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Como o Watson está ajudando o Fleury na medicina de precisão

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Essa semana fomos até o Fleury saber um pouco mais sobre o processo de adoção do Watson for Genomics e como o laboratório está contribuindo para a medicina de precisão. Conversamos com Dr. Edgar Rizzatti, Diretor Executivo Médico, Técnico e de Processos do Grupo Fleury, principalmente sobre o teste Oncofoco, iniciativa pioneira da América Latina.

Ele conta que a inspiração veio em 2016, quando identificaram a possibilidade de utilizar Inteligência Artificial e Computação Cognitiva na área médica. Uma comitiva foi até Nova Iorque conhecer o Watson, e o que chamou mais atenção deles no momento, foi a conexão entre a atividade-fim do Watson for Genomics com o Fleury. “Nós achamos que poderia ser um caminho. Mas até chegar na utilização, teve uma trajetória de estudo e validação de uma nova técnica diagnóstica. É nisso que nós investimos nosso tempo e recursos ao longo desses quase 2 anos.”

O Oncofoco é um teste que identifica por meio de sequenciamento de DNA as alterações genéticas presentes no tecido tumoral, e com base nessas informações, é possível relacionar perfis de sensibilidade ou resistência a medicamentos utilizados no tratamento de câncer. As alterações servem como base para que o Watson for Genomics atue na curadoria de quais drogas, baseado na literatura, poderiam ser aplicados naquele caso. É um exemplo de medicina personalizada, o tratamento apropriado para um paciente em específico. Ou seja, identificar com base no perfil genético do tumor quais seriam as melhores drogas no sentido de se ter uma melhor resposta ao tratamento ou evitar a utilização de drogas que têm perfis de resistência naquele tumor, de forma precisa.

Mas Edgar ressalta que o Watson atua em conjunto com ferramentas desenvolvidas pelo laboratório. Após a extração e sequenciamento do DNA da amostra de tecido tumoral, utilizam-se ferramentas de bioinformática para as análises das variações genéticas. Ele explica que essa fase foi a que demandou mais tempo e recursos para a viabilização do teste. No sentido de validar o pipeline de bioinformática, e assim ter a capacidade de identificar alterações complexas. “Isso foi feito baseado em comparação, com dezenas de casos, e resultados de instituições que faziam esse teste no exterior. Foi usando isso como padrão ouro que a gente validou o plano de bioinformática desenvolvido internamente”.

Ainda no portfólio de genoma do Fleury, Edgar conta que o Teste de Origem Tumoral (TOT) também utiliza inteligência artificial, mas não o Watson, e tem o objetivo de identificar a origem de uma metástase. É uma aplicação para entre 5% e 15% dos pacientes com câncer de origem incerta, e assim direcionar melhor o tratamento. O Oncofoco também pode ser aplicado em situações de metástase, mas com um propósito diferente. Nesse caso ele é aplicado em situações nas quais o paciente não tem uma boa resposta ao tratamento de primeira linha, e auxilia o oncologista na decisão terapêutica de um tratamento alternativo.

Com o valor entre R$5 mil e R$8 mil, Edgar disse que há previsão para uma maior acessibilidade do Oncofoco. “É o tipo de situação em que quanto maior o número de exames realizados, menor o custo por volume. A exemplo do que aconteceu no sequenciamento de DNA, segue-se a Lei de Moore, aumenta-se a capacidade de processamento e diminui-se o custo.”

Sobre a eficiência que a inteligência artificial está gerando no diagnóstico clínico e modo de trabalhar na empresa, ele usa como exemplo o Watson for Genomics. “O auxílio na curadoria que ele traz é algo que dificilmente seria reprodutível se não tivéssemos acesso a essa tecnologia. Hoje o conhecimento em medicina avança muito rápido. Mesmo se um médico estiver focado 24/7, em um segmento específico, é impossível ficar em dia com a literatura publicada. A grande vantagem é que a inteligência artificial consegue fazer isso de maneira sistêmica identificando os pontos-chave, situações que melhor se conectam com as alterações genéticas encontradas no tumor de um de um paciente, e trazer todas essas informações de uma maneira muito prática e eficiente.”

O executivo conta que ainda não há previsão para uso deste banco de dados em P&D, nem parcerias em vista. Por enquanto os dados estão armazenados e criptografados, sob guarda de sigilo médico, porém, caso algum dia haja o interesse na exploração, o laboratório dispõe de um comitê de ética em pesquisa para a submissão do projeto de pesquisa ou novo produto.

       
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