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Entenda os IPOs da Hapvida e da NotreDame Intermédica

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Respectivamente, o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) e o Sistema Hapvida (HAPV3), abriram oferta de IPO na última semana deste mês. Ambas foram recebidas pela B3 no segmento de Novo Mercado. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Hapvida precificou suas ações em R$ 23,50 por ação e a Notredame Intermédica, R$ 16,50 por ação. Se as duas empresas saírem no ponto médio da faixa, a Hapvida valerá quase R$ 16 bilhões na Bolsa, e a Intermédica, R$ 7,8 bilhões.

Para se ter uma ideia, se um investidor tivesse apostado R$ 1 milhão em ações em cada uma das duas empresas no IPO e vendido os papeis logo na abertura de seus pregões de estreia, ele embolsaria R$ 227 mil com a movimentação da NotreDame e R$ 169 mil com a Hapvida. A jogada renderia quase R$ 400 mil de lucro.

As estreias das operadoras de saúde tiveram uma valorização dos papéis em cerca de 20% e chamou atenção dos estrangeiros para o setor suplementar de saúde brasileiro. Cerca de 75% dos investidores da NotreDame Intermédica são estrangeiros.

O sucesso na estreia pode ser explicado pelo setor de atuação das empresas. A saúde possui alta resiliência em momentos de crise, pulverização e amplo espaço para suas atividades em consequencia do transbordamento de demanda dos serviços públicos de saúde no Brasil.

Além da abertura de capital no mesmo período, outra semelhança é o modelo de negócio das operadoras. As duas operam através de verticalização. A estratégia é caracterizada pela rede integrada com hospitais próprios, que proporciona baixa sinistralidade e margens elevadas. Na visão dos investidores, isso pode ser uma vantagem no gerenciamento dos custos, controle de inflação e reajustes.

No ano passado, a NotreDame obteve lucro de R$ 393,6 milhões, uma margem de 13,4%, já o lucro da Hapvida foi de R$ 650,6 milhões, com margem de 21,4%. Hoje, a Hapvida tem um índice de internações em hospitais próprios de 96% e uma sinistralidade de 60%, uma marca 35% melhor que a média do mercado.

A Hapvida, fundada em 1979 em Fortaleza, é líder na região Norte e Nordeste do país com 3,8 milhões de beneficiários e ainda mantem o controle familiar, cerca de 75%. De acordo com a B3, a demanda inicial por ações da empresa foi quase 7 vezes maior do que a oferta, batendo o recorde de procura dos últimos cinco anos da Bolsa.

A empresa afirma que o êxito é devido a rígidos protocolos, como a obrigatoriedade de consultar um clínico geral antes de um especialista e integração de informação de exames e consultas dos beneficiários em um prontuário eletrônico.

Segundo o presidente da Hapvida, Jorge Pinheiro, com o giro de R$ 3,4 bilhões, a operadora verticalizada planeja expandir o seu negócio para a regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste através de aquisições, devido a pulverização do setor, investimento em tecnologias e melhora no serviço de atendimento.

Na NotreDame, a demanda superou em cinco vezes o volume de ações ofertadas e os controladores da empresa planejam movimentar R$ 2,7 bilhões com o IPO. De acordo com o CEO do Grupo NotreDame Intermédica, Irlau Machado Filho, a abertura de IPO foi um enorme passo na direção da missão da empresa de tornar a saúde de qualidade acessível para os brasileiros. “Desde a chegada da Bain Capital, traçamos um ambicioso plano de aquisições e maciço investimento em rede própria de atendimento. Neste período, reestruturamos nosso portfólio de produtos, reformamos hospitais e Centros Clínicos, qualificamos a nossa Rede Hospitalar, reposicionamos a nossa marca e revolucionamos nossa estratégia comercial. Isso permitiu triplicarmos de tamanho nos últimos quatro anos. Crescemos muito, mas de maneira sustentável e sem perder de vista a qualidade de nossos serviços.”

A empresa atende 3,6 milhões de beneficiários e realiza 60% de seus atendimentos em rede própria, ou seja, menos verticalizada do que a anterior. Além disso, sua sinistralidade chega a 75%, maior do que a da Hapvida, e sua margem é menor, 13%. Esses são alguns dos argumentos dos analistas que apontam a Hapvida como melhor investimento.

Há, porém, muitas formas de se enxergar a situação: pode-se dizer que a Intermédica é menos eficiente ou que ela tem mais espaço para aumentar a eficiência, da mesma forma que a Hapvida pode ser vista como mais eficiente ou como uma empresa que já chegou no ponto de saturação. Adicione o fato que as operadoras atuam em regiões diferentes do Brasil, e que os números podem ser impactados pela competição mais acirrada em São Paulo.

       
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