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Tamanho e qualidade da rede SADT do Brasil não deve nada a qualquer país do mundo

By 23 de abril de 2020 Colunas, Mercado

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

S.A.D.T., Serviço de Apoio à Diagnose e Terapia, como aprendi há anos, ou Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia, como muitos chamam, como o próprio nome indica são as unidades de saúde que realizam procedimentos de apoio à definição do diagnóstico e/ou procedimentos terapêuticos, estes últimos na prática com o apoio intensivo de equipamentos.

Pelo CNES podemos tabular quantos existem no Brasil e como se distribuem:

·         É uma das maiores redes SADT do mundo;

·         E é uma das mais variadas que existem, permitindo que se realize no Brasil qualquer tipo de exame em ambiente laboratorial, baseados em imagem, em métodos gráficos ou em qualquer outro tipo de método conhecido;

·         Especialmente no âmbito laboratorial, temos 2 entidades públicas (FioCruz e Butantã) reconhecidas mundialmente pela capacidade e excelência no processo de produção, e pela gigantesca estrutura de pesquisa  (SADT);

·         E na área privada temos serviços equipados com os mais modernos equipamentos que existem, posicionando o Brasil no que se chama de “estado da arte” da tecnologia diagnóstica.

(*) todos os gráficos são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil – Edição 2020

Em 2019 0 CNES contabilizou 31.282 unidades neste grupo:

·         É importantíssimo ressaltar que este é o número de unidades independentes SADT e não de serviços SADT. Existem em praticamente todos os hospitais um serviço SADT que presta serviço para pacientes externos … estes serviços não estão contabilizados neste número, porque não são unidades independentes. Estes serviços podem existir em UPAs, Ambulatórios de Especialidades … ou seja, o número de serviços é muito maior que este;

·         Mas apenas contabilizando estes, observamos uma evolução de impressionantes 14,7 % em apenas 2 anos … é um mercado imenso que ainda está em plena expansão !

O capítulo Equipamentos do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil reforça a grandeza deste mercado … lá existe a contabilização dos equipamentos utilizados em SADTs, sejam eles unidades ou serviços.

Este gráfico demonstra a distribuição proporcional destes tipos de unidades em 2019:

·         Predomínio total dos SADTs isolados;

·         As curvas de evolução são praticamente as mesmas deste tipo de unidade.

Mas podemos demonstrar que existe evolução importante em cada um dos tipos.

Foram 488 os Centros de Atenção Hemoterápica e Hematológica contabilizados em 2019:

·         Um crescimento de 31,9 % em apenas 2 anos !

Laboratórios de Saúde Pública (Central e Típico) foram 597 em 2019:

·         Um crescimento de 42,8 % em apenas 2 anos !

·         Existe uma natural substituição dos Laboratórios Centrais pelos Laboratórios Típicos … estes números totalizam os dois tipos.

E as Oficinas Ortopédicas totalizaram 35 em 2019:

·         Um crescimento de 34,6 em apenas 2 anos !

O gráfico que demonstra a distribuição pelo território nacional já permite avaliar que estas unidades permeiam todas as regiões:

·         A UF que possui o menor número de unidades (RR) tem 34 delas;

·         Em uma UF com apenas 15 municípios, a maioria absoluta com extrema dificuldade de infraestrutura básica para abrigar unidades com equipamentos para diagnóstico e terapia, 5 possuem SADTs, ou seja 1/3 está provido deste tipo de unidade mesmo nesta UF tão isolada do restante do Brasil !

Este gráfico demonstra a distribuição Per Capita:

·         Enquanto o anterior (quantidade) indica uma variação de 175 vezes entre as UFs de menor e maior volume, o Per Capita indica uma variação de apenas 5,8 vezes;

·         E as UFs com indicadores mais elevados não são as que possuem maior quantidade, sinalizando claramente que, mesmo nas UFs de maior oferta deste tipo de unidade, não existe saturação de mercado … ainda existe demanda de sobra !

Podemos concluir que o cenário é de dar orgulho, mas … sempre tem um mas:

·         O Brasil, como a maioria dos países do mundo, optou pelo caminho de adquirir insumos para realização de exames de outros países por serem mais baratos;

·         Não é possível competir em custo de produção com países como a China e a Índia, por exemplo, onde a mão de obra é muito barata;

·         As razões pelas quais a mão de obra no Brasil é mais cara todos sabemos: em vários países produtores os trabalhadores não tem a proteção das leis trabalhistas do Brasil (por muito menos que isso aqui diriam ser um regime escravagista), e a carga tributária brasileira que é muito acima do absurdo.

Na crise COVID-19 pagamos o preço:

·         Com todo este aparato de infraestrutura de SADT não pudemos realizar testes no volume e velocidade necessários porque os países exportadores concentraram a produção primeiro para eles, depois para os que se sujeitaram e tinham recurso para pagar mais caro, e só em terceiro plano os países como o nosso, que tinha o recurso dentro de um limite orçamentário possível;

·         Vimos a aflição dos nossos Governos Federal, Estaduais e Municipais negociando (modo elegante de dizer implorando) com países produtores para conseguir o insumo necessário para realizar exames;

·         E com toda esta estrutura invejável de SADT tivemos que optar por um isolamento social maior do que poderia ter sido realizado, se tivéssemos a oportunidade de realizar os testes que tínhamos capacidade de fazer, mas não tínhamos insumos.

Após a crise COVID-19 uma das principais questões estruturais a ser discutida na gestão da saúde do Brasil é o quanto se deve renunciar ao maior custo da produção nacional de insumos em função da segurança de não ter que depender de países que quando uma situação de urgência ocorrer.

Saúde não é um produto como outro qualquer … o custo é importantíssimo, mas existem formas de se equacionar custo x segurança para que este tipo de episódio não mais ocorra.

A crise vai servir para contabilizar que o custo econômico gerado pelo isolamento social por tempo mais longo do que poderia ter sido será muitas vezes maior do que o maior custo que teríamos tido com a produção interna de insumos.

Não adianta ter carro se tivermos que importar o combustível … nem se o carro for elétrico e tivermos que importar energia elétrica !

Infelizmente este cenário brasileiro que envolve SADT que causa inveja a maioria dos países do mundo, foi “manchado”, como aconteceu em todos os países do mundo, pela definição de que importar insumos é mais barato … sem considerar aspectos de segurança do paciente.

Enio Salu

About Enio Salu

Histórico Acadêmico·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação UnimedHistórico Profissional·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas·  Associado NCMA – National Contract Management Association·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado