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Tecnologia de Informação e Comunicação para os serviços de saúde

By 22 de outubro de 2014 Mercado

O desenvolvimento de sistemas de informação para a saúde está na pauta do dia. Não obstante a complexidade inerente ao sistema, seus processos e às peculiaridades de seus operadores, torna-se urgente o envolvimento de todos nós na construção de modelos que sustentem a integração das informações assistenciais, permitindo inserção, compartilhamento e gestão entre múltiplos prestadores. Estruturar um novo sistema de saúde que envolva os setores privado e público, onde as informações sobre os pacientes circulem sem barreiras proprietárias ou comerciais, mas sim, administradas e autorizadas pelo próprio beneficiário, o paciente. Sem, obviamente, esquecer ou desvalorizar as preocupações inerentes à segurança do conteúdo das informações, que devem garantir que apenas profissionais envolvidos e/ou autorizados pelos pacientes tenham acesso ao conteúdo em questão.

Interoperabilidade da informação em saúde

Vamos imaginar uma situação prática: você vai ao consultório de um Clínico Geral credenciado do seu plano de saúde, passa em consulta médica e alguns exames são solicitados. Ao final da consulta, você liga para um laboratório de análises clínicas para agendamento das datas e locais dos exames solicitados por seu médico. Alguns minutos depois recebe em seu e-mail as orientações necessárias ao seu preparo prévio aos exames. Na data marcada você comparece ao local programado e os exames são realizados com sucesso. Durante a coleta do seu exame, um atendente da recepção pergunta quais profissionais de saúde poderiam ser autorizados a receber informações sobre os seus exames colhidos naquela data. Você informa o nome do Clínico Geral que pediu os exames, mas lembra-se que seu Cardiologista também poderia ter interesse em acessar os resultados, já que alguns exames podem facilitar a condução do seu caso, sem necessidade de solicitar em curto espaço de tempo um exame recentemente realizado.

Este processo idealmente poderia beneficiar a todos envolvidos no atendimento. Você, como contratante do serviço privado ficaria satisfeito se, ao ligar para agendamento dos seus exames laboratoriais, a atendente do laboratório escolhido pudesse identificá-lo com base apenas no fornecimento do seu número de registro na operadora de saúde. Ao identificá-lo, ela poderia imediatamente complementar o contato com a mensagem “O senhor já realizou exames conosco, portanto, encaminharemos as informações de preparo ao seu e-mail cadastrado em sistema. Seu médico receberá também o histórico de exames semelhantes realizados, mesmo aqueles realizados em unidades laboratoriais de outras empresas. Muito obrigado por escolher nossa unidade mais uma vez”. Ao informar quais os médicos poderiam ter acesso aos resultados do seu exame, você facilitaria aos seus cuidadores a tomada de decisões mais seguras e adequadas, pois informações como estas podem mudar os rumos do seu tratamento de saúde. E, por fim, o compartilhamento destas informações entre você e seus cuidadores pode evitar a repetição desnecessária de exames, contribuindo para que sua operadora de saúde evite também o desperdício de recursos. Importante: evitar repetição de exames também pode reduzir riscos à sua saúde, pois uma coleta de exames de sangue ou a realização de um exame de imagem não são totalmente livres de potenciais intercorrências ou efeitos indesejáveis já conhecidos.

Você consegue perceber o valor altamente desejável nesta interoperabilidade das informações? E perceba que o mesmo benefício poderia existir se envolvêssemos o setor público neste compartilhamento. Qual o tamanho do desperdício de rcursos hoje existente no sistema de saúde brasileiro por causa da falta de comunicação dos diferentes prestadores envolvidos? Gigantesco, para não dizer vergonhoso. Vamos imaginar uma outra situação ainda mais comum: você está fazendo acompanhamento de um problema pulmonar e realizou recentemente uma tomografia de tórax. Por algum motivo você precisa neste fim-de-semana ir a um pronto-socorro e o médico pergunta qual foi o resultado deste exame tomográfico realizado recentemente. Você não sabe dar detalhes, e o médico resolve repetir o exame. Mais uma vez, se este exame pudesse ser acessado pelo próprio sistema de prontuário eletrônico que o médico está usando no pronto-socorro, bastaria que você fornecesse uma senha de acesso e a visualização dos seus resultados de exames estaria liberado ao médico. Economia de recursos, redução de tempo de atendimento e redução de riscos à saúde. Mais satisfação para todos os envolvidos, com otimização dos serviços nas unidades de atendimento. Isto seria tornar o sistema muito mais eficiente.

Um caminho para redução das desigualdades e ganhos em eficiência

A integração real das informações em saúde vai além, acredite. O compartilhamento de informações em prontuários eletrônicos por todo o país poderia, inclusive, acelerar decisões médicas (bem como entre todos os outros atendimentos de profissionais de saúde), reduzir complicações pela demora para ciência de resultados de exames e garantir mais qualidade nas informações (evitando que as informações sejam perdidas ou apenas colhidas por intermédio do relato de terceiros). Diferenças territoriais na qualidade assistencial também poderiam ser reduzidas, com envolvimento de plataformas de coleta de informações e atendimento via telemedicina. Sempre compartilhadas e disponibilizadas com serviços em todo o território. Portanto, o caminho para a redução das atuais desigualdades assistenciais terá que passar pela regulamentação da telemedicina no Brasil. Não há como evitar o tema e sua postergação só alimenta os desperdícios dia-a-dia. Esta regulamentação é tão importante para auxiliar na busca por mais eficiência no setor como para a garantia da segurança de futuros usuários (pacientes e médicos). Essencial e urgente.

Por fim, o uso de estratégias de telemonitoramento de portadores de doenças crônicas, integradas às demais ferramentas de gestão da informação, poderão garantir melhor performance de todo o sistema e prevenir descompensações clínicas. Sob o ponto de vista prático, imagine como a telemedicina associada ao telemonitoramento poderiam viabilizar a alta cada vez mais rápida de pacientes internados, reduzindo sobrecarga atual dos hospitais, aumentando o giro de leitos e permitindo melhor uso dos recursos hospitalares já existentes? Mais uma vez, as informações colhidas no domicílio do paciente deverão ser disponibilizadas entre todos os envolvidos, sempre com regulação e autorização do próprio paciente. Oportunidades reais de melhorar eficiência como um todo e viabilizar um sistema atualmente estrangulado pelos constantes desafios operacionais.

Dr. Sérgio Ricardo Santos

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