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A Amazon encontrou mais uma indústria para disruptar

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A Amazon anunciou nesta quinta-feira que comprará a PillPack, em acordo previsto para fechamento no segundo semestre desse ano. Apesar dos termos do acordo não terem sido divulgados, fontes próximas dizem que a empresa pagou cerca de US$ 1 bilhão. A notícia é recente, mas já está abalando a indústria de farmácias dos EUA. A aquisição fez com que os preços das ações de players tradicionais relacionados ao setor despencassem.

Após meses de especulação, a Amazon entra de fato no mercado de saúde através da aquisição da PillPack. Criada logo após seus fundadores vencerem uma hackaton no MIT em 2012, a empresa já havia arrecadado US$ 118 milhões em financiamento de investidores, e alcançou mais de US$ 100 milhões de receita em 2017.

A startup tem como negócio o envio personalizado e fracionado de medicamentos prescritos pelo correio, através de sua farmácia online, e está licenciada em cerca de 50 estados americanos. Ela também desenvolveu um sistema operacional proprietário o PharmacyOS – que organiza dados de pacientes e farmacêuticos. “A equipe visionária da PillPack tem uma combinação de profunda experiência em farmácia e foco em tecnologia“, diz Jeff Wilke, CEO da Amazon para consumidores em todo o mundo. “A PillPack está melhorando significativamente a vida de seus clientes e queremos ajudá-los a continuar facilitando a economia de tempo, simplificando a vida e a saúde das pessoas. Estamos felizes em ver o que podemos fazer juntos em nome dos clientes ao longo do tempo. ”

O CEO da PillPack estará na administração do negócio após a compra e, em comunicado, disse à imprensa: “Juntamente com a Amazon, estamos ansiosos para continuar trabalhando com parceiros em todo o setor de saúde para ajudar pessoas em todo os EUA que podem se beneficiar de uma melhor experiência de farmácia”.

A compra é mais um indício da intenção da Amazon em entrar definitivamente no setor de saúde. A empresa já vendia medicamentos sem prescrição em sua plataforma através de uma parceria om a Perrigo, e agora avança para tentar conseguir uma parcela do mercado de US$ 450 bilhões de medicamentos prescritos.

O movimento coloca a gigante do e-commerce em concorrência direta com farmácias tradicionais como a Walgreens e a CVS. Somente no dia de ontem, estima-se que as grandes cadeias farmacêuticas perderam cerca de US$ 13 bilhões em valor de mercado. Enquanto a Amazon se valorizava em 5,5 bilhões.

Em pronunciamento, o CEO da Walgreens, Stefano Pessina, disse que o mundo da farmácia é muito mais complexo do que a entrega de pílulas. “Não estamos particularmente preocupados”, disse sobre o acordo da Amazon com a PillPack. No último ano os lucros da Walgreens aumentaram 15%, enquanto as vendas aumentaram 14%, para US$ 34 bilhões.

A empresa está investindo centenas de milhões de dólares em novos sistemas e rebranding. No início deste mês, por exemplo, a Walgreens anunciou uma parceria para desenvolver clínicas com a operadora de saúde Humana, que vende milhões de planos Medicare Advantage para idosos. Outra aposta é o estreitamento das relações com os serviços de saúde da Optum, da UnitedHealth Group, para desenvolvimento de centros de urgência ligados à farmácia da Walgreens. “Temos um plano claro e acredito que continuaremos com a execução do nosso plano.”, esclareceu Pessina.

Segundo especialistas, é importante notar que a CVS tem uma oferta muito semelhante à da PillPack, e não notaram uma grande mudança de seus consumidores na aderência dessa modalidade de serviço. A CVS está em processo de aquisição da operadora Aetna por US$ 69 bilhões em um acordo que combinaria suas farmácias de varejo, clínicas ambulantes e benefícios de farmácia da Caremark com os planos de seguro da Aetna.

Outro player que sentiu o impacto da aquisição foi o Walmart. A empresa já tinha considerado comprar a PillPack no passado por cerca de US$ 700 milhões, mas demorou a fechar o negócio por preocupações regulatórias. A perda do negócio acabou custando quase US$ 3 bilhões em valor para a rede no dia de ontem.

Lembrando que, na semana passada ocorreu o anuncio do CEO Atul Gawande, para a empresa de saúde formada pela Amazon, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase, para repensar a saúde de seus 1 milhão de funcionários. Ainda não se sabe como esses negócios operarão e o papel da PillPack no conjunto.

       
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