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Desospitalização: “Estamos desbravando um novo território”

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Na semana passada fomos conhecer a Humana Magna, empresa de desospitalização focada em reabilitação, longa permanência e finitude. Conversamos com Arthur Hutzler, CEO da instituição, e Liv Soban, Head de marketing e relacionamento.

“O Brasil envelheceu antes de enriquecer. Hoje temos cerca de 13% de idosos no país, e até 2050, um em cada três brasileiros será idoso. Com o aumento da longevidade, há uma mudança no perfil epidemiológico, mais semelhante com o de países amadurecidos, deixando para trás moléstias infecciosas tropicais. Hoje estamos evoluindo para uma população grande de doentes crônicos, que em algum momento entram em uma demanda médico-hospitalar. Ao mesmo tempo, ainda existem diversos eventos agudos nessa população que necessitam de transição” diz Arthur.

A ausência de um provedor que cuidasse do gap deixado entre os cuidados da fase aguda e a volta à rotina dos pacientes fez com que a Trigger, casa de investimentos de equity que trabalha exclusivamente com saúde, aportasse o investimento de R$ 100 milhões no segmento de desospitalização. A estratégia segue tendência mundial: a melhor integração no cuidado do paciente, visando a sua centricidade.

Desospitalizar significa transferir de um hospital geral o paciente com alguma demanda de cuidado para instituições em que se continue a atenção objetivando a sua melhoria, dentro da sua nova condição. A empresa aposta em um sistema low tech high touch, o que não significa em modo algum processos ultrapassados, e sim um sistema em que o fator humano prevalece. Inclusive, a empresa está no caminho para se tornar um hospital sem papel.

O modelo escolhido para a operação é do tipo all in, com toda a estrutura e serviço de atenção transdisciplinar inclusos na diária. A unidade conta com 78 leitos equipados, hotelaria, refeitório, solarium, sala de eventos e recreação, e disponibilidade para visitas 24/7, o que resgata o convívio social, cultural e familiar para os pacientes que utilizam o serviço. Além disso, há equipamentos de suporte à vida, rede de gases medicinais, centro de reabilitação, farmácia, exames laboratoriais e de imagem, e um quadro de cerca de 10 especialistas, majoritariamente focados em reabilitação e terapias ocupacionais, que transitam entre os usuários diariamente.

“Estamos em um business de eficiência, do melhor cuidado e redução de custos. Só usamos o que é necessário e adequado, não há motivadores para desperdícios. As tabelas de remuneração usuais de mercado não são aplicadas aqui” explica Arthur.

Já adequados na transição de pagamentos por serviço para pagamentos por valor, a Humana tem o bundle como remuneração frente às operadoras. Segundo Arthur, praticamente 100% dos pagamentos ocorrem por um pacote fechado por perfil, salvo pouquíssimas exceções. “Fazemos gestão de saúde, e não gestão de custos. Temos metas muito claras e indicadores de evolução. Caso as mesmas sejam cumpridas, há um bônus de performance, caso contrário, há um ônus na remuneração”

Segundo o CEO, os números da saúde mostram que 99% das ocorrências na saúde suplementar, como consultas, exames e insumos, por exemplo, representam pouco mais de 40% dos gastos. E o restante do custo é de responsabilidade de 1% das ocorrências como internações de longa permanência. “Se o paciente precisa de cuidados hospitalares, mas não em fase aguda, não faz sentido ficar em um hospital, com alta tecnologia e diárias altas. As contas não fecham.”

Com a diária entre um terço e um sexto do valor cobrado em hospitais gerais, a Humana visa desfecho clínico. Apesar de estarem com cerca de 40% da sua capacidade, ainda acima da capacidade prevista, Liv garante que não há interesse em reter pacientes que não necessitem mais da empresa. “Não somos regulados pela ANS, não é possível um paciente se internar. A operadora decide se o paciente vem para a Humana, então o hospital tem que liberar e a família aceitar. Ainda é um modelo que necessita de cultura, as pessoas ainda têm o mindset de que aqui existe uma estrutura pior do que a de um hospital, e na verdade é melhor para pacientes nos casos de reabilitação ou finitude”

O desafio é quebrar o paradigma com a operadora, de que neste modelo haverá custos continuados; com o hospital, de que deste modo ele poderá aproveitar o leito de forma mais rentável; e com a família, de que no modelo de desospitalização o paciente ainda estará assistido, só que de forma mais segura, contra por exemplo, infecções hospitalares.

Segundo Liv, a Humana está desbravando um novo território. No resto do mundo, as interações são mais curtas e as instituições de cuidados continuados são mais estruturadas. “A ideia é assistir mais, e manipular menos. O paciente muitas vezes fica doente no mesmo quarto, olhando para a mesma parede por semanas. A Humana tem a empatia de se colocar na realidade do outro e tentar entender podemos fazer independente da condição do paciente. Fazemos o que for possível para que ele tenha mais qualidade de vida, o cuidado é o básico.”

Arthur conta que, apesar da recente operação de 5 meses, a Humana já colhe os primeiros resultados dos contratos com as operadoras. Segundo ele, há benefícios em relação a redução na taxa de reinternação, e que o custo da desconfiança sobre o modelo está conseguindo ser superada pela boa performance da empresa.

Nos próximos quatro anos, há previsão da abertura de outros 1000 em todo o Brasil, assumindo a liderança do segmento no Brasil. “É um modelo novo no Brasil, que vai crescer muito devagar, apesar da aderência cada vez maior das operadoras”, finaliza Arthur.

       
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