levantou temas, que em sua opinião merecem destaque nas discussões do setor de saúde pública: a judicialização da medicina (que gera custos imprevisíveis uma vez que a não há uma compatibilidade de velocidades entre a área técnica e judicial), a questão do reembolso de dos planos de saúde para o SUS terem destino à federação em vez do município e a mudança de cultura da especialização em favor da atenção básica.

       
Publicidade

Deixe uma resposta