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Novos modelos de remuneração hospitalar focam em agregar valor ao paciente. Tendência já é adotada em países da Europa e EUA

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O modelo de remuneração fee for service, baseado no pagamento por procedimento executado, é atualmente o mais usual na rede privada de hospitais no Brasil. Mas uma nova tendência mundial vem ganhando força no país e entrou no radar de grandes instituições de saúde nacionais, que começam, aos poucos, a implementar o modelo. O value-based payment, ou pagamento baseado em valor, sugere a remuneração com base na qualidade do atendimento prestado ao paciente, fundamentada na relação entre os desfechos importantes a ele e o custo despendido para alcançá-los. Presidente da Federação Internacional de Hospitais (IHF) e membro do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Francisco Balestrin é um defensor dessa modalidade de pagamento por performance. É sobre Modelos de remuneração baseados em valor que ele falará no segundo dia do I Congresso Brasileiro de Instituições Católicas de Saúde (CBICS). O evento acontece entre 16 e 18 de julho, na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Desenvolvido por uma dupla de professores e pesquisadores da Harvard Business School, o modelo defende que o objetivo final da atenção à saúde é gerar valor ao paciente. Para isso, levam-se em conta os resultados de saúde importantes para o cliente e os gastos para atingi-los. A proposta implica na reestruturação dos sistemas de saúde e depende de algumas etapas importantes, como análise de custos, adoção de unidades de prática integrada, medida de desfechos clínicos, integração de sistemas, pagamento por pacote de serviços, tecnologia da informação e expansão geográfica.

Países como Suécia, Estados Unidos e Alemanha já começaram a utilizar o modelo, mas a novidade vem demandando que sejam criados projetos para buscar esses processos e medir os indicadores. “Uma das maiores vantagens desse novo formato de remuneração é que mudamos o foco da percepção, que passa a ser o paciente em sua integralidade e não o procedimento em si. A desvantagem é que ainda não há muitos padrões definidos de como medir isso e as instituições que quiserem adotar o modelo terão que possuir um alto grau de informatização para poderem se comunicar com o paciente e reunir todas as informações necessárias. É um desafio complexo que teremos que encarar”, explica Balestrin.

Previsibilidade

Um dos grandes obstáculos da remuneração baseada em valor é conseguir prever custos e resultados do tratamento. Para o presidente da IHF, nos casos de baixa complexidade, as organizações conseguem ter uma estimativa de como será a conclusão do processo terapêutico e, com isso, negociar um valor fixo com as operadoras de saúde. Já quando se trata de alta complexidade, os desfechos clínicos são menos previsíveis.

Atualmente, todos os modelos de remuneração do sistema de saúde privado brasileiro coexistem com um ponto em comum: a remuneração se baseia no quantitativo, sem levar em conta a qualidade do atendimento e a experiência do paciente durante o tratamento. “Os modelos que vigoram no país remuneram e premiam o resultado, focando somente no número de procedimentos realizados. A cirurgia de um paciente com câncer de próstata, por exemplo, pode parecer um sucesso num primeiro momento, mas se ele desenvolver disfunção erétil ou incontinência urinária depois do procedimento por conta de alguma falha na cirurgia, significa que o resultado final não foi bom. Nos modelos que temos hoje, isso não é levado em conta, não é medido. E isso é valor”, ressalta Balestrin.

Em consonância com as novas necessidades do mercado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vem realizando grupos de trabalho frequentes com representantes de operadoras de planos de saúde, de sociedades médicas, de entidades representativas de profissionais de saúde e de prestadores de serviço para discutir formas inovadoras de remuneração. A Agência já anunciou sua disponibilidade para implementar em um futuro próximo projetos-piloto de modelos alternativos de pagamento atrelados à indução da qualidade do cuidado, embora já tenha declarado que não será editado nenhum normativo definindo qual será o modelo padrão de remuneração. “Acredito que no futuro os modelos vão conviver entre si. Há procedimentos, como Raios-X, por exemplo, que não têm necessidade de se aplicar esse modelo. Já nos tratamentos oncológicos e cardiológicos a remuneração baseada em valor se aplica muito bem”, esclarece Francisco Balestrin, que fará palestra no dia 17 de junho no I CBICS.

Para saber mais sobre o evento, acesse

 

       
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