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Tons de rosa

By 8 de outubro de 2015 Colunas, Mercado
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Chega outubro e a cor rosa fica mais evidente. Tanto na iluminação de prédios e monumentos quanto em notícias de jornais, revistas e televisão. O tom rosa é relacionado ao câncer de mama. São mais de 57 mil mulheres diagnosticadas por ano no Brasil. É o tumor mais comum entre mulheres, mas a taxa de cura se aproxima de 90% quando identificado precocemente, idealmente antes dos sintomas. Felizmente, essa luta mobiliza milhares de pessoas e as taxas de sucesso vêm crescendo. Apesar do mesmo nome, câncer de mama é mais de uma doença, com comportamentos biológicos e tratamentos diferentes, o que permite indicar terapias mais efetivas e menos tóxicas. Mas nem tudo é um mar de rosas.

As estatísticas mostram que os casos vêm aumentando. Isso pode ser causado pela mudança socioepidemiológica, com mulheres tendo menos filhos e mais tardiamente, além do aumento do tabagismo e da obesidade. A desinformação é outro fator de risco. Muitas pacientes se surpreendem com o diagnóstico, pois não tinham história familiar prévia. A ausência de parentes próximos com a doença não elimina o risco, inclusive a maioria dos casos não tem histórico familiar.

Outro erro comum é adiar a avaliação médica, com o medo de que intervenções possam piorar a evolução, quando é justamente o contrário. Cabe salientar, ainda, a alarmante falta de acesso à mamografia em alguns locais do País. A qualidade questionável de alguns mamógrafos pode dar a falsa sensação de segurança e o tempo entre suspeita e manejo efetivo são ainda pontos de tensão. Além disso, drogas sofisticadas, mas de alto custo, não estão disponíveis no sistema público e não se visualizam mudanças significativas. A falta de um plano de adequação no modelo assistencial cria um desalento para quem conhece e lida com a saúde, pois a taxa de mortalidade em áreas pobres é 11 vezes maior do que em zonas com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

De qualquer forma, o rosa sensibiliza a população e homenageia as mulheres que travaram ou seguem nessa batalha. Que sirva, também, para fomentar mudanças estruturais e, desta forma, salvarmos mais vidas.

Stephen Stefani

About Stephen Stefani

Médico oncologista. Especialista em Auditoria Médica. Professor de Farmacoeconomia da Fundação Unimed. Presidente do Capítulo Brasil daInternational Society of Pharmacoeconomics and Outcome Research (ISPOR). Preceptor da residência médica do Hospital do Câncer Mãe de Deus.

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