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Segurança do Paciente e Burnout na mesma frase: Indo além das promessas de ano novo!

By 12 de dezembro de 2019 Mercado

Em época de final de ano, estação das festas, além das tradicionais promessas de ano novo, é muito comum reclamarmos de cansaço e estresse. Volta e meia ouvimos alguém dizer: “estou com burnout”.

Independentemente do nosso nível de cansaço e estresse, fato é que, para nós profissionais da saúde, nenhum estudo precisaria ser feito para dizer algo que sentimos diariamente: cansaço e estresse têm relação íntima com a qualidade do cuidado que prestamos.

Obviamente não estamos todos com burnout. Mas devemos nos preocupar.

Estudo recente para avaliar a prevalência em médicos residentes no Hospital de Clínicas de Porto Alegre mostrou que 8 em cada 10 residentes que responderam ao questionário tinham burnout (BOND et al., 2018). Não somente médicos, mas também os profissionais da saúde que lidam mais diretamente com o paciente estão com taxas cada vez mais elevadas de burnout (LYNDON, 2015; National Academy of Sciences, Engineering and Medicine, 2019).

Burnout é um fenômeno complexo que está relacionado com questões ocupacionais e  profissionais (OMS, 2019). Christina Maslach, uma das pesquisadoras que mais estuda o assunto, define Burnout como “uma resposta prolongada a estressores crônicos emocionais e interpessoais no trabalho, definida por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional”. (MASLACH; SCHAUFELI; LEITER, 2001).

E cabe aqui ainda outro lembrete: não ter burnout não significa bem-estar profissional. Quando se fala em bem-estar profissional é comum a relação com burnout também por ele ser a medida inversa mais conhecida (PANAGIOTI et al., 2018).

E o que tem haver com segurança do paciente?

Tudo. Cada vez mais os estudos estão demonstrando que profissionais da saúde com burnout têm uma chance maior de colocar em risco a segurança do paciente (PANAGIOTI et al., 2018; HALL et al., 2016; GARCIA; ABREU; RAMOS, 2019). Uma das revisões sistemáticas (PANAGIOTI et al., 2018), avaliando a associação entre burnout médico e incidentes em segurança do paciente, encontrou uma Odds Ratio (OR) de  1,96. Em outras palavras, poderíamos dizer que médicos com burnout têm quase o dobro de chance de estarem envolvidos com incidentes de segurança do paciente.

O que podemos fazer?

Além de estratégias de autocuidado, que muitas vezes viram promessas de ano novo (alimentação saudável, atividade física…), nós, profissionais de saúde, podemos exercitar algumas estratégias de automonitoramento.

O Guia Multiprofissional de Segurança do Paciente da OMS (OMS, 2011), por exemplo, destaca fatores individuais que predispõem profissionais de saúde a erros. Ele sugere pequenos checklists pessoais que podemos fazer para contribuir com a segurança do paciente.

Um deles se chama HALT. Devemos prestar mais atenção se estamos:

H Hungry (com fome) A Angry (irritado) L Late (atrasado) T Tired (cansado)

Outro mnemônico é o IM SAFE (“estou seguro” em inglês), que também nos lembra as situações de risco:

I Illness (doença); M Medication (medicamento: remédios controlados, entre outros); S Stress (estresse); A Alcohol (álcool); F Fatigue(fadiga); E Emotion (emoção)  

Mas autocuidado e automonitoramento são suficientes?

Não. Não são.

Em 2019, o National Academy of Sciences, Engineering and Medicine publicou um relatório intitulado: “Tomando atitude contra burnout clínico: uma abordagem sistêmica para o bem-estar profissional”. Destaca inúmeras ações possíveis para abordar o burnout e promover o bem-estar profissional, enfatizando uma questão-chave: a importância de abordar a questão de uma forma sistêmica: muito além de estratégias pessoais de manejo de estresse.

Não há nenhum problema em fazer promessas de ano novo que busquem melhorar a saúde, muito pelo contrário. A questão é que, assim como a segurança do paciente, soluções passam muito além de ações individuais. Quando investimos em bem-estar profissional estamos também investindo em Segurança do Paciente.

Sobre o autor

Tiago Dalcin, médico pediatra e membro do Programa de Gestão da Qualidade e da Informação em Saúde – QUALIS  / Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Enviado por Guilherme Barcellos.

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