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Congresso discute pela primeira vez no país sustentabilidade de instituições de saúde católicas

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A tendência mundial de grandes redes de saúde incorporarem hospitais independentes a fim de torná-los mais lucrativos já é uma realidade no Brasil. Desde 2015, quando foi autorizada no país a participação direta de capital estrangeiro em empresas prestadoras de serviços assistenciais na saúde, grandes corporações do setor vêm seguindo a estratégia de consolidação americana, onde mais de 150 transações deste tipo foram realizadas entre 2016 e 2017, movimentando cerca de 35 bilhões de dólares. Assim como nos EUA, fundos de investimento internacionais também apostaram suas fichas por aqui e absorveram hospitais de grande porte à sua cartela de aquisições. Diante deste cenário, como é possível sobreviver a essa profunda mudança no mercado, mantendo-se fiel à missão assistencial junto aos mais necessitados, caso das instituições católicas de saúde? Esse e outros temas estarão no cerne da discussão em um congresso inédito voltado para gestores de entidades de saúde católicas, que será realizado entre 16 e 18 de julho, na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

O I Congresso Brasileiro de Instituições Católicas de Saúde (CBICS) pretende lançar uma lupa sobre os principais desafios enfrentados por essas organizações e promover durante os três dias de evento a oportunidade de integração, fortalecimento, troca de conhecimento e networking. “Percebemos que o setor de saúde brasileiro está basicamente constituído por redes. São elas que obtêm melhores negociações com as operadoras de saúde por conta de seu poder de compra, dentre outras vantagens. Com isso, os hospitais independentes estão fechando as portas por não conseguirem competir com essas grandes corporações. A ideia do evento é abordar esses temas e pensar em soluções que tornem viáveis a sustentabilidade dos nossos hospitais e a excelência na gestão, mas sem perder nosso foco que é ajudar aos mais pobres”, ressalta a diretora do Hospital São Vicente de Paulo e presidente da Comissão Executiva do evento, Irmã Marinete Tibério.

Ética em saúde
Além do viés econômico, o congresso vai tratar da grave crise ética que assola o mundo corporativo. O pesquisador, escritor e consultor especializado em Governança Corporativa, Alexandre Di Miceli, será o responsável pela palestra Conduta Ética Organizacional, realizada no segundo dia do evento (18/07). Para ele, por lidar diretamente com vidas, a criação de um ambiente ético nas instituições de saúde se torna ainda mais essencial. “Percebo muitas mudanças estruturais perigosas nessa área. As instituições católicas de saúde têm um papel muito importante e um impacto social enorme, onde a pessoa, e não os números, deve vir em primeiro lugar. Acredito que o congresso será um ambiente importante para discutir todas essas questões e definir estratégias conjuntas de como equacionar essas variáveis”, opina.

Para o diretor geral do Hospital São Francisco na Providência de Deus, Frei Paulo Batista, o enfrentamento dos desafios comuns às instituições católicas de saúde demanda união. “O Papa Francisco tem pedido que as organizações deem as mãos e acredito que só assim conseguiremos encarar as dificuldades, principalmente econômicas. Sozinho não será possível. Temos que buscar a profissionalização da nossa atuação, nos fortalecer, mas sem deixar de lado o compromisso com o ser humano. O evento será uma oportunidade de gerar boas reflexões e encontros e de termos acesso a exemplos de gestão que podem indicar meios eficazes para o cumprimento da missão das entidades”, lembra.

Temas em pauta

Além do longo histórico de mais de dois mil anos da Igreja Católica na assistência aos doentes, o congresso vai abordar temas atuais como Impactos da Lei da Filantropia; Panorama da Saúde no Brasil: Diagnóstico e Desafios para as Instituições Católicas de Saúde; A realidade do Sistema Único de Saúde; Modelos de Remuneração Baseados em Valor; e Estratégia de Captação de Recursos como Fortalecimento da Sustentabilidade, conduzidos por especialistas de renome em suas áreas, como o presidente da Federação Internacional de Hospitais (IHF, em inglês) e membro do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Francisco Balestrin; o diretor do Hospital de Câncer de Barretos, Henrique Prata; o prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Cardeal Peter A. Turkson; o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta; entre outros.

O Superior Geral da Ordem dos Camilianos, doutor em Teologia Moral e escritor, Padre Leo Pessini, vai ministrar a palestra Filantropia como Missão, que acontece no primeiro dia do evento (17/07). Para o religioso, não há fórmula mágica para resolver a complexa equação entre responsabilidade social e sustentabilidade econômica. “Vivemos em meio a uma economia de mercado sem coração, sem rosto, que descarta facilmente os que menos têm e mais necessitam de cuidados de saúde, como insistentemente vem nos lembrando o Papa Francisco. Estamos diante de uma realidade que exige competência e sensibilidade humana, ética e evangélica, aliada a uma competência profissional empresarial de como administrar estas instituições”, explica.

Para o diretor Executivo da Casa de Saúde São José, Nélisson do Espírito Santo, o conteúdo que será exposto nas palestras levará a uma reflexão sobre a necessidade de os gestores desse segmento responderem aos desafios atuais. “A programação tem o propósito de fortalecer nossas unidades e oferecer sugestões úteis para administrar e reorganizar as instituições, indicando meios eficazes para o cumprimento da missão das entidades”.

O I Congresso Brasileiro de Instituições Católicas de Saúde está sendo organizado pelo Hospital São Francisco na Providência de Deus, Arquidiocese do Rio de Janeiro, Ambulatório da Providência, Casa de Saúde São José e Hospital São Vicente de Paulo. As inscrições podem ser feitas pelo site.

       
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