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Intel e parceiros se reúnem para propor soluções para o setor de saúde

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Durante a última edição do SOLVE: Healthcare, Navin Shenoy, vice-presidente executivo e diretor geral da área de data centers da Intel, destacou que o setor de saúde nos Estados Unidos está em crise. Estamos falando de um segmento responsável por 18% do PIB daquele país, avaliado em US$ 3,3 trilhões – maior do que os orçamentos nacionais de educação e defesa juntos.

Ao longo do congresso, um ponto ficou claro: a Inteligência Artificial (IA) é o remédio mais promissor para um setor em perigo. O Dr. Jonathan Cohen, do Instituto de Neurociência de Princeton, resumiu bem a questão ao afirmar que “nos encontramos atualmente em uma ‘Primavera da IA’. Estamos fazendo coisas que os neurocientistas conheciam há 20 a 30 anos, mas simplesmente não conseguiam realizar – agora podemos fazer isso”.

Dr. Cohen foi um dos 14 parceiros que se juntaram à Intel no evento realizado na Universidade da Califórnia (São Francisco), para falar sobre como essa tecnologia está mudando os serviços de saúde para melhor. Identifiquei três maneiras em que isso está ocorrendo: a Inteligência Artificial está migrando os cuidados de saúde para fora dos hospitais; está melhorando o trabalho dos prestadores de serviços; e está viabilizando novos tipos de medicina.

IA está migrando os cuidados de saúde para fora dos hospitais

“Como uma organização de cuidados responsáveis no Bronx, queremos manter os pacientes fora dos hospitais”, afirma Parsa Mirhaji, diretor de tecnologia do Montefiore Medical Center.

Mirhaji e a equipe do Montefiore cuidam de uma das populações mais étnicas e socioeconomicamente diversas – e carentes – dos Estados Unidos. É fundamental para eles gerar valor, não apenas prestando mais serviços, mas repensando como os cuidados são oferecidos à população. Hoje, os médicos de Montefiore utilizam um sistema de IA chamado PALM (Patient-centered Analytics and Learning Machine) para prever quais pacientes na UTI estão em maior risco de insuficiência respiratória. Aplicar essa prática em escala pode ajudar a fazer previsões com 24 a 48 horas de antecedência e com altos níveis de sensibilidade e especificidade.

Os atendentes de Montefiore esperam estender esse modelo de previsão para pacientes fora dos hospitais, usando diversas fontes de dados – como os genômicos e os socioeconômicos – para determinar quem pode desenvolver condições crônicas em até dois anos antes de elas aparecerem.

Xavier Urtubey, CEO da AccuHealth, explica que a maioria dos custos relacionados a doenças crônicas vem de complicações, mas algoritmos preditivos que analisam dados capturados via sensores na residência dos pacientes ou simplesmente dados comportamentais fornecidos pelos pacientes ou suas famílias são capazes de prever complicações de dois a quatro dias antes que elas aconteçam. Eles agora podem conversar com os pacientes para evitar tais complicações. Ao reduzir os atendimentos de emergência para pacientes com doenças crônicas como diabetes em mais de 30%, a AccuHealth foi capaz de adotar um modelo de pagamento baseado em resultados.

IA aprimora o método de trabalho dos médicos

“Não vamos substituir os médicos, mas podemos tornar a vida melhor. E há uma oportunidade real para fazermos isso”, afirma Dra. Rachael Callcut, cirurgiã para casos de trauma da Universidade da Califórnia, San Francisco, e diretora de ciência dos dados do Centro de Inovação Digital em Saúde da UCSF.

Dra. Callcut aponta que ajudar médicos que atuam à beira dos leitos a filtrar alertas e outros dados em condições em que tempo é crucial, ou apenas ajudá-los a corrigir problemas de eficiência que podem reduzir os níveis de estresse já é uma grande contribuição.

“A Inteligência Artificial pode ajudar a resolver a parte mais fácil de cada campo da medicina “, comenta Callcut. “[A IA] vai nos permitir dar mais atenção aos elementos nos quais o computador e a aprendizagem de máquina não são capazes de atuar, isso em termos de contexto clínico, intuição e decisão, e poderá transformar um simples OK em um grande resultado.”

Em outro exemplo, o Dr. Shreyas Vasanawala, médico radiologista de Stanford e fundador da startup de Inteligência Artificial Arterys, disse não acreditar que a tecnologia vá substituir seu trabalho. Ele falou sobre o campo da radiologia, que é muito mais amplo do que apenas fazer um diagnóstico, e mencionou muitas áreas em que a IA poderá facilitar a vida do radiologista. Entre elas, está o uso de algoritmos para prever o tempo das sessões de exposição, otimizando o agendamento e assim obtendo maior produtividade, e também seria possível determinar de maneira automática quais imagens precisam ser capturadas novamente.

IA como nova medicina

“Estimamos que um terço ou metade dos custos dos tratamentos sobre os quais Navin falou esteja associado à saúde mental”, afirmou o Dr. Jonathan Cohen, de Princeton. “E 50% das intervenções terapêuticas para depressão sejam comportamentais.”

Tais terapias comportamentais podem ser mais eficazes do que as medicamentosas. O problema é que coisas como pensamentos negativos não são algo que os médicos podem observar facilmente. Nos últimos 10 a 15 anos, a evolução das ferramentas de imagens cerebrais tem permitido monitorar o estado interno do cérebro. Em colaboração com a Intel, neurocientistas de Princeton estão mapeando o cérebro em tempo real em um esforço que já leva dois anos. “Algo que começou como uma pesquisa colaborativa se tornou uma iniciativa científica completa”, disse Cohen.

A Intel, junto com os seus parceiros considera coletivamente que a IA é uma prática atual, não um projeto científico distante da nossa realidade.

       
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