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Valor das ações de empresas que promovem saúde no trabalho [Estudo]

By 6 de janeiro de 2016 Colunas, Gestão, Mercado

A primeira edição da revista científica “Journal of Occupational & Environmental Medicine” (JOEM) de 2016 traz três estudos que avaliaram a mudança no valor das ações de três portfolios de empresas que possuem programas amplos e bem conduzidos de promoção da saúde no ambiente de trabalho e comparados com o padrão da Standard & Poors 500. Confira os três estudos realizados:

1.O primeiro estudo utilizou como referência o prêmio CHAA (ACOEM Corporate Health Achievement Award) criado em 1995 pelo American College of Occupational Medicine e que avalia 17 critérios agrupados em 4 categorias: liderança e gestão, trabalhadores saudáveis, ambientes saudáveis e organizações saudáveis.  O estudo acompanhou o comportamento das ações ao longo de 14 anos e as empresas foram agrupadas em três categorias: (1) saúde (2) segurança (3) saúde e segurança.

2.O segundo estudo utilizou o HERO Scorecard que é uma ferramenta on line desenvolvida em 2006 pela HERO (Health Enhancement Research Organization) para ajudar as empresas a aprimorar os seus programas.  A versão 3, lançada em 2009 apresenta as questões em seis grandes áreas: planejamento estratégico, suporte organizacional e cultura, gestão do programa, integração do programa, estratégias de participação, mensuração e avaliação. Foram utilizados escores de 745 empresas  que completaram o questionário entre 2009 e 2012.  Foram considerados de alta performance as empresas que atingiram um total de 125 pontos em 200 possíveis. Os portfolios de ações foram acompanhados ao longo de seis anos (2009-2015).

3.Finalmente, o terceiro estudo utilizou o prêmio “C.Everett Koop Award” que foi criado em 1994 por uma organização chamada “Health Project” com o objetivo de identificar empresas que promoveram melhoria na saúde do trabalhador e impacto econômico nos programas de qualidade de vida. Os vencedores são selecionados de acordo com a metodologia do programa, taxas de participação e grau de melhoria do nível de saúde da população-alvo.  Para este estudo, as 26 empresas vencedoras entre 1999 e 2014 foram incluídas e a performance dos portfolios de ações foi acompanhada de 2001 a 2014 (14 anos).

Nestes três estudos, o preço das ações foi monitorado no ano após receber o prêmio (ou o escore alto) e os dividendos re-investidos a cada 4 meses.  Os portfolios das empresas com programas de alta performance superaram a performance média da S&P 500 nos três estudos.

No estudo que utilizou o HERO Scorecard, o portfolio superou a S&P500 em 159 a 235% com uma relação de 1:48 para 1:00 ao longo de seis anos.  O portfolio do CHAA Award superou a da S&P500 em 105 a 303% com uma relação de 2.89 para 1:00 ao longo de 14 anos, ou um desempenho 13% superior a cada ano. Finalmente, o portfolio da Koop Award superou a da S&P500 em 105 a 325% com uma relação de 3:00 para 1:00.

Estes estudos robustos corroboram a constatação de que a gestão estratégica da saúde nas empresas agrega valor aos negócios. Naturalmente, isso exige planejamento de longo prazo, envolvendo programas e ações de bem-estar (qualidade de vida), promoção da saúde e segurança no trabalho, com utilização de métricas adequadas que estejam alinhadas com a missão da organização e que sejam percebidas como relevantes pelos gestores da empresa, investidores, clientes e trabalhadores.  Neste contexto, certamente a gestão da saúde na organização não é só papel da área de recursos humanos, SST ou benefícios, mas deve envolver a liderança e os tomadores de decisão.

Assim, no Brasil, precisamos superar os desperdícios de programas pontuais, a gestão de curto-prazo com métricas parciais e imprecisas (como retorno sobre o investimento) para modelos mais amplos, com planejamento de longo prazo e alinhado com as estratégias das organizações.

Alberto Ogata

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