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Empregabilidade, remuneração e o futuro da saúde em discussão no CRA-SP

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Empregabilidade em foco

Com a afirmação de que os profissionais precisam estar atentos às mudanças e se reinventarem, a especialista em assessoria e empregabilidade na área da saúde pública e privada, Cibele Sinico, abriu a quinta-feira de palestras da Semana da Administração e Saúde do CRA-SP, na sede do Conselho.

De acordo com Cibele, o conceito de carreira mudou, e a ideia de que o profissional, ao entrar em uma empresa, deve permanecer até a aposentadoria ficou para trás. “Antes, a carreira era da empresa, hoje ela pertence ao profissional. Você pode passar por várias empresas, desde que tenha habilidades e competências para aumentar os seus resultados. Quando você sai, você leva o conhecimento”, explicou.

A administradora também falou sobre a importância de ter um propósito e aliar satisfação pessoal à profissional. “Levante da cama com vontade fazer acontecer. Não permita que seus dias passem em branco. Seja o melhor, mantenha-se ativamente engajado”, disse, antes de conceder à plateia um passo a passo para o desenvolvimento de um bem-sucedido planejamento de carreira:

1 – Mapeamento pessoal: identifique valores e motivações

O que você gosta de fazer e faria até de graça? Essa é a sua missão! Hoje, satisfação pessoal e profissional devem caminhar juntas.

2 – Mapeamento de competências: técnicas e comportamentais

As competências técnicas são aquelas adquiridas em cursos de graduação, pós-graduação e cursos de extensão (devem constar no currículo). Já as competências comportamentais consistem em características como lideranças, administração de tempo, trabalho em equipe, foco em resultados etc., que comprovam as habilidades técnicas.

3 – Mapeamento do mercado de trabalho

Especifique a área na qual deseja atuar, faça um raio-X de cargos e funções e fique ligado em oportunidades e riscos. Acompanhe as mudanças.

4 – Plano de ação

O que você quer? Você tem capacidade para fazer isso? Quais habilidades você possui e quais precisa desenvolver? Onde você quer trabalhar? Quanto quer ganhar?

Na sequência, a administradora contribuiu com dicas de como construir um currículo campeão, deixando claro que “você não precisa conseguir 30 entrevistas, mas apenas uma que lhe proporcione o emprego”:

– Forneça informações suficientes e relevantes sobre você (um currículo é avaliado pelo recrutador em apenas 10 segundos);

– Não conceda informações falsas (você terá que sustentá-las durante a entrevista, confirmando como você fez ou faz aquilo que está descrito);

– Trace um histórico de construção de carreira (descrição de função desempenhada quando entrou na empresa e realizações durante período trabalhado).

Em adendo, Cibele lembrou a importância de aprender outra língua, para atuação na área da saúde: “As empresas estão abrindo capital e competem entre si, buscando profissionais com as competências que elas precisam. Portanto, se você não fala outra língua, busque essa competência, do contrário, você estará perdendo oportunidades” e indicou as plataformas gratuitas de empregos LinkedIn e Vagas.com como aliadas efetivas na busca por recolocação profissional, com uma ressalva: “nunca coloque ‘em busca de recolocação’ em seu currículo, porque isso diminui a sua visualização”.

Remuneração em Saúde

A Semana da Administração e Saúde do CRA-SP recebeu, na tarde desta quinta-feira, o Adm. Marcelo Tadeu Carnielo, diretor técnico da Planisa e Eduardo Regonha, sócio-diretor executivo da XHL Consultoria, considerados os maiores especialistas em custos do Brasil, para ministrarem a palestra Novas formas de remuneração na saúde: tendências e realidades.

Durante a apresentação, Marcelo Carnielo falou que o modelo de remuneração na gestão de saúde no Brasil é baseado no incentivo ao consumo, em que se remunera a doença e não a saúde. “No modelo de remuneração mais tradicional no país, o chamado fee for service, quanto mais material, medicamentos ou exames forem realizados, mais o prestador recebe, o que não beneficia o paciente e deixa o sistema impagável. Esse modelo precisa ser repensado”, explicou.

Para ele, o ideal no país seria a adoção de um modelo híbrido, organizado de acordo com o perfil e a gravidade detectados no atendimento ao paciente, como DRGs (Diagnosis-Related Groups), que traz pacientes agrupados por diagnósticos, o fee for servisse e o Bundled, com remuneração por episódio ou por um período após a alta do paciente e outros modelos como, remuneração por usuário, entre outros.

De acordo com o Regonha, o cenário da remuneração em saúde tende a se alterar aos poucos, visto que vivemos um momento de crise no país, com o aumento dos custos destinados à saúde acima da inflação, chegando a 19% e, nesse cenário, cabe ao gestor se preparar para a mudança. “O gestor precisa, no mínimo, municiar-se de informação de custos de forma consolidada, para tentar reduzir a margem da receita com material e medicamento e aumentar a rentabilidade nos serviços hospitalares, como diárias e taxas. O gestor tem que estar preparado para que, em caso de necessidade, ele tenha um embasamento para poder mudar com tranquilidade”, alertou.

Para finalizar, Carnielo falou sobre a importância de tratar o assunto em um evento de administração em saúde, apontando o panorama atual, de falta de recursos e a necessidade de reduzir o desperdício, como fatores mais do que suficientes para iniciar a discussão.

As incertezas do futuro

Fechando a programação da I Semana da Administração em Saúde, a doutora em medicina e coordenadora do FGVsaúde, Ana Maria Malik, esteve na sede do CRA-SP na noite de quinta-feira para falar sobre o futuro do setor no Brasil. Um tema complexo, diante das inúmeras possibilidades que se apresentam e, também, das diversas dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde.

Para Ana Maria, a única certeza que temos é que o custo da saúde vai aumentar nos próximos anos. Isso significa que o pensamento de fazer mais com menos deve ser substituído pelo ato de gastar melhor os recursos que, inevitavelmente, serão utilizados. Ela lembrou, também, que hoje temos uma grande quantidade de informação disponível, mas que ela deve ser bem aproveitada. “Muita gente fala mal do CNES (Sistema Nacional de Estabelecimentos de Saúde), mas quem abastece o sistema com as informações é justamente quem trabalha nos serviços de saúde. Portanto, antes de falar mal é preciso saber como utilizá-lo”, defendeu.

Sobre as tendências que vez ou outra aparecem na área, Ana Maria foi enfática ao afirmar que as probabilidades sempre existem, mas que é impossível determinar com certeza o que dará certo ou não. Um exemplo dado por ela foi a questão da acreditação hospitalar, que era uma grande aposta para o setor e não foi adiante como se previa. “Apenas 6% dos hospitais no Brasil são acreditados e esse número não representa quase nada. Alguns estados brasileiros não possuem nenhum hospital acreditado ou têm apenas um. Isso significa que os outros 94% não são bons?”, questiona.

Para os próximos anos, a professora vê no mínimo três possibilidades: a continuidade do atual panorama, a melhora e fortalecimento do Sistema Único de Saúde – SUS ou a divisão clara entre a saúde suplementar para os mais ricos e o SUS para os mais pobres. Qualquer cenário que venha a se concretizar, no entanto, deverá contar com ações efetivas por parte dos envolvidos, incluindo a criação de uma rede assistencial e a boa regulação de leitos para pacientes agudos.

Ela defendeu, porém, que o que pode ditar ou não o caminho para as transformações no setor é a melhoria nos sistemas de gestão, que devem contar com avaliações justas sobre o que foi realizado. “A palavra mais importante da Administração para mim é a consequência. Se você fez certo ou errado tem que haver uma consequência, porque se isso for igual em qualquer circunstância, não faz a menor diferença, é o popular “tanto faz” e não há nada pior do que isso”, finalizou.

       
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