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Incluir diversidade é importante competência do líder

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Alice é solteira, chilena, mas mora no Brasil, extrovertida, médica, cantora nas horas vagas, tem 33 anos e se considera independente. Diferente de Alice, a começar pelo gênero, Rubens é casado, tímido, CIO de um hospital, tem 27 anos, planeja ser pai e é canadense. O exemplo fictício simboliza, ainda que superficialmente, a heterogeneidade existente entre duas pessoas que trabalham no setor de saúde. E o que dizer da imensidão de diversidades presentes em um universo organizacional?

Apesar das diferenças serem uma marca da humanidade, sem contar os demais seres e aspectos do planeta, há pouco tempo tal característica vem sendo encarada de uma nova maneira pelas sociedades, indicando a possibilidade de um futuro mais inclusivo. “A diversidade é uma mistura e a inclusão é fazer com que a mistura dê certo”, afirma Andrés Tapia, sócio da consultoria Korn Ferry e responsável pela área de Desempenho da Força de Trabalho, Inclusão e Diversidade Prática.

Assim como o professor Peter Drucker, considerado o pai da administração, dizia em sua época que o fator dominante para o futuro dos negócios não estaria na economia e nem na tecnologia, mas na demografia, Tapia aponta a diversidade demográfica como o mais importante aspecto da gestão, uma vez que equipes heterogêneas são em geral mais produtivas e inovadoras. 

O executivo, em apresentação durante o Saúde Business Forum 2014, traça o seguinte trajeto para que o serviço prestado atenda a necessidade do mercado: o primeiro desafio é crescer; diferenciar-se para crescer; inovar para ser diferenciado; ser diverso para inovar; incluir para ser diverso e possuir o líder certo para gerir todas essas etapas.

E este gestor, segundo Tapia, precisa compreender que uma multiplicidade de dimensões caracteriza a identidade de cada um, e que não basta ser tolerante e sensível, mas saber levar em consideração a sua visão de mundo e a dos outros para discernir e aproveitar as oportunidades, tomar decisões e resolver conflitos de modo a otimizar as diferenças culturais para melhores soluções.

“Temos que nos tornar mais conscientes, pois erramos ao definir as pessoas de acordo com nossos rótulos. Não podemos, por exemplo, escolher pessoas baseados em nós mesmos”, afirmou o consultor, ressaltando a importância de se ter uma visão do todo e não mais sob a perspectiva limitada de um único indivíduo.

Tapia, que é peruano, sugere que nas culturas latinas pode até ser mais fácil começar a gerir a partir desta visão, pois é uma cultura menos individualista do que a norte-americana, mas garante que a mudança exige tempo e treino. “Os americanos dizem muito mais eu, eu, eu, do que os latinos que preferem a palavra nós, nós e nós”.

Repensar a diversidade
Dentro de um mundo destoante, o Brasil consegue destoar, se é que é possível, ainda mais pela sua formação multicultural. Além dessa predominante característica, o País assiste um crescimento econômico e a ascensão de uma classe social, que passa a consumir, demandar e exercer sua influência sobre o mercado. O setor de saúde já sente os efeitos deste incremento e também se insere no contexto de ter de repensar a diversidade. Para isso, Tapia aponta a inclusão como meta para o seguinte cenário:

-Ser jovem, é ser experiente

  • Geração millenials e avanço tecnológico 

-Ser a minoria, é ser a maioria

  • Na última década, a classe média na América Latina cresceu 50%, representando mais de 30% da população
  • Grupos majoritários tratados como minorias agora fazem valer os seus direitos
  • Os latinos já se tornaram o maior grupo étnico na Califórnia, superando os brancos 

-Ser mulher, é ter oportunidades aumentadas

  • Mais de 70 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho na América Latina nos últimos 20 anos 

-Ser deficiente, é ser capaz de forma diferente

*Andrés Tapia é autor do livro “O Paradoxo da Inclusão: A Era Obama e a Diversidade Global” (The Inclusion Paradox: The Obama Era and the Transformation of Global Diversity, em inglês).

       
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